UM XERIFÃO À ITALIANA

A passagem pelo Mogi Mirim foi curta, mas marcante. Para ele e para o torcedor. Gladstone Pereira Della Valentina tem 32 anos e um currículo recheado. No Sapão, seu 14º clube na carreira, o defensor atuou entre maio e setembro de 2016. Neste período caiu nas graças da torcida pela atuação séria à frente da área.

Apelidado de ‘Xerifão’, o defensor foi um dos líderes de um grupo que batalhou 18 rodadas para evitar o rebaixamento do Mogi Mirim para a Série D do Campeonato Brasileiro. A missão dada foi cumprida, apesar dos problemas. Gladstone integrou um elenco que sofreu para receber salários. Em meio à crise financeira e administrava, o Sapo deixou de honrar seus compromissos e recentemente perdeu uma série de ações na Justiça do Trabalho.

O mais incrível é que os jogadores ficaram sem receber qualquer direito trabalhista entre maio e setembro, justamente o período em que vestiram a hoje surrada camisa vermelha do Mogi. Apesar da situação incômoda fora de campo, Gladstone se tornou um adepto do Sapo e acompanha de longe, mas com carinho, o momento vivido pelo clube.

O zagueiro atuou pelo Villa Nova-MG no primeiro semestre e agora é titular do Botafogo-SP. No clube ribeirão-pretano ele tem a chance de buscar o acesso à Série B. Para isso o zagueiro aposta em sua experiência. Revelado pelo Cruzeiro entre 2001 e 2002, foi alçado ao time profissional da Raposa em 2003, por Vanderlei Luxemburgo.

No clube mineiro viveu seu grande momento no futebol, brigando pela posição de titular com Cris (ex-Lyon) e Luisão (atualmente no Benfica). O encantado Cruzeiro de 2003 fez história, e se tornou o único time a conquistar o estadual (Mineiro), a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro no mesmo ano. O grande jogo da temporada foi a final da Copa do Brasil, contra o Flamengo, em um Maracanã lotado.

Aos 18 anos, Gladstone estava nervoso. Foi aí que Luxemburgo resolveu mexer com seu psicológico e o desafiou. Ofereceu ao então garoto uma escolha: uma faixa de campeão ou uma fralda. O gelo foi quebrado e o zagueiro teve uma atuação segura na vitória de 3 a 1 da Raposa sobre o Mengão.

 

NA ITÁLIA

Atuar em um elenco estrelado se manteve como rotina nos anos seguintes, quando defendeu as seleções brasileiras sub20 e principal e também teve uma passagem pela Juventus. Em Turim, não teve muitas oportunidades. Porém, desenvolveu seu futebol ao trabalhar ao lado de figuras como o técnico Fábio Capello, o croata Robert Kovac, os franceses Lilian Thuram, Patrick Vieira e David Trezeguet, os italianos Gianluigi Buffon e Alessandro del Piero e o sueco Zlatan Ibrahimovic.

Pela posição, quem mais chamou a atenção foi Fábio Cannavaro. Eleito o melhor jogador do mundo em 2006, o agora técnico de futebol sempre chamava o brasileiro para dar dicas, sobretudo, para que o zagueiro desenvolvesse seu lado comunicativo.

A passagem pela Juve o transformou em um bianconero. Neste sábado (3), na final da Liga dos Campeões da Europa, o jogador do Botafogo será mais um torcedor da Vecchia Signora. Após passar pela Juve, Gladstone passou por clubes como o Sporting Lisboa, onde jogou a Liga dos Campeões. Na volta ao Brasil, seguiu as orientações de Cannavaro. Se tornou líder em clubes como Guarani, Portuguesa e Mogi Mirim. Um xerifão à moda antiga, mas que ainda tem muita lenha para queimar.

Leia a entrevista completa na edição desta sexta-feira, 2, do GRANDE JOGADA.

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