Estilo de Vida: Guerra ao açúcar

Elaine Cristina Navarro*

 

Desde cedo estamos acostumados com aquela mamadeira quentinha e bem docinha dada pela mamãe que acha que o bebê vai achar ruim a mamadeira que não está adoçada, enquanto – na verdade – os bebês não têm nenhuma referência de doce ou salgado quando nascem. Essas referências são construídas por nós adultos! Por isso é tão importante a amamentação e as dicas do pediatra que diz: “Mamãe, não adoce a mamadeira de seu filho!”.
Também durante a infância, as crianças conhecem as bolachas recheadas, sucos industrializados, docinhos, balinhas e etc, tudo dado por um adulto talvez para controlar a manha de seu filho ou, simplesmente, porque acha que isso não tem importância, mas, acreditem, tem muita importância! Depois de passar uma vida inteira consumindo açúcares das mais variadas formas, você chega à fase adulta e vê a necessidade de retirá-lo, seja por que precisa abaixar ou manter o peso ou pior, por que precisar controlar um diabetes. Daí vem aquele sofrimento, porque desde crianças consumimos o açúcar em excesso.
Tive várias experiências ruins quanto ao excesso de açúcar na minha vida, a principal delas foi a perda de minha avó materna e minha mãe, ambas aos 52 anos de idade, por causa de uma série de doenças relacionadas à obesidade potencializadas pela diabetes.
Quando tomei a decisão de emagrecer e, sobretudo, permanecer magra e saudável, me vi na obrigação de reduzir o açúcar, pois afinal, eu não queria também perder a vida aos 52 anos de idade. Minha avó já era falecida quando decidi dar um basta à obesidade, mas minha mãe faleceu quase dois anos depois da minha cirurgia bariátrica. Infelizmente, a diabetes não deixou que ela fizesse uma ponte de safena tão necessária por conta de um infarto do miocárdio. Não consegui mudar hábitos de minha mãe, mas vi que poderia mudar hábitos dentro da minha casa, de meu filho pequeno.
Hoje em dia em casa consumimos pouco açúcar, buscamos as formas mais naturais possíveis, praticamente não utilizamos açúcar refinado, só usamos adoçantes artificiais quando é realmente necessário e, para mim, zero açúcar porque mudei muito meu paladar em relação o que era antigamente! Amo sucos e chás sem açúcar e não sinto nenhuma necessidade de adoçar.
É fácil mudar hábitos de uma vida inteira? Não é! Mas você pode começar se quiser. Eu consegui diminuindo gradualmente, experimentando novos sabores e acostumando meu paladar com esses sabores. Você pode, por exemplo, começar pelos refrigerantes, trocá-los por sucos naturais, em seguida trocar o açúcar do suco natural por um adoçante de estévia ou mel, com o tempo reduzir o uso desses adoçantes e saborear o maravilhoso gosto da fruta. A mesma coisa para os chás e café. Conheci uma nutricionista que dizia que quem gosta de café com açúcar, na verdade gosta do açúcar e não do café e eu, que não gostava de café, descobri que o que ela falava era a verdade, pois o gosto do café sem adoçar é maravilhoso e o mesmo vale para os chás.
Se não consegue ficar sem aquele docinho depois das refeições, invista em frutas da época ou até mesmo por gelatinas sem açúcar, com o tempo você vai perceber que dá pra viver sem açúcar sim.
Para nós mulheres na TPM (Tensão P’re-Mentrual), bom mesmo é comprar um chicletinho zero açúcar, que além de tirar o foco do doce, ele engana o cérebro e não te deixa querendo comer o tempo todo.
Ler rótulos é essencial. Ninguém precisa ser nutricionista pra decifrar os rótulos dos alimentos, mas é importante você saber que pode vir escrito nele açúcar ou outras formas de açúcar, assim como glicose, sacarose, frutose, lactose, maltose, agave, maltodrextrina, melaço e xaropes, que podem ser de milho ou de arroz, todos estes ingredientes também são utilizados para adoçar e não somente alimentos doces, eles são também muito utilizados em sopas ou molhos industrializados, então ler e conhecer o que está consumindo é muito importante. Principalmente se você tiver diabetes! Nesses casos é muito importante que mantenha uma dieta equilibrada passada por um nutricionista ou médico.
Sei que é difícil resistir à tentação, principalmente quando falamos num alimento que consumimos a vida inteira, tem dias que todos nós precisamos de um chocolatinho, mas saiba que hoje em dia existe os 70% ou mais cacau, que são muito saborosos e fazem bem a saúde, faça a troca sempre que possível, se seu paladar ainda não estiver acostumado com sabor, coma o chocolate, mas coma menos!
Por fim, gostaria de propor um desafio a vocês leitores! Já tentaram comer um bolo adoçado apenas com frutas? Vou dar uma receita aqui e quero que experimentem e me contem. Esse bolo não vai açúcar, nem farinha branca e fica incrível. Se quiserem mais receitas, sempre estou fazendo testes e postando em minha página facebook.com/borboletaradiante. Vamos para a receita?
Você vai precisar de 4 bananas bem maduras, ½ xícara de uvas passas, 3 ovos inteiros, ½ xícara de óleo de coco (ou soja se preferir), 2 xícaras de aveia ou farinha de aveia e uma colher de fermento.
Bata no liquidificador o óleo, as bananas, as uvas passas até que forme um creme, depois misture numa outra vasilha a aveia e o fermento. Lembre-se que quanto mais madura a banana, mais doce será seu bolo.
Coloque em forma untada e enfarinhada e deixe no forno pré-aquecido por pelo menos 30 minutos ou faça o teste do palito.
Você pode também colocar uva passa na massa sem triturar ou por cima do bolo, fica perfeito!
Espero que façam e gostem da receita, fazendo pequenas trocas, logo você vai viver bem sem açúcar.

*Elaine Cristina Navarro é estudante de pedagogia e tem uma página de motivação ao emagrecimento saudável

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