Depois não adianta culpar a Federação ou os Bombeiros

Gestores que colecionam resultados ruins costumam terceirizar a culpa pelos erros que, em sua maioria, são apenas de si mesmo. Na reta final de sua administração, Rivaldo passou a acusar a cidade de não dar o devido apoio ao Mogi Mirim. O ex-presidente não estava totalmente errado, mas, foram suas escolhas e de seus colegas que causaram, inclusive, uma condição insustentável de continuidade. Clube, cidade e Rivaldo perderam, sofreram desgaste e o Mogi desceu de patamar.

Na mão de Luiz Henrique de Oliveira, o sucessor, o caos ficou ainda maior. Porém, não é incomum observar, por exemplo, a transferência de culpa por resultados ruins no gramado para árbitros. Membros da diretoria chegaram ao ponto de bater na porta do vestiário da arbitragem, em noite em que o Mogi levou um vareio de 3 a 0 do Novorizontino. Uma derrota consequente das brigas políticas e da demora na montagem do elenco e do início da pré-temporada. Erros que levaram o Mogi ao rebaixamento para a Série A2. Apenas o terceiro em 30 anos.

Neste ano, o drama é ainda maior. O Sapo nem havia estreado no estadual e já carregava a pecha de favorito à queda. O elenco demorou a ser montado (errar uma vez é humano, duas vezes…), Marcelo Veiga (uma boa escolha) chegou a 20 dias da estreia e não é um milagreiro. Veiga é um treinador, sem super-poderes para condicionar fisicamente e entrosar jogadores que em 2016 nem imaginavam que estariam em 2017 no Sapão.

Não é de se duvidar que, lá pelo meio do campeonato, o técnico seja demitido por maus resultados. Porém, pela relação com a Magnum, parceira oculta do Mogi Mirim, a tendência é de que Veja, tal qual Sérgio Guedes, Toninho Cecílio, Flávio Araújo e Leston Júnior sofra pelos erros que vem de cima. Um dos mais inaceitáveis é perda do mando de campo. Uma punição que não foi imposta pelo TJD e sim pela própria diretoria, que não conseguiu cumprir os prazos para liberação do estádio e agora o Sapo se tornou um cigano.

Interditado, o Vail Chaves pode (pode!!!) ser liberado para a quinta rodada, contra o Juventus. Atuar longe de casa não é garantia de derrota, assim como jogar no Vail não é certeza de vitória. Na ‘Era Oliveira’, inclusive, foram raros os triunfos como mandante (leia mais abaixo). Porém, um clube não pode se dar o luxo de não receber seus jogos em casa. As idas e Limeira e São Paulo obrigam o Mogi a gastar com transporte e até com hospedagem. São danos irreversíveis, que podem ser maximizados com a falta de pontos na tabela.

Em 2014, o Atlético Guaçuano se tornou prova viva. Atuou toda a Série A3 longe do Camacho e mesmo com o mando em Itapira, algo que levou alguns abnegados a pegar a estrada pro amor ao Mandi, o clube foi rebaixado com várias rodadas de antecedência. Uma queda que está atrelada ao campo, claro, mas que, obviamente, passou pela incompetência da diretoria e má vontade da Prefeitura em colocar o Camacho em condições.

No caso do Mogi, o Vail Chaves é responsabilidade total da gestão Oliveira. A interdição não é culpa da FPF que interditou o estádio e nem das autoridades, que ainda não concederam os laudos necessários. Se, lá na frente, estes preciosos pontos fizerem falta, o mínimo que se espera é a dignidade de tornar pública a incompetência para administrar um clube do tamanho do Mogi Mirim Esporte Clube.

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