O título antecipado e as conclusões perigosas

Com a vitória do Corinthians, na noite da quarta-feira (24), aumentou a porcentagem de torcedores que entendem que o título está decidido aumentou bastante. Ao final da partida, se viu e ouviu a torcida visitante em Chapecó soltar o grito de “É campeão”. A condição matemática do campeonato permite isso. São dez pontos faltando 17 rodadas por jogar. Se os comandados de Carille obtiverem um aproveitamento de 50%, bem menor do que teve até agora, fatalmente será o dono da taça.

Uma superioridade tão grande assim na pontuação, não faz bem ao futebol e talvez nem mesmo ao próprio Corinthians. É inevitável que se crie uma acomodação involuntária, não com relação à busca da vitória, mas, quando se fala da qualidade do futebol jogado. A tendência é de que os próprios atletas entendam que estão fazendo tudo perto do seu limite e que isso esteja sendo mais que suficiente para alcançar o objetivo. Isso se transmite para todos que estão a volta, inclusive a imprensa que começa a se ver obrigada a encontrar virtudes e justificativas exageradas para essa superioridade.

O resultado disso é o sarrafo do que exigimos de um time de futebol no Brasil. Cada vez nos importamos menos com a individualidade e com o aspecto técnico. E cada vez mais á uma inversão de papéis, na qual o bom atacante é aquele que volta e marca o lateral até a linha de fundo e não o que tem mais potencial para driblar o zagueiro e definir uma jogada. Romero, que tem uma entrega invejável, sem dúvida é o melhor símbolo disso. Em outro momento, não tão distante assim, sequer sentaria no banco do Corinthians, hoje é ídolo de parte da torcida.

Outro fantasma que a vantagem enorme do alvinegro já está trazendo para esse final de ano é o de um restante de campeonato, desinteressante, chato mesmo, para a maioria das torcidas. Em parte também pela mudança de calendário em 2017,, que aproximou a data das fases finais de todas as competições importantes. Assim, muitos times se sentem a vontade para olhar muitos dos jogos restantes no nacional como confrontos de menor importância, que podem ser deixados em segundo plano, para priorizar os torneios eliminatórios.

Mas, o pior dos males é o espelho que uma vitória incontestável traz aos concorrentes que estão acompanhando tudo que o líder faz. Para as competições que virão a seguir, em 2018, é natural que mais times procurem aproximar seu modelo de jogo do modelo do último campeão. Tem sido assim ao longo da história dos esportes coletivos. Times até certo ponto feios, mas eficientes, acabarão por ter mais espaço. Como amante do jogo e do imponderável, gostaria de ver outro quadro.

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