Serginho: “se conseguirmos será um marco histórico para o clube”

A quarta-feira (9) será decisiva para o Atlético-MG na Copa Libertadores. O Galo encara o Jorge Wilstermann, à partir das 21h45, no estádio do Mineirão. Na partida de ida, o time boliviano venceu por 1 a 0 e desembarcou no Brasil com a vantagem de atuar por qualquer empate para avançar de fase. Ou, como disse o atacante Serginho, para alcançar um marco histórico para o clube.

Em entrevista exclusiva ao GRANDE JOGADA, o atacante falou sobre a expectativa em relação ao duelo com o Galo. O bate-papo aconteceu no sábado (5), quando o jogador ainda estava na Bolívia. Adaptado à altitude e feliz ao lado da família em Cochabamba, o atacante deu a receita para o Jorge Wilstermann ter chances de sair do Mineirão com a vaga. Ex-jogador do Mogi Mirim, Serginho ainda fez elogios à organização do futebol boliviano e ressaltou as regras relacionadas ao atraso no pagamento de salários. “Então, quando não paga alguns jogadores, o campeonato não começa e realmente não começou, atrasou em uma semana”.

Confira abaixo a entrevista na íntegra com o brasileiro que pode fazer alegria dos bolivianos e encurtar a campanha do Atlético Mineiro na Libertadores de 2017. 

Como foi que aconteceu esta transferência para o Jorge Wilstermann?

Eu vim para cá depois que eles viram meu material e eles estavam procurando um jogador com a característica do Thomaz, que foi para o São Paulo e por coincidência o meu material chegou até a mão da diretoria e o treinador (Roberto Mosquera) de pronto pediu a minha contratação. Foi algo bem rápido. Eu estava no Botafogo-SP, fui emprestado para o XV de Piracicaba, fiquei dois jogos no XV, recebi a proposta e vim. Foi algo muito rápido, coisa de uma semana. E estou bem feliz aqui, graças a Deus.

Como tem sido a sua adaptação à Bolívia? A esta cultura diferente, a família está adaptada?

É a segunda vez que eu jogo fora do país. Fiquei um ano em Angola, em 2009 e tive esta proposta e vim para cá. A adaptação muito boa, o país é muito bom, o clima é gostoso, parecido com o do Brasil. Lógico, tem o problema da altitude, aqui são 2.800 metros (acima do nível do mar). No começo, eu vim para a primeira partida, para jogar contra o Atlético Mineiro, cheguei aqui 20 dias antes da partida para poder me aclimatar e fizemos todo o processo que tinha que fazer e hoje estou bem preparado, já suportando bem a altitude. Agora é trabalhar. Estou muito feliz, com meus filhos e eles já estão estudando aqui na escola. Neste pouco tempo que estou aqui estou bem feliz com tudo o que tenho vivido no Jorge Wilstermann.

Atacante defendeu o Mogi Mirim em duas passagens (Foto: Geraldo Bertanha/Mogi Mirim)

Sobre o duelo com o Atlético, qual a sua avaliação do primeiro jogo e a expectativa para o jogo desta quarta em Minas Gerais? O que o time deve fazer para avançar para a próxima fase?

Nós temos que manter aquilo que fizemos no primeiro jogo. Marcar forte. Não podemos ir aí para o Brasil e jogar encima apenas de uma vantagem de 1 a 0. Sabemos que o Atlético Mineiro é um time perigoso, muito forte dentro de Minas Gerais e agora é estar determinado a fazer um grande jogo. Temos que fazer um jogo inteligente, é isso o que temos que fazer. É lógico que temos que aproveitar esta vantagem, mas vamos ver se ela vai valer depois que o juiz apitar os 90 minutos. Enquanto isso temos que jogar o jogo e fazer uma boa partida.

Quanto este confronto com o Atlético e a disputa da Libertadores pode gerar de projeção para a sua carreira? O que você ainda almeja no futebol?

Cheguei aqui faz pouco tempo, dois meses. Estrei contra o Atlético Mineiro, fiz uma boa partida e fui muito elogiado pela imprensa e torcida aqui. É difícil para um brasileiro chegar e já jogar e ir bem aqui, até pela questão da altitude e isso foi muito importante na minha chegada. Eu tenho contrato aqui de um ano e meio e a gente está vindo muito bem na Liga Boliviana, somos os líderes da competição. Ganhamos o primeiro fora de casa e depois dentro de casa e a equipe está ganhando corpo agora. Eu vim para cá com a pretensão de ser campeão boliviano e fazer história. Sabemos que temos um jogo importante contra o Atlético-MG e se conseguirmos passar será um marco histórico para o clube e então eu vim neste propósito. Eu sei que se fizer uma boa Libertadores, a equipe vence, consequentemente as coisas começam a acontecer e as portas a se abrirem em outros lugares. Mas, vamos passo a passo, primeiro pensar nesta meta contra o Atlético e ver o que Deus prepara.

O zagueiro Alex Silva (ex-São Paulo) é um dos companheiros de Serginho na Bolívia

E como é a organização do futebol boliviano? As portas devem ser ainda mais abertas para os brasileiros?

Uma coisa que me chamou muito a atenção aqui é que o campeonato, o Clausura, que começou há duas semanas, não ia começar por motivo de não pagamento de alguns jogadores. Então, quando não paga alguns jogadores, o campeonato não começa e realmente não começou, atrasou em uma semana. Isto me chamou a atenção, pela organização deles neste sentido. E o futebol, não tem como comparar com o brasileiro, mas a minha equipe, e outras que enfrentei, como Bolívar, o The Stronghest, é um campeonato muito nivelado e aquelas que tem condições de se reforçar um pouco mais largam com a vantagem. O Jorge Wilstermann tem eu, o Alex Silva, que é de Amparo, aí da região, tem o Carlinhos, que jogou aí no Mogi Mirim também, tem dois argentinos, um chileno. Então, nossa equipe é muito forte aqui dentro. Não foi muito bem no Apertura, no começo do ano, mas agora já está se reabilitando, fazendo um bom início de campeonato, além do bom momento da Libertadores e tem tudo para crescer. Não vou te dizer que será uma força sulamericana, mas, eu creio que as portas para os brasileiros estão se abrindo aqui no mercado boliviano e é um mercado muito legal, porque é bem organizado, mas, os clubes que tem condição de contratar estrangeiros, tendem a cumprir com aquilo que eles prometem. Desde quando cheguei não tenho nada a reclamar e estou muito feliz aqui.

 

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