O torcedor não gosta do Mogi Mirim ou de gastar muito?

Lucas Valério | Foto: Léo Santos/Jornal Grande Jogada

Há anos se discute em Mogi Mirim por qual motivo que as arquibancadas lotadas do estádio Vail Chaves se transformaram em um artigo do passado. Ao pegar o ranking de público dos últimos campeonatos que o Sapo disputou, o ‘pesquisador’ encontrará o clube nas últimas posições. E sem forçar a barra, muitas vezes, na lanterna. Mas é sempre muito interessante mensurar esta discussão com fatos ocorridos como na tarde deste sábado (23). Pela 10ª rodada da Série C do Brasileiro, o Mogi Mirim empatou em 0 a 0 com o Botafogo-SP em sua casa.

No sistema de som, a informação. Mais de 3 mil pagantes. Claro que a sensação era de um público menor e que, se isto ocorreu, não é algo anormal. Os ingressos foram trocados por garrafas PET e nem todos que efetuaram a ‘permuta’ foram ao estádio. Mesmo assim, é importante focar nestes 2 mil torcedores. É um número quase 10 vezes superior ao registrado quando o clube cobrou R$ 30 pela inteira. Ou até mesmo quando liberou a entrada gratuita para menores de 21 anos e majorou a entrada comum para R$ 40.

Em um exercício simples, é possível pender para um lado do questionamento que dá título a esta postagem. O torcedor de Mogi ainda gosta do Mogi. O problema é gastar. Como qualquer empresa, é óbvio que este tipo de análise precisa ser profissional. Entender o seu público é imprescindível para alcançar o sucesso e contribuir para a saúde financeira da instituição. O público principal do Mogi é seu torcedor e ele deu o recado. Se ele não precisar gastar muito, ele vai. É claro que não dá para fixar a troca por garrafas PET (a não ser que a FPF tome partido por seus associados). Mas não dá para voltar ao ingresso caro. Nem mesmo a R$ 30.

A diretoria precisa entender que, para ter o torcedor ao seu lado, será obrigada a reduzir o valor. E, quem sabe, ao invés de ganhar R$ 3 mil de renda bruta com 250 pagantes, ter R$ 6 mil com 2000 pagantes. Até porque, cobrar R$ 15 parece até muito para o produto que está sendo vendido. O time atual é raçudo, se entrega em todos os jogos e merece o respeito do torcedor. Superou problemas administrativos e mesmo com salários atrasados tem brigado na parte de cima da tabela. Mas estamos falando de Série C do Brasileiro, não dê um espetáculo.

Nem mesmo o São Paulo, conhecido por ser um clube elitizado e com o status de integrante permanente entre as potências do Brasil, resistiu ao que seu público demonstrou. Diferente de Corinthians e Palmeiras que entregaram novas arenas aos seus adeptos e têm sempre 30 mil interessados em gastar, o São Paulo lota o Morumbi quando faz promoção. O torcedor menos favorecido gosta de ir ao estádio tricolor não apenas em finais, mas não quer gastar muito por isso. Na capital, a diretoria já sinaliza com a redução para R$ 20 em vários setores do estádio. E em Mogi, quando é que haverá a fixação de um valor reduzido que poderá, finalmente, aumentar a surrada média do Vail Chaves? O recado foi dado neste sábado!

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