Luiz Henrique completa dois anos à frente do Mogi Mirim

Neste sábado, dia 15 julho, o presidente Luiz Henrique de Oliveira completa dois anos no cargo máximo da diretoria executiva do Mogi Mirim Esporte Clube. O dirigente que herdou o clube na Série A1 do Paulista e na Série B do Campeonato Brasileiro, inicia um novo ciclo com o clube em um estágio totalmente diferente. Além disso, o clube sofre com dívidas com fornecedores, uma pilha de processos trabalhistas e com ações na Justiça que tornam o futuro cada vez mais incerto.

Para retratar estes dois anos de ‘Era Luiz Henrique’, é preciso dividir a análise em duas esferas: campo e extra-campo. Não que uma esteja em situação melhor que a outra. O Sapo foi rebaixado três vezes em quatro campeonatos disputados. Nas mãos de Luiz Henrique, a equipe despencou. Está na Série C, competição em que, no ano passado, brigou para não cair e, neste ano, ocupa a lanterna após um turno completo de jogos.

Em 86 partidas, o Mogi de Luiz Henrique venceu 18 vezes, empatou 21 jogos e saiu derrotado em 47. O aproveitamento de 29,06% dos pontos indicaria o rebaixamento em qualquer competição que disputasse. E olha que o início foi otimista. O dirigente assumiu a função no dia 15 de julho de 2015, em cerimônia restrita promovida no estádio Vail Chaves. O bastão foi passado pelo ex-presidente Rivaldo Ferreira, que, na noite anterior, havia protagonizado, ao lado do filho, uma noite especial. Ele e Rivaldinho marcaram os gols na vitória por 3 a 1 sobre o Macaé, a última antes da gestão de Oliveira.

OS 86 JOGOS DO MOGI MIRIM NA ‘ERA LUIZ HENRIQUE’

A primeira partida sob o novo comando mostrava um futuro promissor e o Sapo venceu o Ceará, fora de casa, por 3 a 2. Mas, foi a sequência que apresentou a faceta desoladora. Após nove jogos sem vencer, o Sapo ficou cravado na zona de rebaixamento e não saiu mais. Na Série A2 do ano seguinte, falhas no planejamento, contratações às pressas e em seu primeiro torneio inteiro, viu o Sapo ser rebaixado para a Série A2 com 33,33% de aproveitamento.

Na Série C, as campanhas pífias de Portuguesa e Guaratinguetá ajudaram e o Sapo, mesmo com apenas 5 vitórias em 18 partidas escapou do descenso. O que não foi evitado na Série A2 deste ano. No maior vexame de sua história, o Sapo foi rebaixado pela primeira vez para a Série A3. Após 37 anos, voltará a disputar o terceiro escalão do futebol paulista. Na análise fria dos números, parece impossível negar que a gestão de Luiz Henrique é, no mínimo, fraca.

Presidente do Mogi é afastado, mas segue no cargo

 

EXTRA-CAMPO

Mas, ainda há o histórico extra-campo. Oliveira assumiu o Mogi Mirim com Victor Manuel Simões como seu vice-presidente. O português era o ‘homem do dinheiro’, investidor que garantiria um desafogo caso as coisas não andassem. Novos nomes foram acrescidos à diretoria, como o assessor da presidência, Cristiano Rocha e o diretor de marketing, Paulo Amorim. O discurso de atrair o torcedor de volta ao clube começou a ser colocado em prática com o Sócio-Torcedor, programa que naufragou em meio às brigas políticas.

Em novembro de 2015, quatro meses após o início da ‘Era Luiz Henrique’, aconteceu um dos raros rachas políticos da história quase centenária. Através do Conselho Deliberativo, Luiz Henrique foi afastado e Simões assumiu a presidência. O dirigente não acatou a decisão, tratou como golpe e, na Justiça, conseguiu permanecer no cargo. No final de novembro, ainda promoveu a eleição, conforme rezava o estatuto.

Com um pleito marcado por discussões entre os dois grupos, o impedimento da chapa de Simões e a presença de novos sócios oriundos de Guarulhos, cidade-mãe da Família Oliveira, o mandatário ganhou sobrevida. No mês seguinte, chegou a ser novamente afastado e o clube, por algum período, ficou sem presidente. A ‘Guerra de Liminares’ terminou com a vitória de Oliveira. E com a derrota do Mogi.

A instabilidade política foi determinante para o atraso no planejamento para o Paulistão e o clube pagou com o rebaixamento. Durante quase todo o ano de 2016, não houve instabilidade política. Porém, o Sapo passou a colecionar dívidas. Oliveira não conseguiu os investidores que prometeu e, apesar de algumas cotas milionárias de TV, passou a dever a fornecedores, como seguranças e distribuidores de banana.

O caos também alcançou funcionários antigos, demitidos e substituídos por figuras da confiança da nova diretoria. Neste ano, a Justiça do Trabalho também tornou evidente que o clube não pagou a gritante maioria de seus atletas. Inúmeras ações forma impetradas e a dívida do clube, apenas com causas trabalhistas, deve ultrapassar, ainda este ano, a casa do milhão de reais. Ainda no fim de 2016, uma assembleia ordinária para tratar do futuro do clube marcou um novo momento de instabilidade.

Após divergências, um grupo de associados criou o S.O.S Mogi Mirim e passou a pleitear, na Justiça, uma melhor ordem dentro do clube. O ápice chegou na semana passada, com o registro da ata da assembleia realizada em junho e que afastou, mais uma vez, Luiz Henrique do cargo (leia mais em matéria nesta página). E é assim, com uma coleção de caos, que Luiz Henrique ‘comemora’ dois anos a frente do Mogi.

Há dois anos, Rivaldo passa o bastão para o Oliveira – Geraldo Bertanha/Assessoria

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