Quem é a Doula?

Caroline Zacariotto Silva*

Já que nesta semana comemoramos o Dia das Mães, vamos conversar um pouco a respeito da assistência nesta etapa que é um marco na vida de qualquer mulher. Antigamente, o nascimento humano era cercado pela presença de mulheres experientes da família (irmãs, tias, mães, avós), que acompanhavam, instruíam e apoiavam a parturiente durante todo o trabalho de parto, o próprio parto e os cuidados com o recém-nascido.

Atualmente os partos são feitos, em sua maioria, em ambiente hospitalar e rodeado de especialistas (médico obstetra, a enfermeira, o pediatra, entre outros), cada um com sua especialidade e preocupação técnica pertinente. O cuidado com o bem estar emocional da mulher acabou perdendo-se neste ambiente impessoal, tendendo a aumentar o medo, a dor e a ansiedade daquela que está dando a luz, o que contribui para o aumento das complicações obstétricas e necessidades de maiores intervenções.

No meio deste cenário um tanto hostil, a Doula veio justamente suprir as necessidades emocionais e afetivas, neste momento de importância e vulnerabilidade extremas. É o resgate de uma prática que existia antes da institucionalização e medicalização da assistência ao parto, e que atualmente é incentivada com respaldo cientifico.

A palavra Doula vem do grego e significa “mulher que serve”, sendo usada para referir-se a pessoa que assiste a mãe no parto e nos cuidados com seu bebê, seu papel é oferecer conforto, encorajamento, tranquilidade, suporte emocional, físico e informativo à mulher. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) “o apoio físico e empático contínuo oferecido por uma única pessoa durante o trabalho de parto traz muitos benefícios, incluindo um trabalho de parto mais curto, um volume significativamente menor de medicações e analgesia epidural. Menos escores de Apgar abaixo de 7 e menos partos operatórios”.

O serviço desta assessora começa antes do dia do parto, com encontros para conhecer a gestante e informá-la sobre as etapas do trabalho de parto, preparação do períneo e elaboração do plano de parto. E também continua após a chegada do novo membro da família, tirando duvidas sobre o inicio da amamentação e conversando sobre a experiência do parto.

Está profissional oferece medidas de conforto físico – por meio de massagens, relaxamento, técnicas de respiração, banhos e sugestão de posições e movimentação que auxiliam no progresso do trabalho de parto e diminuem a dor e o desconforto da mulher – e também suporte informativo, explicando termos médicos e os procedimentos hospitalares. Antes do parto orienta o casal sobre o que esperar deste momento e do pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a preparar-se física e emocionalmente, das mais variadas formas. Também pode atuar como ponte de comunicação entre a mulher, sua família e a equipe de atendimento, se a parturiente assim desejar. Ela faz-se importante até mesmo num parto cesárea, para continuar dando apoio, conforto, tranqüilidade e ajudar a mulher a relaxar durante a cirurgia.

O Ministério da Saúde recomenda o suporte da Doula, que além de melhorar a vivência experimentada pelas mulheres, parece influenciar diretamente, de forma positiva, a saúde das mães e dos recém-nascidos. Também pode ser observado que parturientes que recebem essa assessoria apresentam menor índice de depressão pós-parto e amamentam seus filhos nas primeiras seis semanas de vida em maior proporção. Os resultados deste apoio vêm trazendo revelações surpreendentes na redução das intervenções e complicações obstétricas, bem como facilitando o vinculo entre mãe e bebê no pós-parto.

A escolha da profissional é fundamental, pois é preciso haver empatia entre a gestante e a profissional para que exista confiança e cumplicidade no momento do parto, cada uma tem seu jeito de trabalhar e você deve escolher a que melhor se encaixa as suas necessidades. Você consegue encontrar uma Doula no site ‘Doulas do Brasil’ (www.doulas.com.br), pesquisando em listas de discussão de gestantes na internet e blogs que algumas profissionais mantêm. Ela pode ser contratada em qualquer período da gestação. Para tornar-se uma Doula é necessário realizar um curso que ensina desde a teoria sobre o parto e as práticas para a profissão até todos os cuidados a respeito da proteção individual e das gestantes em um ambiente hospitalar. Para fazer o curso não é necessário ter formação na área da saúde.

Contudo é importante ressaltar que a Doula não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto e também não substitui o acompanhante escolhido pela parturiente, neste caso ela orienta o acompanhante a ter uma participação mais ativa no processo, sugerindo formas de prestar apoio e dar conforto à mulher.

*Caroline Zacariotto Silva é formada em fisioterapia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e possui cursos de pós-graduação lato senso e especialização na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

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