Fisio&Saúde: Movimento é vida

Caroline Zacariotto Silva*

Qual a primeira impressão que se pode ter ao olhar um pequeno gatinho parado e enrolado? Está sem vida! Mas, a partir do momento que se constata que seu abdômen sobe e desce, conclui-se que ele apenas dorme tranquilamente. Movimento é vida. E não há como viver sem ele.

O movimento está presente em tudo no universo. Tudo que existe, desde o micro até o macro, necessita do movimento para se manter equilibrado. Assim também é o nosso corpo. Para manter nossa saúde em dia temos que considerar os fatores palpáveis para prevenir as doenças e melhorar os sistemas de defesa do nosso organismo. Esses mecanismos têm o objetivo de manter a homeostase (equilíbrio) do nosso corpo.

Quando nascemos estamos cheio de vida, de movimento e de flexibilidade, com o passar dos anos vamos perdendo essa flexibilidade e têm início os processos que quebram o equilíbrio corporal. Quando o movimento é impedido de acontecer por qualquer motivo no nosso corpo, aparecem as doenças. Pensando no micro, quando a insulina não consegue dar conta de carregar açúcar, surge à diabetes, quando as paredes das artérias estão rígidas, aumenta-se a pressão arterial; quando o intestino é ‘preguiçoso’ temos a constipação; quando as articulações não deslizam da maneira como devem por falta de movimento, surgem às artroses, tendinites, bursites; quando um músculo está encurtado surgem os desvios posturais. Pensando no macro também podemos observar como a falta de movimento pode representar a doença: em algumas delas, como sequelas de AVE (Acidente Vascular Encefálico), paraplegias e paralisias, por exemplo, a falta de movimento é algo em comum entre elas que nos chama a atenção.

Nossos movimentos são possíveis pela ação muscular. É por meio da contração dos músculos que o ser humano é capaz de realizar desde os movimentos mais banais do dia a dia até façanhas extraordinárias. Contudo, nosso corpo precisa ser usado com intensidade razoável para não “falir”.

Então, devido ao o extremo avanço tecnológico conseguido pelo Homem, nossas vidas tornaram-se muito mais confortáveis, porém essa tecnologia substituiu o duro trabalho dos nossos músculos. É muito melhor apertar um botão do que descer na chuva para abrir um portão. Quem trocaria sua TV de controle remoto por outra que obriga a pessoa sair de sua confortável poltrona toda vez que quiser trocar de canal? Só que a “lei do mínimo esforço” traz inúmeros problemas ao indivíduo.

Devido à insuficiente utilização diária do nosso corpo, podemos observá-lo atrofiando, ou seja, entrando em falência. Quando não são colocados para trabalhar durante muito tempo enfraquecem tanto, que tornam cansativas as atividades simples de nossas tarefas diárias. Ficar em pé, subir lances de escada, apoiar-se numa perna só durante o banho, ou trocar o gás de casa, tornam-se difíceis.

E para alcançar equilíbrio devemos seguir todas aquelas dicas de saúde que sempre ouvimos falar: praticar exercícios, ter boa alimentação, dormir bem, evitar preocupações e stress, entre outros. A própria palavra ‘equilíbrio’ já dá a deixa: o movimento é necessário, mas nem de menos e nem demais.

Mas, como tudo que fazemos em excesso também é prejudicial, movimentar-se demais também pode trazer malefícios. Um músculo que se alonga demais pode romper, o coração que bate muito rápido (taquicardia) pode estar desequilibrado, um disco intervertebral da coluna que se move muito tende a gerar uma hérnia de disco.

Um corpo que sofre com o desequilíbrio de movimento pode “sair da linha” e perder a homeostase. O ideal é cuidar da sua saúde, praticar atividades físicas regularmente, de forma e em quantidade adequada, com profissionais capacitados, em busca de uma qualidade de vida melhor. Afinal, o corpo é dependente do movimento a vida inteira.

 

 

*Caroline Zacariotto Silva é formada em fi sioterapia na Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) e possui cursos
de pós-graduação lato senso e especialização na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

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