Fisio&Saúde: Seus joelhos doem?

Caroline Zacariotto Silva*

Funcionalmente, o joelho é dividido em duas articulações: articulação femorotibial e a articulação patelofemoral. Com uma forma oval assimétrica, a patela é ponto de inserção do músculo quadríceps e do ligamento patelar. Sua superfície é composta por duas facetas divididas por um vértice, articulando-se com a tróclea do côndilo femoral.

A estabilidade da articulação patelofemoral depende do equilíbrio das forças estática (osso e ligamentos) e dinâmicas (músculos) e qualquer alteração neste sistema pode causar instabilidade patelar, causando subluxação ou luxação da patela.

Nas luxações traumáticas agudas, o paciente usualmente refere história de trauma direto ou torcional e o joelho apresenta-se com deformidade e dor. O aumento de volume (edema) é consequência do derrame articular e da lesão das partes moles (músculos e ligamentos). Em alguns casos pode estar associada à fratura da borda medial da patela. Com a luxação, o joelho encontra-se em atitude de flexão, porém, se houver redução espontânea (quando a patela volta para o lugar sozinha ou por ação de força externa), o paciente pode estender o joelho. A luxação permanente adquirida é rara atualmente, sendo conseqüência de uma iatrogenia por falha no diagnóstico na fase aguda da luxação.

Nos casos crônicos, o deslocamento lateral da patela é um sinal facilmente percebido e, quanto mais crônico é o problema, menos dor é referida pelo paciente.

A luxação congênita (de nascença) é resultante de um defeito rotacional do músculo quadríceps na fase embrionária. É de difícil diagnostico, já que o núcleo de ossificação da patela aparece entre os 3 e os 5 anos de idade.

Na luxação habitual em flexão, a patela luxa todas as vezes que o joelho é dobrado, sendo consequência direta de um encurtamento do músculo quadríceps. Já a luxação habitual em extensão, a patela sai do lugar quando o joelho é estendido, sendo relacionado a uma alteração de inserção do músculo vasto medial na borda medial da patela.

Entre as luxações, a que observamos com mais frequência é a recidivante. Trata-se de uma instabilidade que ocorre mais de duas vezes e sempre está associada a alguma anomalia de formação, a qual, eventualmente, pode não ser encontrada nos exames de imagem. Geralmente o paciente relata um episódio agudo que é sucedido por acontecimentos semelhantes de tempos em tempos.

O tratamento da instabilidade patelofemoral pode ser conservador, com imobilização e fisioterapia, ou cirúrgico, sendo que quando é feita a opção pelo tratamento conservador existem maiores chances de que ocorram novas luxações quando comparado ao tratamento cirúrgico.

*Caroline Zacariotto Silva é formada em fisioterapia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e possui cursos de pós-graduação lato senso e especialização na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *