A temporada 2016 não tem seguido um script tradicional. Pelo menos para Mirlene Picin. A atleta mogimiriana, destaque brasileiro nos esportes de neve e de montanha, iniciou o ano com resultados importantes em competições na Europa, mas logo no retorno ao Brasil sofreu com problemas clínicos.

Entre abril e junho se recuperou de uma lesão no pé esquerdo, chamada de neuroma de morton. “A expectativa era de realizar boas provas em julho e agosto, mas um problema respiratório não me permitiu”. A atleta tinha na agenda o Sulamericano de Biatlo de Inverno, até que uma plaurasia (inflamação da pleuna que recobre os pulmões) surgiu como novo obstáculo na rotina da mogimiriana.

“Saí do Brasil com uma forte gripe, que nos primeiros dias em Ushuaia evoluiu para uma pleurasia. Fiquei impossibilitada de treinar o ski, quando ainda havia pouquíssima neve, mas era possível esquiar”. Depois, não pode dar sequência com os treinos de corrida. Após 20 dias em Ushuaia, na Argentina, chegou ao Chile, palco do Sulamericano, no dia 3 de agosto.

“Ainda debilitada pelo problema de saúde, sabia que seria muito complicado competir, ainda mais sendo altitude”. Para piorar, o pior inverno dos últimos 45 anos na região cancelou as seis competições previstas e que seriam válidas pelo Campeonato Brasileiro de Si Cross Country e contaria pontos para o ranking da FIS (Federação Internacional de Ski. No dia 3 de agosto, Mirlene embarcou Portillo, no Chile, cidade que fica a três mil metros de altitude.

Com neve e as provas do Sulamericano confirmadas, Mirlene participou dos três eventos e ficou com a quarta posição. No total, ela participou do Sprint de 7,5 quilômetros com duas paradas de tiro, do pursuit de 10 quilômetros com quatro paradas de tiro e da mass start de 12,5 quilômetros, também com quatro paradas para atirar. A vencedora do Sulamericano foi a chilena Cláudia Salcedo.

Mirlene é patrocinada pela Visafértil, Nanobr Nanotecnologia e Bonés Rollerski, tem parceria com a Murilhas Comunicação, Salomon e Solo BR e apoio do Hospital 22 de Outubro e do Centro Oftalmológico – Dr. Rodrigo e Flavio Hoffmann. A atleta já foi eleita a melhor brasileira em esportes de neve em 2010 e 2011.