O futebol profissional agoniza na Baixa Mogiana

O futebol na Baixa Mogiana sempre foi glorioso. Nomes de peso, como o capitão Bellini, nasceram aqui para conquistar o mundo. O Mundo da Bola. Grêmio e Atlético Guaçuano. Esportiva Itapirense e Itapira AC. Mogi Mirim Esporte Clube. As fases gloriosas destas agremiações encheram estádios e nos encheram de orgulho.

Um orgulho hoje ferido por sucessivas más gestões. Nosso amado futebol regional foi arrombado sem dó e piedade. Não bastasse as mudanças nocivas aos clubes pequenos consequentes do fim da ‘Lei do Passe’, nossas simpáticas agremiações se tornaram vítimas de maus gestores (para não ir além nos adjetivos).

Em quatro anos, passamos de ‘Região da bola’ para um cemitério de escudos tradicionais. Em 2013, o Atlético Guaçuano fez campanha irregular na Série A3, mas escapou do rebaixamento com dignidade e vivia a expectativa de repetir 2012 e lutar pelo acesso à Série A2. Um acesso conquistado, naquele já saudoso ano de 2013, pela Esportiva Itapirense.

A Vermelhinha registrou um feito inédito ao subir para o último estágio antes da elite e os itapirenses sonhavam em ver Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo jogando no Chico Vieira. Até porque, por anos, a única chance de ver estes times aqui na região foi no Vail Chaves. O ‘estádio que mais mudou de nome no país’ passou 30 anos entre os grandes palcos paulistas. Entre 1986 e 2016, o Sapo jogou a A2 apenas três vezes. Uma marca que nem os fortes Guarani e Ponte Preta registraram no período.

O Sapo é gigante, meus amigos. O futebol na Baixa Mogiana é gigante. Na mesma proporção que os dirigentes são pequenos. Minúsculos. Não sabem a responsabilidade que têm nas mãos e, se sabem, agem com um ‘umbiguismo’ de fazer inveja aos engravatados do Congresso e Palácio do Planalto. O Mogi Mirim foi o último a ser afundado na lama da bola. Rebaixado neste domingo para a Série A3, vive seu pior momento no futebol.

Algo que co-irmãos como Rio Branco de Americana e Internacional de Limeira se acostumaram tanto, que hoje, jogarem a A2, é lucro. Que triste lucro. Que triste momento. Que parece não ser tão triste para aqueles que vem aqui, assumem a gestão de nossos clubes e vão embora sem qualquer magoa no coração.

Apenas com a calculadora na mão, lamentando prejuízos e torcendo por dividendos. Precisamos dar um basta. Itapira, Mogi Mirim e Mogi Guaçu precisam assumir a responsabilidade por estas marcas. Itapirense, Mogi Mirim e Guaçuano precisam se tornar, de fato, patrimônios destas cidades. Não é uma questão de colocar no poder presidentes nascidos por aqui. Mas de mostrar par qual seja o dirigente, que as cicatrizes de uma má gestão será eterna também em quem comanda o clube. Um sentimento de amor e apego que precisa voltar a ser aprendido desde cedo. Nossas crianças precisam vestir estas camisas e aprender que elas pesam toneladas de história. E que não são objetos para que qualquer um chegue, rasgue e as transformem em farrapo.