Sobreviver já é quase um milagre

Um vulcão de sentimentos. Tenho certeza que é isso que se passa na cabeça e no coração do torcedor do Mogi Mirim. De referência à chacota, em apenas uma década. Nenhuma das diferentes interpretações que se possa fazer a respeito dos motivos que levaram a derrocada do Mogi Mirim, vai conseguir isentar esse ou aquele personagem de culpa. Todos deram sua contribuição. Rivaldo, Luiz Henrique de Oliveira e Victor Simões vão entrar para a história de Mogi Mirim como culpados pelo provável fim do Sapo como conhecemos.

O que pode ser mais sintomático e vexatório para uma agremiação do que um W.O? Talvez apenas atletas que estão sem salário há meses, sendo impedidos de entrar no clube para tentar receber uma pequena parte daquilo que lhes é garantido por lei. Ou a apropriação descarada de bens com finalidade de servir um patrimônio da cidade, por um particular. Ou a irresponsabilidade de alguém que dá todo o poder de gestão em um clube, a um cidadão que não conhecia minimamente, como provaram os fatos.

Tudo isso circundado pela nossa enorme incapacidade de mobilização. Salvo raríssimas exceções, a coletividade não se mexeu para evitar o caos em que o Sapão foi colocado. E quando pequenos grupos tentam se movimentar, parece já ser tarde. Em parte graças a lentidão da nossa justiça e a cegueira da legislação quando o assunto é agremiações esportivas. Como pode um gestor seja lá do que, não correr risco de ser penalizado judicialmente por não cumprir seus compromissos mínimos. E pior. Não ter receio nenhum de expor sua irresponsabilidade, pois sabe que não será punido.

O recente aporte financeiro feito no clube pela Federação Paulista de Futebol, pode soar como um respiro, mas uma análise minimamente cuidadosa mostrará a quem a fizer que não o é. A entidade não está nem um pouquinho preocupada com seu filiado pois se estivesse já teria mandado uma auditoria independente e séria para checar a contabilidade do Mogi. Ao contrário, ela libera, sem exigir uma verdadeira prestação de contas, dinheiro na mão de quem só fez aumentar a dívida e já disse que vai vender o que puder para se ressarcir dos investimentos que diz ter feito.

A preocupação é apenas o próprio umbigo e se traduz na possibilidade de o estado de São Paulo perder uma vaga no Campeonato Brasileiro da Série D, em 2018. Vaga essa que se o Mogi não reunir condições mínimas de preencher, poderá ser transferida para qualquer outro filiado e usada como poder de barganha.  Salvo uma mudança rápida e muito radical, um futuro passa a ser um milagre. Não desanimar é um exercício difícil diante da realidade.

 

 

 

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