A VOLTA DOS REMÉDIOS EMAGRECEDORES?

Elaine Cristina Navarro*

Em Junho deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou no plenário de forma definitiva o projeto de lei que autoriza a produção, a comercialização e o consumo dos inibidores de apetite feitos a partir das substâncias sibutramina, anfepramona, femproporex e mazindol. A venda desses medicamentos tinha sido proibida pela Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária em Outubro de 2011, exceto a Sibutramina que permaneceu no mercado com algumas restrições.

A alegação da proibição era de não haver comprovação da sua eficácia e ainda por supostamente causar mais riscos à saúde do que benefícios. O projeto ainda não foi sancionado pelo Presidente da República Michel Temer e ainda não se sabe ao certo se sancionado, qual é o prazo para o retorno da comercialização desses medicamentos. A notícia da aprovação na Câmara já causou muito burburinho entre especialistas, uma vez que esses medicamentos foram utilizados por décadas e muitos dizem que sua eficácia nunca foi comprovada, já por outro lado, outros especialistas dizem que os medicamentos para emagrecer comercializados atualmente são caros e nem todos os pacientes tem condições de custeá-los, o retorno da venda deles aumentaria a chance de tratamento para um público maior.

Os medicamentos anorexígenos ou emagrecedores estimulam o sistema nervoso central, fazendo com que a pessoa tenha falta de apetite ou sensação de saciedade e seu uso foi por muitos anos utilizados descontroladamente ou simplesmente desviados do seu uso clínico, sendo utilizado de forma recreativa, em dopings esportivos ou simplesmente por jovens em festas que queriam uma droga estimulante, diante deste fato, é necessário que haja um controle e fiscalização maior na sua venda e uso, caso esses medicamentos retornem ao mercado.

Que a verdade seja dita, a eficácia desses medicamentos é questionável, eu mesma já utilizei alguns deles quando eram comercializados, na época um dos medicamentos me fez emagrecer, outro não obtive a mesma resposta, quando parei de utilizá-los tive um efeito rebote terrível e recuperei todos os quilos que perdi e mais alguns. Todo tratamento deve ser feito de forma muito séria, pois o medicamento só funciona como um acelerador do processo, mas o quem vem depois dele só depende do paciente. Sem contar os efeitos colaterais proporcionados por esses medicamentos, que vão de taquicardia, insônia, irritabilidade, problemas psiquiátricos e até dependência.

Não sou contra o uso desses medicamentos, bem como não sou contra a realização da cirurgia bariátrica, emagreci cinquenta quilos com cirurgia, mas antes passei por diversos processos na tentativa de emagrecer, inclusive os tratamentos com os inibidores de apetite, mas cada vez que alguém me pergunta se deve ou não tomar alguma coisa ou realizar algum procedimento, eu pergunto de volta: Você quer mesmo isto? Está mesmo preparado para fazer? Você sabe o que vem depois? O processo de emagrecer não é simplesmente “fechar a boca”, é um processo mais psicológico do que se imagina, você tem que compreender por que está fazendo aquilo e se manter firme no propósito, para o resto da vida.

Por isso, a ajuda psicológica, de familiares, amigos conta muito nesses momentos. Por fim, qualquer uso de medicamento deve ser feita de forma consciente, converse sempre com um médico especialista e discutam todas as possibilidades, por que muita coisa pode ser feita antes do uso de medicamentos.

*Elaine Cristina Navarro é estudante de pedagogia e tem uma página de motivação ao emagrecimento saudável

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