Entrevista com Amaral: De volta à terra natal

O Jornal Grande Jogada trouxe na edição desta sexta-feira (28), uma entrevista especial com o jogador Amaral. Ex-profissional, com passagens por clubes como Paulista-SP, Vasco da Gama, Cruzeiro, Botafogo-RJ e Grêmio, o mogimiriano está de volta à terra natal. Em 2017, o ex-volante, que agora atua como meia armador, estreou no futebol amador de Mogi Mirim. Ele é titular do Pombal, um dos finalistas da Copa Rural. Ao GRANDE JOGADA, Amaral falou sobre o torneio, o motivo que o fez parar de atuar profissionalmente, sobre a Tucurense e muito mais. Confira a íntegra da entrevista abaixo:

Como foi seu início na base? Atuou no Mogi ou por outra equipe antes de ir para o Paulista e subir para o profissional?

Eu cheguei a jogar uns dois Interbairros (campeonato organizado pelo antigo Deretur (Departamento de Esportes e Turismo de Mogi Mirim), na época do Aquarela Tintas e a gente foi. Só que eu era juniores no Paulista, não tinha perigo ou problema atuar. Atuei também no Ernani Calbucci, mas, eu era muito novo e tinha 11 anos de idade. E no Mogi, no time da cidade, eu apenas passei para treinar. O Mogi, infelizmente, não dá muita oportunidade para quem é da cidade. Contamos com muitos jogadores de qualidade, mas o Mogi, não sei o que acontece, se são as pessoas que estão lá dentro, que não deixam ninguém da cidade atuar e representar a nossa cidade. Muitos jogadores da cidade gostariam muito de atuar pelo Mogi, mas, infelizmente, nunca deu certo e é vida que segue.

Como foi que aconteceu o seu acerto com o Pombal?

Aconteceu através do Rodolfo, o Corujinha, que atua no Pombal. Antes, alguns times me procuraram para assinar nos times do Rural, mas não deu certo porque tinha terminado a vaga e foi onde conheci o Galileu, do Pombal. Ele me fez o convite, passou quem iria atuar na equipe e eu achei interessante. Criei uma grande amizade e no Rural, com certeza vou estar sempre junto com o pessoal do Pombal.

Como você avalia a participação do Pombal e também o seu próprio desempenho no campeonato?

O desempenho da equipe é muito boa. São várias vitórias, uma goleada na semifinal. Quanto à minha atuação, eu tenho jogado um pouco mais à frente, como meia. Não estou mais na idade, como se fosse moleque, para correr muito para marcar. Mas, o desempenho tem sido bom, tenho cinco gols na competição, sou um dos artilheiros do time junto com o Vida Loka e o Piu. Acho muito divertida a competição, onde levo a família, levo os filhos. A beira do campo sempre cheia, pessoal gritando, torcendo. Estou muito feliz de disputar este Rural, que para mim tem muito valor.

Em relação à final, o que dá para falar do Aparecidinha?

No jogo contra o Aparecidinha, em que perdemos pelo grupo, eu não atuei, pois estava viajando. Mas, eu sei que eles tem bons jogadores lá. Eles fizeram uma semifinal muito boa. Eles têm o Digo, o zagueiro Artur, um elenco bom que atua no sítio lá. Vai ser uma boa final. São dois jogos, a gente tem o primeiro jogo em casa e o segundo fora. Pretendemos atuar bem dentro de casa, porque a vantagem dos dois empates é da Aparecidinha. Vamos se preparar durante a semana, porque domingo vai ser um jogo muito importante.

Não dá para falar com você sobre futebol sem falar sobre o profissional. O que te fez parar de atuar profissionalmente?

O que me fez parar foram algumas propostas de times que não valiam muito a pena. Onde você vai, joga, trabalha e não recebe. Meu propósito foi ficar em casa, com minha família, abrir minha escola de futebol e graças a Deus está dando muito certo. Nosso futebol, infelizmente, alguns clubes estão em decadência e isso vem acontecendo com muita frequência, tanto com times de fora, como o da nossa cidade, que é o Mogi Mirim e a gente fica muito triste de ver isso acontecer. Mas, o que me fez parar, foi a decadência dos clubes.

Já que você tocou neste ponto e passou por tantos clubes. Porque tantos times estão chegando neste ponto de decadência?

Creio que seja a má administração, pessoas que não entendem nada de futebol, que nunca entraram em um estádio de futebol e pessoas que só pensam em dinheiro, em tirar dinheiro de jogadores. Empresários mal intencionados também, que pagam para colocar seus jogadores em categorias de base e profissional. A má administração e a administração feita por pessoas que nunca chutaram uma bola e nem estraram em um estádio. Este é o motivo da decadência do futebol brasileiro.

Quais as diferenças e semelhanças que você enxerga, jogando no amador e no profissional?

A semelhança é que você vê um jogo bem pegado, com bastante guerra. Como tem em clássicos no profissional. Eu particularmente gostei muito de jogar o Rural, onde encontro muitos amigos, fiz muitas amizades. Você vê a beira do campo, em que não tem alambrado, não tem proteção, o pessoal tudo em volta e se você corre demais e passa da linha lateral, acaba atropelando as pessoas. Então, a essência do Rural, pra mim, que não tinha visto nenhum jogo, é muito boa. É muito divertido. Você vê as pessoas que saem das casas, dos sítios, para ver o futebol de domingo à tarde e é muito bacana. O mais legal é você sair da cidade, ir para o sítio, pegar uma estrada de terra e ir para o campo. Eu estou gostando muito de jogar.

Você percebe que o pessoal que joga com você ou contra você, eles te respeitam por conta da sua passagem pelo futebol profissional?

Sim, lógico, a gente percebe. Eles veem que a gente vem de uma equipe profissional, a gente tem uma qualidade um pouco acima, sabe se posicionar, sabe jogar também. Sou uma pessoa que treina a semana inteira, estou sempre preparado. Mas, eu percebo mais o respeito que eles têm pela minha pessoa, pela amizade que fiz com todos, amizades que tenho em Mogi Mirim. Percebo e gosto muito do respeito que eles têm por mim, por ter representado sempre a cidade de Mogi Mirim, o meu bairro. O respeito que eles têm por mim é o que mais gosto, nem tanto pela parte do futebol, mas sim pela pessoa, que sou e sempre fui aqui na cidade.

Você falou sobre posicionamento. Quanto você economiza dentro do jogo por conhecer os atalhos? Você orienta o pessoal no aspecto tático?

Particularmente, a gente tenta acertar um detalhe ou outro. Pela experiência que a gente tem, pelo lado profissional, o amador não é muito diferente. São 11 dentro de campo e o posicionamento tem que ser o mesmo. Mas, a equipe do Pombal é bem experiente. Com Luciano Bridi, Maurício no gol, o Paulinho na zaga, o Léo Cruz que é novo, mas já jogou, o Vida Loka, os Piuzinho. O Pombal é experiente e não se torna difícil posicionar taticamente. Mas, agente tenta falar umas coisinhas a mais, posicionar, por a bola no chão, tocar sem medo de errar e tem dado certo, junto com o Bridi, o pessoal no meio-campo. Todo mundo quer vencer o jogo, sair do campo, tomar aquela cerveja, bater um papo e se divertir.

Você acredita que fez muito bem para você esta decisão de logo depois de encerrar a carreira profissional já jogar o amador?

Para mim está sendo excelente. São finais de semana em que eu não fico dentro de casa, saio para jogar um futebol divertido, futebol alegre. Depois do jogo você tem churrasco, cerveja, bate-papo, risada. Conhece crianças, senhores de idade que moram no sítio. É uma região que nunca frequentei e nunca imaginava que tinha campo. Então, você sair de casa, num domingo, pegar o carro com sua esposa, seus filhos e jogar futebol, um futebol divertido, tem sido muito bom. Ainda mais depois que eu parei. Muitos jogadores quando param, demoram para fazer alguma coisa, tem alguns problemas e eu fui atrás de encerrar a carreira e começar no amador e para mim tem sido muito importante e divertido isso.

E sobre a Primeira Divisão do Amador. Vai jogar pela Tucurense mesmo?

Isso, na Primeira Divisão, eu sou Tucurense. Até porque eu sou do bairro, sou amigo do pessoal do Tucura, sou amigo do Bombarda. Eu havia prometido que quando encerrasse a carreira eu atuaria pelo Tucura e vou cumprir minha palavra. Na Primeira Divisão, estou fechado com a Tucurense.

 

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