O exercício físico e a doença de Alzheimer

Caroline Zacariotto Silva*

Associado ao aumento do número de idosos no mundo, observamos também o aumento das doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer. Considerada o principal tipo de demência, apresenta relação direta com a idade, podendo ocorrer em 5% dos idosos acima dos 65 anos e em até 40 a 50% após os 85 anos e ainda essa estimativa duplicará a cada 20 anos segundos informações do American Internacional Disease (2009).

Sendo uma doença progressiva que atinge o sistema nervoso central, a doença de Alzheimer apresenta vários fatores que podem contribuir para seu aparecimento, tais como fatores ambientais, psíquicos, genéticos, estilo de vida, comorbidades associadas, dentre outros.

Ela pode ser classificada em três níveis: leve, moderada e acentuada. De acordo com a evolução da doença, o quadro clínico do paciente pode agravar-se, aumentando o comprometimento cognitivo, funcional, social e psíquico.

Com o agravamento do quadro podemos observar um aumento no déficit cognitivo, que pode ser observado nos distúrbios de memória, desorientação temporal, déficit de atenção, prejuízo nas habilidades visuo-espaciais, dificuldades na linguagem, na execução de atividades e podem aparecer também distúrbios de comportamento, como: delírios, agitação, euforia, apatia, alterações de apetite, irritabilidade, depressão e desinibição.

Com todas essas mudanças cognitivas, sociais, funcionais e comportamentais ocorre a redução da independência do portador da doença, tornando indispensável a presença de um cuidador, seja ele familiar ou formal.

É importante ressaltar que o tratamento desta deve atingir todos os aspectos mencionados anteriormente, além das estratégias farmacológicas podemos usar o exercício físico para promover uma melhor qualidade de vida para os idosos, familiares e cuidadores, tornando essa intervenção cada vez mais essencial.

Ainda que não haja um consenso sobre o melhor tipo de exercício físico para portadores de doença de Alzheimer, alguns estudos apontam que uma atividade regular pode trazer benefícios para as funções cognitivas, nos distúrbios neuropsiquiátricos e na funcionalidade destes pacientes, tais como a atenuação do declínio cognitivo, redução dos sintomas depressivos, atenuação das alterações comportamentais e melhora nos componentes da capacidade funcional. De forma geral, a atividade física é uma grande aliada ao tratamento não farmacológico desta doença.

A literatura tem demonstrado que o exercício físico produz um impacto favorável na proteção contra a demência, neste contexto, a atividade física regular e sistematizada vem se mostrando uma alternativa eficaz tanto como fator preventivo quanto atenuante dos processos fisiopatológicos induzidos pela degeneração neural.

Os mecanismos mediadores deste efeito protetor que o exercício promove ainda não são totalmente conhecidos, contudo, sabe-se que ele proporciona um aumento no fluxo de sangue e de substratos energéticos, estimulando a produção de novos vasos sanguíneos, a neurogênese e a produção de novas sinapses no cérebro. Para que ocorram respostas positivas, deve-se assegurar uma prescrição individualizada e estruturada da prática de exercícios.

Devemos lembrar também (como já discutidos em outras matérias) que uma atividade física regular é capaz de mediar à saúde cardiovascular, o balanço lipídico, o aumento do metabolismo, a utilização de glicose e a sensibilidade à insulina de seus praticantes, isso não é diferente para portadores da doença de Alzheimer.

De maneira geral, o exercício físico vem se consolidando como uma alternativa não farmacológica capaz de induzir mudanças em diversas esferas do corpo humano. Como vimos, diversas pesquisas demonstram que esta é uma alternativa capaz de prevenir enfermidades neurodegenerativas e como nosso cérebro é capaz de se beneficiar diretamente desta prática.

*Caroline Zacariotto Silva é formada em fisioterapia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e possui cursos de pós-graduação lato senso e especialização na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

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