Verba da FPF cai na conta de atletas e time embarca para JF

Sem dúvida alguma, foi a semana mais triste e amarga da história do Mogi Mirim Esporte Clube. Devido ao atraso nos salários dos jogadores, equipe não entrou em campo no último sábado (12) pela Série C do Campeonato Brasileiro e protagonizou, pela primeira vez, um WO na esfera profissional. Como consequência, houve bate-boca entre o presidente Luiz Henrique de Oliveira e o meia Cristian durante a semana, com tentativa de agressão do dirigente ao jogador.

A situação só não chegou ao extremo do vexame porque, através da intervenção da Federação Paulista de Futebol (FPF), os jogadores receberam parte dos salários atrasados. Assim, o elenco assumiu o compromisso de entrar em campo não apenas neste sábado (19), quando a equipe enfrenta o Tupi, em Juiz de Fora (MG), mas, no restante da Série C, evitando assim o abandono do clube da competição, o que deixaria o Mogi Mirim suspenso por dois anos dos campeonatos promovidos pela entidade máxima do futebol brasileiro.

A FPF entrou na história por conta dos desdobramentos que aconteceriam caso o Mogi abandonasse de fato a Série C. Pelo regulamento geral da CBF, quando um clube abandona uma competição, todos os jogos do qual participou são anulados. Neste caso, os outros três times paulistas seriam prejudicados. O Bragantino, por exemplo, ganhou duas vezes do Sapo e seria o maior prejudicado com a perda destes pontos.

Dos 15 que tem atualmente, ficaria com nove, correndo sério risco de ser rebaixado. Ou seja, a FPF perderia duas vagas na Série C para 2018 – o Mogi e o Bragantino. São Bento e Botafogo perderiam quatro pontos cada e poderiam ficar de fora da segunda fase. Por tudo isso, a entidade entrou na história. A primeira informação que surgiu foi de que o clube receberia a verba, algo em torno de R$ 350 mil. O valor foi negado pela assessoria de imprensa do Mogi, que também não confirmou o depósito. Mais tarde, os fatos se tornaram mais claros.

Na manhã desta quinta-feira (17), um grupo de jogadores representou o elenco em reunião na sede da FPF, em São Paulo. Ficou acordado que 21 atletas receberão um salário atrasado. O depósito será feito na conta de cada jogador nesta sexta-feira (18). A lista foi confeccionada pelos próprios jogadores e o nome do meia Cristian, afastado do clube desde o último sábado, está na relação. “Nós tentamos que fossem dois meses para aqueles que estão com mais de três meses de salário atrasado, mas não conseguimos. Mas, está bom. Pelo menos os garotos vão pegar um mês”, afirmou o meia, que não vestirá mais a camisa do Sapo em 2017. O jogador teve o acordo rescindido, apesar da ação não ter sido formalizada. O mesmo vale para o goleiro Márcio, outro líder do grupo.

Não há informações de quantos jogadores permanecerão para o restante da Série C. Além de Cristian e Márcio, o goleiro Maringá, o zagueiro Diego e o atacante Pretinho deixaram o clube primeiro, seguidos pelo zagueiro Preto Costa e os atacantes Gustavo Vintecinco e Nunes. Além desses, o zagueiro Léo e o volante Guly não puderam ser inscritos a tempo, e Moradei está machucado. A delegação embarcou para Minas Gerais na noite desta quinta-feira (17), por volta das 21h00.

Na mão do presidente, o clube sofreu três rebaixamentos em quatro campeonatos disputados e certamente sofrerá o quarto na atual Série C. Apenas em processos trabalhistas já executados, são mais de R$ 650 mil em dívidas. O clube também já contabilizou dois W.O nas categorias de base. O primeiro, pelo ônibus fretado do clube quebrar e a delegação não chegar a tempo em um jogo em Sorocaba e outro, pelo falta de equipamento médico no estádio Vail Chaves. Nos dois casos, o clube conseguiu reverter o W.O no TJD e disputou a partida.

Antes do ‘presente’ recebido pela FPF, Oliveira teria tentado uma cartada para evitar que o Mogi abandonasse a competição. Na quarta-feira (16), circulou entre setoristas dos clubes do Grupo B da Série C a informação de que a diretoria do Sapo teria pedido dinheiro para presidentes de outras equipes, para quitar os salários e impedir o abandono e as consequências deste ano

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