Editorial: A primeira gente nunca esquece…

Nasceu. Após muitos meses de parto, o GRANDE JOGADA está nas bancas. Supermercados, padarias, secretarias de esporte e tantos outros pontos em Itapira, Mogi Guaçu e Mogi Mirim. Um jornal que nasce com o objetivo de ousar. Quantas vezes já não ouvimos que há um pingo de loucura em lançar um jornal em meio à crise. Que é loucura lançar um jornal em meio à velocidade da internet.

É claro que este mundo online têm enorme importância e que suas ferramentas, sobretudo as jornalísticas, são importantíssimas. Tanto é que estamos na tal rede mundial de computadores. Porém, há vícios que precisam ser combatidos e a primeira edição do GRANDE JOGADA aproveita a levantada discussão do impresso x online para levantar um tema importante.

Como a escrita em redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas estão mexendo com a nossa cultura? São textos tão rápidos quanto a pressa cotidiana da maioria dos brasileiros. Velocidade que gera falhas na escrita e falta de percepção aos erros alheios. O tema foi levantado pelo professor de língua portuguesa e diretor de design, Altamir Silva, sócio-proprietário do GRANDE JOGADA e testemunha de inúmeros atentados à língua portuguesa.

A partir do debate veio a ideia. Por que não utilizar o impresso para discutir o mundo online? E aí, percebeu a jogada? Não achou nada de diferente no título deste editorial? É exatamente a manchete do jornal GRANDE JOGADA, que hoje está nas mãos de centenas de mogianos. Muitos que, ao fazer a tradicional leitura dinâmica, não vão perceber a falta que um ‘a’ fez à frase.

Na construção desta estratégia, tiramos o ‘vez’ da oração tradicional e a frase ganhou uma fonética traiçoeira, com o ‘a’ do ‘primeira’ quase que substituindo a vogal que dá sentido ao termo ‘gente’. A construção foi completada com mais uma mensagem que ficou apenas nas entrelinhas. Muitos sabem que esta é a primeira edição do GRANDE JOGADA. Ou seja, a primeira vez. Assim como todas as ‘submanchetes’ que envolvem o GJ também faz alusão a uma primeira vez. Da estreia do Mogi na Série C á primeira vitória do BFC na Copa Itapira. Da estreia do vôlei na Liga Campineira à primeira participação de vários clubes na elite do Amador de Mogi Mirim. Quem prestou mais atenção na diagramação (que pretende fugir das tradicionais roupagens) também correu o risco de ignorar a armadilha.

Vivemos em um mundo em que a tecnologia trouxe milhões de benefícios, mas que tem reduzido a capacidade de escrita e automaticamente de leitura, gerando vícios que deletam a beleza da língua portuguesa. São hábitos levados por crianças que digitam errado no ‘WhatsApp’ – preguiçosamente rebatizado de ‘zap zap’ – às redações escolares. Os memes das provas do Enem podem ser engraçados, mas evidenciam uma crise cultural que precisa ser combatida. Da redação escolar aos projetos universitários. Do currículo ao relatório que desanima o chefe. Escrever bem não faz mal. Escrever mais não lhe dá menos tempo.

Outro motivo que levou o GRANDE JOGADA a gerar este debate foi o palco de seu lançamento. O jornal estará em um dos stands da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Itapira nesta sexta-feira, 20 de maio. No contato com estudantes do ensino fundamental, médio ou mesmo superior, a pergunta: você é o que você escreve? Se não tem o hábito da leitura, compre um livro. Leia mais. Leia mais jornal. A região é frutífera em publicações de qualidade e o GRANDE JOGADA é mais uma ferramenta para que esta semente germine boa fruta.

A escrita não foi a única vertente de debate que vai além do esporte desta primeira edição. A intimidade com o jornalismo também. Quem está habituado à leitura de periódicos pode ter sentido a falta não apenas de um ‘a’ na manchete, mas, também, de legendas nas fotos. Se para alguns pode parecer um detalhe, para o jornalismo é como construir uma casa faltando tijolos. A legenda proporciona maior amplitude à informação trazida pelas fotos, outra peça que não é um simples manequim.

O GRANDE JOGADA tem um compromisso com o esporte, assumido deliberadamente com uma publicação 100% voltada a este tema. Porém, a essência é jornalística e a veia formada de opinião jamais será ignorada. Queremos um país com mais esporte para nossas crianças. Mas, também com muita cultura e muito, mas muito mais educação. Desejamos a todos uma ótima leitura.

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