Esporte & Cultura: A guerra e a Paralímpiada

Francisco Sabadini*

Na próxima quarta-feira começarão os Jogos Paralímpicos 2016, disputados também no Rio de Janeiro. Os atletas já estão chegando na Vila Paralímpica e a programação cultural promete oferecer espetáculos e shows de qualidade para cariocas e turistas no Boulevard Olímpico do Porto Maravilha. Este ano atletas de mais de 170 países estão distribuídos em 23 modalidades diferentes. Entretanto, a grande notoriedade do evento é algo recente, pois somente nos Jogos de Sidney, no ano 2000, houve uma cobertura mais significativa da mídia.

Os Jogos Paralímpicos guardam uma história muito interessante, para compreendê-la é preciso retornar à Segunda Guerra Mundial. Em 6 anos de conflito, a guerra deixou um saldo de aproximadamente 50 milhões de mortos e um número incontável de feridos. Entre os feridos de guerra, muitos sofrem queimaduras graves, amputações, perda da visão, perda da audição e da movimentação dos membros.

Na década de 1940, o neurologista Ludwig Guttmann, organizou disputas esportivas para veteranos da Segunda Guerra com lesões na medula espinhal. As atividades esportivas faziam parte do tratamento oferecido por Guttmann que acreditava nos benefícios do esporte para a reabilitação física e restauração da autoconfiança de seus pacientes. As primeiras competições eram de polo e basquete em cadeira de rodas, no Stoke Mandeville Hospital, Inglaterra.

Em 1948, Guttmann lançou os primeiros Jogos de Stoke Mandeville. Embora houvesse poucos participantes e apenas uma modalidade, o evento ganhou ímpeto e em 1952 começou a incluir ex-soldados de outros países. Pelo registro fotográfico que há da edição do evento em 1955, onde se observa uma disputa de basquete em cadeira de rodas entre Estados Unidos e Holanda, é perceptível como as instalações e os equipamentos eram modestos: não há arquibancada e nem cobertura na quadra, os equipamentos e as identificações dos atletas não são padronizados.

Em 1960 a competição para feridos se tornou oficialmente os Jogos Paralímpicos, ganhando espaço no calendário junto com os Jogos Olímpicos de Roma. Mais de uma década e meia depois, o evento inaugurou sua versão de inverno. O Comitê Paralímpico Internacional só foi criado em 1989. Seu objetivo é dar condições para que os atletas paraolímpicos possam alcançar a excelência esportiva e inspirar o mundo.

E a história ainda não acabou. Um fato curioso e recente que está suscitando muito debate é o emprego da palavra Paralímpico, sugerida pelo Comitê Paralímpico Internacional, em detrimento de Paraolímpico. Controvérsias à parte, o termo “para” vem do grego παρά que significa, entre outras coisas, “ao lado de”. Portanto, em reconhecimento a sua contribuição ao movimento olímpico, o evento é caracterizado como uma competição que ocorre em paralelo aos Jogos Olímpicos, enfatizando como ambos existem em equidade.

 

*Francisco Sabadini é mestrando em Arqueologia pela Universidade de São Paulo

Contato: franciscosabadini@hotmail.com

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