Fisio&Saúde: As Paralimpíadas estão aí…

Caroline Zacariotto Silva*

Aproveitando o clima de união nacional na torcida pelos nossos atletas durante os Jogos Olímpicos, vamos sair um pouco dos temas usuais e falar um pouquinho dos Jogos Paralímpicos, que são um motivo de orgulho para população brasileira e estão prestes a começar.

Essa competição inclui atletas com deficiências físicas, mentais e visuais, ocorrendo a cada quatro anos, normalmente no mesmo ano e logo após a realização dos Jogos Olímpicos. Esse é o maior evento mundial esportivo envolvendo pessoas com deficiência, sendo que o Brasil é um dos países que vem apresentando uma grande evolução nesses Jogos.

Devemos lembrar que o esporte adaptado surgiu como uma forma de atender as necessidades de pessoas com deficiência, feridas na Segunda Guerra Mundial, durante o processo de reabilitação, favorecendo a inclusão social e contribuindo para inserção dessas pessoas no mundo esportivo.

Como em qualquer outro tipo de esporte, os praticantes estão sujeitos a lesões musculoesqueléticas devido aos treinos intensos, com o objetivo de melhorar o desempenho durante as competições. Quando essas lesões não são diagnosticadas corretamente e tratadas de forma adequada, podem evoluir para patologias crônicas e impossibilitar o atleta a progredir no esporte.

Mesmo com a popularização dos esportes adaptados, ainda existe pouca informação a respeito do mecanismo de lesão e os fatores de risco aos quais os atletas estão sujeitos. As lesões não possuem origem simplesmente na prática do esporte, mas também, são potencializadas e agravadas devido ao tipo de deficiência associado a modalidade esportiva praticada e ao nível de aptidão física e de capacidade técnica para realização do gesto esportivo. Dessa forma, é essencial conseguir as informações adequadas para assegurar um atendimento adequado e dar base para a realização de um trabalho preventivo para reduzir a incidência de lesões esportivas nessa população.

Os atletas com deficiência podem estar mais suscetíveis a sofrer lesões esportivas quando consideramos os fatores particulares de cada um, por exemplo, força, equilíbrio, marcha, coordenação, sensibilidade, tônus muscular, flexibilidade e desalinhamento anatômico, muitas vezes levando à sobrecarga de segmentos não afetados funcionalmente pela deficiência.

Tendo em vista que, o Esporte Paralímpico abrange uma ampla variedade de exigências, cada modalidade esportiva apresenta características que impõe cargas sobre o sistema musculoesquelético. Essas condições propiciam o surgimento de lesões específicas a cada modalidade e também conforme as sequelas apresentadas pelo atleta, surgindo a partir disso a necessidade de monitoramento, diagnóstico precoce, reabilitação e prevenção. Com isso, e a necessidade do alto rendimento por parte dos atletas, a prevalência e incidência de lesões aumentou, comprometendo os treinos e a preparação para os Jogos, causando preocupações para atletas e comissão técnica em todas as esferas de rendimento. O fato de interromperem a evolução das adaptações causadas pelo treinamento e comprometer a participação e rendimento nas competições nos mostra a necessidade um tempo de retorno após lesão mais rápido e com segurança para o atleta, de forma que as conseqüências na desenvoltura do atleta sejam mínimas. Dessa forma, observamos a necessidade de uma equipe multidisciplinar prepara para suprir as necessidades de cada participante.

Lembrando que antes de qualquer competição o atleta deve passar, obrigatoriamente, pela banca de classificação funcional, onde juntamente com médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e educadores físicos realizam uma avaliação física e funcional detalhada para classificá-lo dentro das modalidades esportivas. Essa classificação promove o nivelamento entre os aspectos da capacidade física e competitiva de cada um, colocando as deficiências semelhantes em um grupo determinado. Isso permite igualar a competição entre indivíduos com várias sequelas de deficiência, pois o sistema de classificação eficiente é o pré-requisito para uma competição mais equiparada. A classificação esportiva de atletas com deficiência sustenta o princípio do jogo limpo, viabilizando a estrutura da competição. Podemos considerar que a classificação do Esporte Paralímpico é dividida em classificação médica (oftalmológica) para deficientes visuais, classificação funcional para os deficientes físicos e classificação intelectual para deficientes mentais.

Nesse sentido os números de classes de cada esporte são determinados de acordo com as habilidades funcionais em atletas com diferentes deficiências. Torna-se então essencial que um atleta que compete em dois ou mais esportes receba uma classificação diferenciada para cada um. A necessidade de troca de classe precisa ser continuamente revista com base nas diferenças funcionais e na performance de cada competidor.

Agora, sabendo de tudo isso, podemos entender melhor a dinâmica dos Jogos Paralímpicos, lembrando que junto com cada atleta tem uma equipe de grandes profissionais, preparados para suprir a necessidade de cada um, evidenciando a necessidade de profissionais qualificados quando pensamos em começar qualquer atividade que possa influenciar nossa saúde, bem-estar e qualidade de vida. Lembrando que o esporte pode ser usado para melhorar a condição psicológica das pessoas, além ser um elemento motivador de integração social entre os praticantes.

 

*Caroline Zacariotto Silva é formada em fi sioterapia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e possui cursos de pós-graduação lato senso e especialização na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

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