Marcelo Veiga fala sobre saída do Mogi Mirim

O Mogi Mirim tem uma decisão neste sábado (5) pela Série C do Campeonato Brasileiro. A partir das 16h00, o Sapo enfrenta o Bragantino pela 13ª rodada. Lanterna com 10 pontos, o Mogi está a dois do Braga, que ocupa uma posição acima. O problema é que o desgoverno da diretoria causou um rombo ainda maior no futebol. A falta de salários e de condições mínimas de trabalho causaram um êxodo de atletas. A saída destes jogadores culminou no desligamento do técnico Marcelo Veiga e o futuro do Sapo na Série C é uma grande incógnita.

Em entrevista exclusiva ao GRANDE JOGADA, o treinador falou sobre a situação atual e abriu o jogo em relação a diversos assuntos relacionados ao Sapo. O técnico explicou que desde seu retorno tem administrado o grupo em relação à falta de salários. O treinador admitiu a dificuldade em extrair o máximo de todos em meio a um momento tão complicado. “Este grupo é bom demais. O que estes caras estão lutando, se dedicando, mesmo com todos estes problemas, é para aplaudir”, enalteceu o técnico. Veiga destacou o bom desempenho do time nos últimos jogos e o aproveitamento de quase 40% desde que assumiu a equipe. “Estaríamos brigando pelo acesso com este aproveitamento”, valorizou.

ATRASOS – Para explicar os fatos desta semana é necessário recapitular. Veiga assumiu o Sapo a 20 dias da abertura da Série A2. Contava, naquele momento, com o suporte da Magnum, que tinha o intuito de ser uma parceira do clube e tocar o futebol ao menos até o final da Série C. Porém, antes do nacional, e já com Veiga fora do time, a diretoria abriu mão dos antigos gestores do Guarani para fechar uma parceira com o Audax. Ao final, ficou sem os dois parceiros. No começo de junho, a diretoria contatou Veiga e fez uma promessa. “O presidente me procurou para voltar e disse que tinha uma verba bloqueada da Federação (Paulista de Futebol) e que com este dinheiro dava para tocar o futebol até o final do ano”.

Foi mais uma promessa vazia de quem garantiu o programa sócio-torcedor e a abertura do clube aos mogimirianos. Com o passar das rodadas, o time obteve resultados, como as vitórias diante de Volta Redonda e Tupi. Porém, há cinco jogos sem vencer, o ápice foi atingido nesta semana. Maringá, Diego, Anderson, Lucas, Tatuí, Nunes, Preto Costa e Pretinho deixaram o clube. Os nomes foram confirmados por Marcelo Veiga, que ainda ressaltou as saídas anteriores de Poty e Nicholas, além da não inscrição do zagueiro Léo e do volante Guly do Prado. “Estes dois últimos teriam os salários pagos integralmente pelo Ituano e eles não conseguiram inscrever”, lamentou.

Veiga também não contava com o volante Moradei e o meia Vitinho, que passaram por cirurgia. Vinicius, expulso no empate em 1 a 1 com o Tombense, na rodada anterior, e Alex Cazumba e Cleiton, que se lesionaram no sábado, também entraram na lista de possíveis baixas. Além disso, o presidente prometeu quitar nesta semana a dívida com os atletas e como isto não ocorreu, Veiga comunicou o clube sobre sua decisão.

“Ficou inviável. É uma falta de respeito dar treino para 15 atletas. Temos uma decisão contra o Bragantino e o time nestas condições. Caso ele pague todo mundo e o pessoal volte, eu fico até o final do campeonato. Mas tem que ser todo mundo”. Veiga afirmou que, há cerca de um mês, quando os jogadores fizeram um dia de greve, interferiu e pediu para que os atletas confiassem nele. Desta vez, cansado, entregou o boné. E não acredita que haverá resolução. “Não há dinheiro da Federação para este ano. Não tem nada de dinheiro bloqueado. Só uma pequena cota para a Série A3 do ano que vem e algo dependendo da competição nacional que estiver em 2018”.

O treinador ainda enfatizou que, além dos salários atrasados, os jogadores tem convivido com a falta de condições de trabalho. “Não temos um gerente de futebol, um supervisor para cuidar de tudo isso. Contra o Botafogo, não tivemos café da manhã e não tinha almoço. E ainda assim o time jogou o que jogou e saiu com o empate contra o líder do campeonato mesmo com nove jogadores”.

Veiga ressaltou, por diversas vezes, o orgulho que tem do grupo e lamentou ver um clube como o Mogi Mirim chegar a este ponto. “Conheço a grandeza do Mogi há muito tempo. Desde o tempo em que o seu Wilson de Barros queria me contratar e eu jogava no Santos. O clube tem um estádio maravilhoso, um CT, uma estrutura fantástica, mas esta deste jeito. Sei que muitos clubes estão em crise, mas nunca vi jogadores saírem como foi no Mogi, sem nem comunicar. Só pegaram as coisas e foram embora. E nem dá para criticar, porque deram o máximo mesmo com tanto tempo de salário atrasado”.

A polêmica do ônibus –  Na sexta-feira (28) veio à tona a venda de um dos ônibus do Mogi Mirim. Patrimônio do clube, o veículo foi encontrado em um trecho próximo à Rodovia Presidente Dutra. O estacionamento chamasse Grupark e fica situado na rua José Campanella, nº 174, no bairro Macedo, em Guarulhos. O local faz fundos com a avenida Presidente Tancredo Neves de Almeida. O ônibus identificado como sendo do ano de 2004, está com uma faixa que apresenta dois números de telefone. (11) 949257471 e (11) 98704 9983. Este último também é WhatsApp.

A reportagem tentou por inúmeras vezes fazer contato, mas nenhuma ligação foi atendida. Nos bastidores do clube, várias fontes confirmaram que o tema foi abordado pelo presidente Luiz Henrique de Oliveira em reunião com os atletas no vestiário. O dirigente explicou que o ônibus havia sido vendido em troca de uma Ford Edge e uma parte em dinheiro. A promessa era de que o montante seria usado para quitar as dívidas de salários. “Ele ainda perguntou se algum jogador queria comprar a caminhonete”, afirmou uma fonte que, com medo de represálias, não quis se identificar. O caso gerou indignação entre os atletas, que estão com salários atrasados e dificuldades financeiras. Para agravar, durante a semana, o dinheiro não entrou na conta conforme o prometido e pessoas ligadas ao clube levantaram que o ônibus ainda não foi vendido. O GRANDE JOGADA procurou a versão da diretoria sobre o caso através da assessoria de imprensa, mas não obteve uma posição dos envolvidos.

CRÉDITO DA FOTO: Marcelo Gotti/MMEC

 

 

 

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