Precisamos falar sobre o WO do Mogi Mirim

Por Lucas Luís Valério

Já é quase madrugada, mas, precisamos falar sobre um assunto sério. A situação do Mogi Mirim Esporte Clube é muito mais grave do que muita gente pensa. Se é que muita gente pensa no Mogi Mirim. Há anos o clube deixou de ser a paixão futebolística da região. Por inúmeros motivos, o Sapão da Mogiana foi perdendo o carinho do mogimiriano, do guaçuano, do itapirense. De Conchal, Estiva ou Pinhal. Há ainda quem sofra por ele, mas a luta é cada vez de menos pessoas. E o Mogi está jogado às traças. Sendo traçado, trolado e atolado por quem não se importa com o passado, presente e muito menos o futuro de uma agremiação mais do que importante para a região.

O Mogi Mirim alçou o nome de uma cidade a um status que jamais teria não fosse por ele. Antes de abnegados, hoje está abandonado. A crise do Mogi Mirim é culpa de Luiz Henrique de Oliveira, que veio de Guarulhos com sua família para fazer a pior gestão da história do clube. É também culpa de Rivaldo e de quem o cercou por anos e anos. É também culpa minha. É culpa sua. É culpa nossa. É culpa da imprensa que não apurou como deveria. É culpa do torcedor que não apoiou como deveria. É culpa de prefeitos, vereadores e deputados que se importam com o próprio umbigo, estômago e bolso e acham que o esporte é apenas circo para quem nem tão tem tido para se sustentar. É culpa de uma cidade e de uma região que não abraçou o clube que tantas alegrias e projeção proporcionou em sua história quase (ou mais do que) centenária. Enfim, há anos, todos nós estamos dando WO nesta luta pelo Mogi Mirim.

Agora, o Sapão está perto de seu primeiro WO profissional na história. Não há 100% de confirmação, os jogadores ainda podem mudar a decisão tomada durante a semana e enfrentar o Bragantino neste sábado, pela Série C. Mas, o risco do WO é mais do que iminente, por mais que pessoas ligadas ao clube ignorem tal fato. É algo que dói em quem nutre a paixão pelo Sapo há tanto tempo. A negligência de anos é que fez o Mogi cair nas mãos de quem pouco se importa com a instituição. E ultimamente, falar sobre o Sapão também causa medo. Há ameaças por todos os lados, registradas em boletins de ocorrência que se tornaram de conhecimento do comando da Polícia Militar. Mas não é o momento de se esconder.

Repito, neste sábado, dia 5 de agosto de 2017, o Mogi Mirim corre o iminente risco de dar WO. Repito, WO. Recebi a informação de inúmeras fontes confirmando que não houve treino nesta sexta e que, com os poucos atletas disponíveis para o duelo com o Bragantino, o time não entrará em campo no Nabi Abi Chedid. Confronto direto contra um rebaixamento que se torna um mero drama perto do caos maior. O Mogi passa por um dos maiores processos de destruição de uma entidade esportiva já visto no país. E mesmo assim todo o caos ainda parece ser ignorado.

Para constar. Jogadores e membros da comissão técnica garantem que não tinham café da manhã e almoço antes do duelo com o líder do grupo, o Botafogo. O clube com um estádio portentoso e um centro de treinamento como aquele de Mogi Guaçu, agora é sinônimo de falta de estrutura. Os cortes de energia só não são mais recorrentes porque a base foi terceirizada e a empresa, que paga pelo alojamento dos garotos, ‘de tabela’, acaba custeando o espaço usado pelo profissional. Isso tudo sem falar que os salários estão atrasados em dois, três, cinco ou até seis meses. E se for mentira que os salários deste trabalhadores estão atrasados, que tragam a nós os comprovantes de pagamento. E há muito tempo fornecedores não recebem pelos serviços prestados. O panorama é lastimável e a insolvência pode ser tratada como um fato. O clube que revelou Rivaldo, Leto, Válber e tantos outros craques está se transformando em pó. Tudo isto aos nossos olhos e, medrosos, pouco fazemos.

Reitero. Ex-dirigentes, ex-funcionários, imprensa, torcida, representantes do poder público e a comunidade em geral. Todos somos culpados em caso de falência do Mogi Mirim Esporte Clube. Claro que o nome de Luiz Henrique de Oliveira precisa ser eternizado como o comandante que levou a nau ao naufrágio. Mogi Mirim precisa cantar aos quatro cantos do mundo que figuras como estas precisam ser exorcizadas do futebol. Não podem, jamais, ter a oportunidade de repetir em outro lugar o que por aqui foi feito e desfeito. Tudo com a cumplicidade de quem sabia que o Mogi estava à beira do caos e mesmo assim deixou o navio afundar.

Até quando será assim? Até quando as ameaças dominarão? Até quando o medo matará o futebol? Não sei. Mas, enquanto pulsar aqui um coração apaixonado pelo futebol e pelo Mogi Mirim Esporte Clube é preciso ter a certeza. O caos não será esquecido e os erros daqueles que colocaram o clube nesta situação serão ecoados por todos os cantos. Mantenha você também o Sapão vivo. Antes que seja tarde demais…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *