Fisio & Saúde: Como está o desenvolvimento da sua criança?

Caroline Zacariotto Silva*

Já que nesta semana comemoramos o Dia das Crianças, nada mais justo do que dedicar um pouquinho de tempo para falar desses pequenos, que são responsáveis por muitas alegrias nas nossas vidas. Toda criança, brincando, desenvolve habilidades motoras, sensoriais, afetivas, cognitivas, sociais e culturais, que atendem ao progresso do desenvolvimento. A família tem a função de motivar e mediar essas atividades.

O nosso Sistema Nervoso Central (SNC) controla todas as funções no nosso organismo, sendo responsável também pelo desenvolvimento do indivíduo. Contudo, esse processo depende de maturação, ou seja, depende da capacidade que a pessoa tem de interagir e apropriar-se do seu meio, modificando o seu comportamento e dessa forma estabelecendo o processo de aprendizagem. O bebê, por exemplo, está constantemente recebendo e reagindo a estímulos que aumentam suas experiências e, sem dúvida, ele precisa de um ambiente favorável em que desenvolva as suas capacidades e garanta a realização das suas potencialidades de crescimento. O meio no qual está inserido favorece, influencia e modifica as progressões do desenvolvimento, mas não lhes dão origem. As sequências e as progressões vêm de dentro do organismo.

A carência de estimulação pode provocar uma redução no ritmo do desenvolvimento mental, mas, felizmente, as crianças assimilam informações com maior facilidade, tornando a prevenção de distúrbios mais eficiente. Portanto, devemos propiciar estímulos variados e reforçar as aquisições motoras dentro de um ambiente social e rico de atitude positiva, predominando um clima de segurança, afeto, alegria e liberdade. Através das atividades lúdicas, essas crianças vivenciam situações agradáveis e descobrem suas possibilidades de ação e interação, essas atividades são um recurso para o treino da funcionalidade e independência da criança. Ser funcional consiste em realizar atividades, mover-se, desta forma devemos usar o que é mais importante para criança, ou seja, brincar.

O brincar torna-se importante, pois é o início do processo de aprendizagem: a criança brinca naturalmente, é um processo inerente de seu organismo, com a mera finalidade de aprender a aprender. Pela brincadeira ela explora o seu corpo e o seu ambiente. Além disso, sua curiosidade é estimulada, ela aprende a agir, adquire iniciativa e autoconfiança, desenvolve a linguagem, o pensamento e a concentração, tendo uma função vital para o indivíduo principalmente como forma de assimilação da realidade.

Quando a criança está brincando, não tem medo de falhar, não encara os enganos cometidos como erros, mas sim como tentativas de acerto. Desta forma ela arrisca mais, mantendo o clima de alegria e descontração, preservando o prazer de desenvolver aquela atividade, cultivando o hábito de estar ocupada, não por obrigação, e sim para realizar uma atividade agradável por meio da qual ela adquire conhecimentos.

E como elemento fundamental nessa integração da criança com o ambiente, nós temos a família, visando uma estimulação de forma não mecânica. Na rotina diária existem muitas oportunidades de estimular o aprendizado e tornar as crianças mais confiantes. Sendo que um adulto disposto a partilhar experiências com as crianças, desde que seja de maneira amiga e natural, é a melhor fonte de aprendizagem. Dar atenção e demonstrar interesse significa que estamos valorizando-os como pessoas, e por esta razão ajudando-a a elevar seu autoconceito.

É claro que o desenvolvimento emocional da criança pode ser prejudicado pela falta de carinho e afeto, contudo, o desenvolvimento físico pode sofrer atrasos ou deformações em decorrência de um ambiente inadequado, assim como o desenvolvimento cognitivo, o psíquico e o social podem ter danos oriundos de uma estimulação motora pobre.

Desse modo, depois de tudo que já foi discutido, devemos considerar que a relação família-criança-brincadeira tem uma função essencial: consolidar os esquemas (aprendizado) já formados e dar prazer e equilíbrio emocional à criança, proporcionando uma estimulação mais livre e menos traumática, fazendo com que ela aprenda sem perceber.

 

  • Caroline Zacariotto Silva é formada em fi sioterapia na Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) e possui cursos
    de pós-graduação lato senso e especialização na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

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