Higiene Bucal x Desempenho de Alto Nível

Por Benedito Pigozzi

Estudo publicado no British Journal of Sports Medicine afirma que medidas simples, como estimular o uso de fio dental e uma escovação mais frequente dos dentes, tem um impacto muito positivo na saúde bucal dos atletas, contribuindo para aumentar seu desempenho profissional. Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, uma pesquisa revelou que 18% dos atletas acreditam que problemas odontológicos exerceram impacto negativo nos seus resultados e 46,5% afirmaram não ter feito qualquer tratamento dentário no ano que antecedeu o evento. Desde então, há um consenso de que a saúde bucal tem de ser parte integrante da atenção que os atletas recebem em termos de saúde e bem-estar geral. Afinal, não é possível concentrar todos os seus esforços no esporte quando se está com dor de dente, inflamações ou infecções bucais.

De acordo com Hilton Tiba, coordenador técnico do Ministério dos Esportes, que vai tratar do tema “Aplicação e importância da Odontologia dos Esportes em atletas de alto rendimento” no Congresso Odontológico mais importante no Brasil, a atenção em saúde bucal é algo especializado para os atletas, podendo afetar radicalmente sua performance quando negligenciada. “Atletas de elite exigem muito tempo e investimento com formas acessórias de melhorar seu desempenho. Através de cuidados odontológicos preventivos, que exigem pouco ou nenhum esforço extra, os ganhos marginais de desempenho são consistentes. Coisas como usar determinados cremes dentais – com mais flúor ou ainda específicos para dentes sensíveis – já faz diferença, assim como aumentar os cuidados com a higienização bucal e o uso dos fios e fitas dentais. Em inúmeros casos, a diferença entre a medalha de ouro e a de prata foi uma dor de dente e suas consequências, como uma noite mal dormida”.

Outro ponto importante destacado por Tiba é que a rotina de treinos e a dieta alimentar desses atletas de alto rendimento podem contribuir para o surgimento de doenças orais. “Boca seca é um problema recorrente e que pode comprometer demais a saúde bucal, já que a saliva ajuda a proteger os dentes de cáries e erosões. Outro inimigo do sorriso saudável são as bebidas energéticas, que têm alto teor de açúcar e acidez. Elas agem na erosão do esmalte que protege a polpa do dente (dentina), resultando em aumento de sensibilidade e dor. Nesse caso específico, não é necessário abrir mão de se hidratar, mas adotar medidas para proteger os dentes de seus efeitos”.

Na opinião do especialista, uma boa solução é substituir as bebidas ácidas por água. Mas quando isso não é possível, o ideal é fazer bochechos com água em abundância logo após a ingestão dos isotônicos ou recorrer às gomas de mascar com açúcares alternativos, como o xilitol. Atletas olímpicos, por exemplo, devem passar por um check-up odontológico a cada 12 meses, consultando um cirurgião-dentista especialista no esporte nesse ínterim em caso de dor ou desconforto. Há técnicos que preferem que as consultas ocorram sempre na pré-temporada, quando normalmente todas as outras especialidades (medicina, fisiologia do exercício, nutrição, psicologia, fisioterapia etc.) com atuação no esporte devem atuar concomitantemente. De modo geral, nosso papel é manter o atleta livre de cáries e dores orofaciais, doenças na gengiva, problemas relacionados ao dente do siso e erosão do esmalte – além de valorizar a estética do sorriso. Afinal, tudo isso gera um impacto muito grande na rotina de treinos, na concentração, no desempenho e na recuperação do atleta.

Benedito Pigozzi é especialista e mestre pelas Universidades da Austrália, Canadá e Uniararas.

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