Contratações que escancaram uma obsessão: o Mundial

O Palmeiras não tem Mundial. Os memes que inundam as redes sociais são um deleite para o corintiano, que em uma era menos invasiva da internet, sofria com a zoeira rival sobre a falta de uma Libertadores. Há palmeirenses que brigam pelo reconhecimento da Copa Rio de 1951 (que eu defino como competição de caráter mundial), mas é claro que, para zerar a zoeira, é preciso atravessar a fronteira e levantar a taça no Mundial de Clubes.

Neste caminho, que pode ser obsessão de Paulo Nobre ou de toda coletividade palestrina, o Palmeiras parece estar dando os passos corretos. Passou por uma varredura entre 2012 e 2014. Caiu uma vez para a Série B e ficou muito perto de outra queda. Quando as coisas se acertaram, o elenco foi encorpado e com uma mescla de bom trabalho e competência, vieram os títulos. A Copa do Brasil de 2015 teve ainda uma pitada de sorte (como qualquer campeonato eliminatório) e serviu para tornar mais forte a carcaça de um elenco que não estava completamente preparado para ser campeão.

O processo ajudou a tornar 2016 o ano da redenção, com o título do Brasileirão. O Palmeiras contou com um elenco nada espetacular perto de outros tempos, como na ‘Era Parmalat’, mas a administração faz tudo caminhar bem. A Allianz Parque gera receita, os patrocinadores estão dispostos de ajudar e a investir em uma marca com exposição positiva e os bons jogadores, acompanhando o bom momento, brigam nos bastidores para desembarcar no Palestra Itália.

Na montagem do elenco para um ano cheio de desafios, o Palmeiras perdeu Gabriel Jesus, sua principal estrela. Na vaga do menino ainda há indefinições, mas os sonhos por Lucas Pratto (Atlético-MG) e Miguel Borja (Atlético Nacional) mostram quais são as pretensões da diretoria. A chegada de Guerra, eleito o melhor jogador da última Libertadores, é o exemplo do quanto a competição é desejada. Não é só a questão de contratar um conhecedor da trilha, mas de enfraquecer um concorrente. Felipe Mello, nome em vias de ser confirmado, tem o perfil cascudo que a Libertadores exige. Tem seus momentos de desequilíbrio, mas é um volante de muita qualidade, bom de desarme e que sabe jogar com a bola.

Como boa parte do elenco deve ser mantido, a chegada de garotos como Hyoran e Raphael Veiga, além de Keno (ex-Santa Cruz), torna o grupo suficiente para encarar uma temporada longa. O que pode pesar contra é a mudança de técnico. Não que Eduardo Baptista não seja um bom nome, pelo contrário, mas, com Cuca, tudo já estava formatado. Eduardo terá que implantar seu estilo, que eu admiro e encarar o desafio de treinar o Palmeiras como um divisor de águas na carreira. Para o bem ou para o mal. Pelo que a diretoria tem exalado, Eduardo tem nas mãos a chance de ultrapassar Scolari, dar ao Verdão uma Libertadores e um Mundial e eliminar um dos memes mais insistentes da internet brasileira.

 

 

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