Demissão em massa e mais interrogações no Mogi Mirim

Demissões em massa. Frase habitual em meio à instabilidade econômica do país e que tem causado apreensão em milhões de trabalhadores. Uma onda que atingiu nesta semana o Mogi Mirim Esporte Clube, porém, em um cenário que amplia as interrogações a respeito do futuro do clube.  Curiosamente um dia após o Dia do Trabalhador, na segunda-feira (2), veio a tona uma série de desligamentos no Sapo. Todos os funcionários com carteira de trabalho registrada foram demitidos e começaram a cumprir aviso prévio.

O Blog apurou com funcionários do Mogi que a demissão em massa não foi comunicada oficialmente pela presidência. O presidente Luiz Henrique de Oliveira entregou todos os avisos prévios assinados ao Departamento Pessoal, inclusive, dos próprios membros do Departamento Pessoal. Jogadores e membros da comissão técnica encabeçada por Leston Júnior não entraram na ‘barca’. Como possuem contrato de trabalho, não integram a lista de registrados em carteira, perfil dos demitidos. Figuras com anos de casa, como o Supervisor de Futebol Maurício Lourenço estão na leva de profissionais que foram sumariamente desligados do clube. Pior que a demissão em massa, apenas a incerteza.

Inicialmente foi cogitada a possibilidade de que os desligamentos significariam um recomeço da estrutura pessoal do clube visando a chegada de um novo administrador. Um nome que orbita o Mogi Mirim é do empresário Hélio Vasone Júnior. Em 2015 o acerto para substituir Rivaldo não ocorreu por detalhes. Ainda assim, Vasone segue interessado em assumir o clube do qual foi parceiro por quase dois anos e presidente por alguns dias, em 2013.

Porém, ao menos publicamente, a permanência da atual diretoria é certa. Enquanto alguns dos que cumprem aviso prévio já buscam novos empregos, outros ouviram da diretoria que serão mantidos mesmo após o fim de maio. Também foi levantada a possibilidade de terceirização dos serviços e, no cenário mais amador, de que novos familiares do presidente serão empregados. Vale destacar que, desde julho, quando assumiu o clube, diversas funções foram delegadas para parentes e amigos de parentes, como a gerência de futebol e outros cargos administrativos. O quadro de sócios também foi dobrado com a inserção de pessoas trazidas de Guarulhos às vésperas das eleições, em novembro de 2015.

OPINIÃO – Importante frisar aqui que, muitos dos funcionários celebraram a demissão ao pensar neste viés. São colaboradores que não quiseram se identificar, temendo represálias, mas, que falaram com o Blog durante a semana. A grande maioria chamou a diretoria de amadora e expôs algumas situações. Por problemas financeiros houve o corte, há algumas semanas, de fornecimento de carne. Toda esta insegurança administrativa acontece às vésperas da estreia do Sapo na Série C. No domingo, dia 22 de maio, a equipe jogará contra o Botafogo, em Ribeirão Preto com massagistas cumprindo aviso prévio.

Diferente dos últimos presidentes (Rivaldo e Wilson Fernandes de Barros), que possuíam cacife (pessoal ou empresarial) para bancar o clube em meses de sufoco, Oliveira não possui o mesmo fôlego. Não concordo que o presidente deve tirar dinheiro do bolso e, como fez Rivaldo, trato esta ação como prova de má gestão. O dirigente está no clube com a missão de captar recursos para que as finanças estejam em ordem. Ou no azul, no melhor cenário. O Mogi Mirim, porém, se tornou repelente à investimentos. Os problemas internos e a má conduta administrativa (que já faz alguns jogadores acionarem a Justiça contra o clube) proporciona um temor pelo futuro.

Sem dinheiro para a Série C, a diretoria já teria, inclusive, recorrido à Federação Paulista e solicitado um adiantamento da verba dos direitos de transmissão para a Série A2 de 2017. É o famoso cobertor curto. Sobre as demissões, a maior interrogação gira em torno dos motivos que levaram à esta tomada de decisão e porque não houve um comunicado oficial a cada um dos desligados. São trabalhadores que dedicaram dias, meses, anos ou até décadas de serviço à instituição e que, como cada um de nós, possui família para zelar. Espero que os argumentos sejam os mais sóbrios possíveis e que o presidente fale publicamente a respeito do cenário administrativo do Mogi Mirim o mais rápido possível. Palavra da moda, um ‘eventual’ terceiro rebaixamento seguido estaria umbilicalmente ligado às atitudes que antecedem o campeonato. E a paciência do já cansado torcedor não iria querer nem cumprir aviso prévio. Estouraria de imediato!

One thought on “Demissão em massa e mais interrogações no Mogi Mirim

  1. Esta indo no mesmo caminho da estréia do Paulistão 2016 e que acabou com o rebaixamento. De novo essa diretoria erra e pode acabar com mais um rebaixamento. Uma vergonha.

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