Para encher a cidade e a região de orgulho

Uma das missões que nós jornalistas temos como maior responsabilidade é a de relatar fatos. E, na maioria dos casos, a profissão nos pede que a história seja contada com certo distanciamento. Isso para que quem escreve não se deixe levar pela emoção e não coloque vínculos ou sentimentos pessoais a frente da informação.

Quando tratamos de esporte, em alguns casos, temos uma espécie de licença poética tácita. Eventualmente, nos é permitido deixar a emoção caminhar lado a lado com a razão, exatamente para tentar passar para quem está do outro lado, o sentimento da conquista e levar a ele um pouco dessa emoção.

E não tem como ser diferente quando vamos falar da equipe de Handebol Feminino Infantil do Clube Mogiano. Tive o prazer de estar no ginásio quando da realização da primeira partida final do Campeonato Paulista da categoria. Era um fim de tarde de terça-feira e, mesmo assim, a sensação que se tinha é que, para aquele bom número de pessoas presentes, era uma final de Copa do Mudo. Como se cada um fizesse um pouco parte daquela história que teria mais um grandioso capítulo a ser escrito.

E elas estavam certas. A página era especial mesmo. E, pelo menos naquele momento, todos estavam tentando dar sua parcela de contribuição. Não era apenas mais um campeonato. Mais uma final de torneio. Era a afirmação de um projeto que, para muitos, poderia lá no seu início ser considerado um sonho impossível.
Em um país sem cultura esportiva como o nosso, o mais simples é taxar de maluco quem leva uma ideia como essa a frente. Era uma final de campeonato estadual. Se levarmos em conta que a nata do handebol brasileiro está em São Paulo, podemos até considerar uma final nacional.

Uma decisão com o mérito de mogimirianos. Feita por mogimirianos para mogimirianos. Pelas mãos do coach Bruno Camargo, meninas estão tendo a oportunidade de jogar competições do mais alto nível. Foi tudo feito passo a passo, sem que a disputa por taças fosse o foco principal. O que se queria desde o começo, era dar a oportunidade de contato e prática de um esporte talvez não tão popular, para meninos e meninas.

Mas, a busca pelo crescimento é parte de todo bom projeto. E aí não resta dúvida que a competição da maior visibilidade e é uma maneira de mesurar a qualidade do que está sedo feito. Degrau por degrau elas foram subindo. Primeiro, a Liga Estadual de São Paulo. Depois, o Campeonato Paulista, onde estão, sem exceção, representadas as equipes de maior destaque também a categoria adulto. E esse caminho, vieram chances para algumas atletas em times da capital, como Pinheiros e Corinthians.

Apareceu também a chance de disputar o Campeonato Brasileiro de Beach Hand (Hadebol de Praia) infantil representando São Paulo. E a convocação de quatro meninas para a seletiva da seleção sub 17. Detalhe: as meninas têm apenas 14 anos e já estão se destacado entre as mais velhas. Isso não pode passar despercebido. Precisa servir de combustível para que a cidade não permita que as atividades se encerrem por falta de verba. Não é esse o destino que o trabalho merece. Parabéns meninas.

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