Fisio&Saúde: Lesão muscular

Caroline Zacariotto Silva*

A procura cada vez maior e mais precoce pelas modalidades esportivas tem produzido um número crescente de lesões do aparelho locomotor, sendo que um grande volume destas são representadas pelas lesões musculares. Nos traumas esportivos, esse tipo de lesão é o mais frequente, e devido à grande impotência funcional e consequente afastamento dos atletas de suas atividades profissionais torna-se necessário que se faça um diagnóstico preciso e um tratamento precoce e eficaz.

O local no qual a lesão ocorre está diretamente relacionado ao tipo de esporte praticado, sendo o membro inferior o mais acometido, por estar mais relacionado aos esportes praticados pela população em geral. Quanto ao nível de atividade, há uma variedade de vertentes que podem influenciar na ocorrência das lesões musculares, entre eles destacam-se a frequência, a intensidade e a duração das atividades.

Essas lesões podem surgir de forma direta ou indireta. Na forma direta elas são decorrentes de contusões dentro da atividade esportiva. Já indiretamente são frequentemente causadas por contração excêntrica ou concêntrica. A contração excêntrica está relacionada a uma maior tensão desenvolvida na unidade musculotendínea, sendo os músculos biarticulares (que passam por duas articulações) os mais atingidos, já que a tensão gerada durante a atividade pode ser ainda maior. Os atletas de velocidade são os mais sujeitos a esse tipo de lesão, como praticantes de atletismo e de futebol.

A junção musculotendínea é o local mais suscetível à esse tipo  de lesão, por representar a região do músculo que tem a menor resistência a tensão. Na literatura é descrito que antes que a lesão muscular por estiramento ocorra, a fibra muscular pode alongar de 75% a 225% do comprimento inicial, e o centro da fibra muscular apresenta uma maior capacidade de alongamento quando comparado as extremidades (junção musculotendínea) que apresentam uma capacidade reduzida de resistência ao estiramento.

Sabemos que o aquecimento parece prevenir a lesão nos tecidos moles, devido a característica da unidade muscular, assim inferimos que quando as fibras se aquecem seu potencial de resistência ao alongamento sem ruptura é maior. Todavia devemos lembrar que a fadiga muscular diminui a resistência ao estiramento, sento um dos fatores mais importantes relacionados à lesão.

As fases de recuperação da fibra muscular são parecidas nos vários tipos de lesão, contudo a recuperação funcional varia conforme a gravidade da lesão. Evolutivamente observamos três fases neste processo: necrose e degeneração; inflamação; reparo e fibrose.

O processo de necrose e degeneração ocorre por uma cascata de fatores celulares que aumentam a permeabilidade local e aceleram a resposta inflamatória. O processo inflamatório ocorre nos primeiros dias após a lesão, enquanto a regeneração muscular inicia-se, frequentemente, após sete a dez dias, com pico em duas semanas, sumindo até à quarta semana. A formação de fibrose começa entre duas e três semanas pós-lesão, e a reação cicatricial aumenta gradativamente com o tempo. Este tecido cicatricial parece ser o produto final deste processo de reparação muscular, contudo quanto maior e mais inelástico for esse tecido formado, pior será a qualidade funcional desta unidade muscular.

*Caroline Zacariotto Silva é formada em fisioterapia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e possui cursos de pós-graduação lato senso e especialização na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

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