Entrevista Completa: Doni Costa

Perfil DONI
Nome Completo: Donizeti Aparecido Augusto da Costa
Data de Nascimento: 17/09/61
Cidade onde nasceu: Mogi Guaçu/SP
Para qual time torce? Em primeiro lugar, claro, pelo Clube Atlético Guaçuano e depois, pelo Santos F.C.

1- COMO FOI SEU INICIO DE CARREIRA?
Comecei nas escolinhas de futebol aqui da nossa cidade e nos juniores do Mandi. Em 1980, me destaquei na excelente campanha de Mogi Guaçu nos Jogos Regionais, onde perdemos a final(nos pênaltis) para Campinas, que era representada pela fortíssima equipe de juniores do Guarani F.C. Inclusive, depois disso, o Guarani queria me levar de todo jeito pra Campinas, mas o presidente do Mandi não liberou, pediu uma quantia altíssima pelo meu passe. Em 1981 fiz minha estreia no profissional e no primeiro jogo, contra a Santarritense, de Santa Rita do Passa Quatro, fiz 4 gols e 3 assistências. Nesta temporada fiz 24 gols, tornando-me um dos maiores artilheiros do Mandi de todos os tempos.

2- POR QUAIS EQUIPES PROFISSIONAIS VOCÊ ATUOU?
Confesso que, devido a diversas contusões que tive, não joguei em muitas equipes, como já disse, comecei aqui no Mandi, passei pela Esportiva Itapirense (Itapira), União Agricola Barbarense (Santa Barbara do Oeste), Velo Clube (Rio Claro), Esportiva Sanjoanense (S.J.da Boa Vista) e algumas outras equipes, voltei para o Mandi, onde encerrei a carreira. Tive também uma passagem pela Argentina, mas devido a problemas com empresários não consegui dar sequência por lá, mas tenho boas recordações do futebol argentino.

3– QUAL FOI SEU JOGO MAIS MARCANTE PELO MANDI?
Foram vários, mas sem dúvida os jogos mais emocionantes eram os derbis regionais, pela rivalidade entre as cidades. Pra mim e acho que pra muitos torcedores de nossa cidade também, um jogo inesquecível foi aquele em 1984, contra o Mogi Mirim E.C., que tinha um timaço, com Chicão, Beijoca e outros craques, que vinha fazendo um excelente campeonato paulista. Me lembro do Camacho superlotado, vencemos o jogo por 3 a 0, com dois gols meus.
Alguns lances desta partida ficaram marcados na minha memória. Em um deles, driblei quase meio time do Mogi Mirim, inclusive o goleiro e esperei um zagueiro voltar, para dar mais um drible nele, acabei perdendo a bola e não fiz o gol, coisa de moleque, da juventude. Outro lance inesquecível, foi um chapéu que dei no médio-volante Chicão, aquele mesmo que jogou pelo São Paulo, Santos e que na Copa de 1978 entrou contra a Argentina, somente pela sua fama de marcador implacável, até mesmo violento e que nos garantiu o empate de 0 a 0 dentro da Argentina. Agora, o lance inesquecível mesmo daquele jogo foi o meu gol de bicicleta, foi no gol onde hoje fica a entrada do Camacho, a bola veio cruzada da direita, a defesa cortou de cabeça, a bola sobrou pra mim, dominei, ela subiu um pouco e de improviso eu dei uma bicicleta e a bola encobriu o goleiro Fernando. Golaço! Depois do jogo, no vestiário, a alegria da torcida era tanta, que até dinheiro eles vieram me dar.

4– QUAL FOI SUA MAIOR CONQUISTA PELO MANDI?
Ah, sem sombra de dúvidas foi em 1981 contra o Mogi Mirim E.C. Na verdade foram 3 jogos pela disputa do titulo do grupo, na busca pelo acesso. Empatamos aqui o primeiro, no segundo em Mogi, também houve o empate e a decisão foi em Limeira. Eu era titular absoluto do time, o técnico era o Babá, no segundo jogo em Mogi Mirim, sofri uma séria contusão. O Henrique Stort me deu um carrinho maldoso que me tirou da decisão. Fiquei no banco e a certa altura o jogo estava 3 a 1 pra nós, a torcida pedia para eu entrar, mas o Mogi empatou e no final o Coutinho fez o quarto gol, 4 a 3 pra nós, foi uma felicidade geral, na volta para o Guaçu, encontramos a cidade toda em festa. Foi, com certeza, minha maior conquista com a camisa do Mandi, inesquecível!

5– CONTE-NOS ALGUM FATO CURIOSO OU ENGRAÇADO QUE ACONTECEU CONTIGO NO MANDI.
Olha, fatos curiosos, pitorescos, engraçados foram vários. Me lembro das longas viagens que fazíamos em ônibus da Prefeitura, viagens de 10, 12 horas e o motorista não passava dos 60 km por hora, a gente pedia pra ele “pisa”, “pisa” e ele nada. Fazíamos sempre longas viagens, principalmente lá pro Vale do Paraíba, chegávamos sempre atrasados pro jogo, a gente trocava no ônibus mesmo e em um desses jogos, acho que em Cruzeiro, o saudoso Carlão, massagista, cozinheiro, o cara que fazia tudo no Mandi, precisou ir no banheiro fazer o número 2, isso minutos antes de entrarmos em campo e todo mundo precisando de uma coisa ou outra e o Carlão no banheiro, foi muito engraçado.  Tinha viagens também que na volta a gente parava pra roubar laranja, o time todo, até o presidente, olha só que vexame, mas fazer o que, a maioria não tinha dinheiro. Teve uma ocasião, que estava todo mundo pegando laranja e o presidente deu 3 tiros pra cima e todos os jogadores saíram correndo, desesperados, achando que era o dono da fazenda que tinha chegado. O Mandi teve um presidente de honra chamado Jorge Margy, dono da Lenços Presidente, que gostava muito de mim, sempre que terminava a o jogo, no vestiário, ele vinha quietinho perto de mim e colocava notas de dinheiro no meu bolso. Certa vez, o ex-goleiro Gervásio, o melhor com quem joguei no Mandi, me levou para fazer testes no Palmeiras, que contava com Jorge Mendonça, Rosemiro e outros craques. Fiz os testes num dia e no outro haveria um amistoso, que seria o teste final. Só que na noite anterior ao amistoso, eu muito inexperiente, fiquei apostando corrida na concentração com outros jogadores que já estavam no elenco. Resultado: no dia seguinte, no jogo, tive que falar pro técnico Dudu que não aguentava mais correr, pois não estava muito cansaço, fui reprovado, tudo por causa das corridas da noite anterior. Falta de experiência. Teve um jogo, contra o Rio Branco de Andradas à noite no Camacho, que levei uma entrada de um zagueiro, que tive que ir para o hospital, foram 13 pontos na perna, tenho a marca até hoje. Naquele tempo não tinha muita frescura não e sim muita vontade de jogar, sem contar o amor à camisa. Em menos de 30 dias já estava jogando de novo. Engraçado também era a situação dos juízes que vinham apitar aqui no Camacho e prejudicavam o Mandi, teve juiz que ficou mais 10 horas trancado no vestiário e a galera do lado de fora, fazendo pressão.

6– VOCÊ SEMPRE ACOMPANHOU O MANDI ENQUANTO ELE ESTAVA EM ATIVIDADE?
Sim, eu sempre acompanhei, o Mandi está no meu coração. O Mandi pra mim, é como se você tivesse jogado no Corinthians, no São Paulo, no Palmeiras, no Santos, na Seleção Brasileira, pois era o meu grande sonho de menino jogar no time profissional da minha cidade. Mesmo não jogando mais futebol e agora trabalhando em rádios, eu sempre acompanhei e sempre vou acompanhar, pois é um orgulho pra mim torcer pelo time da minha cidade.

7– O QUE VOCÊ ACHA DA TORCIDA DO MANDI?
Fantástica, pra mim a maior satisfação era fazer o gol pra nossa torcida, jogava em função dela. Inclusive eu tinha quase que uma torcida só minha, o pessoal da Vila Paraiso, nos dias de jogos no Camacho, se reuniam na pracinha da Vila e saiam caminhando até o Camacho, envergando e tremulando as bandeiras verde e branca do Mandi, uma festa só. A torcida do Mandi é diferente, muito apaixonada. Em minha opinião, aqui na região, a torcida do Mandi só perde em termos de paixão para a torcida da Ponte Preta.

8- O QUE VOCÊ ACHA DA SITUAÇÃO ATUAL DO MANDI VÊ PERSPECTIVAS DE UM FUTURO MELHOR?
Eu vejo a atual situação do Mandi muito delicada. Infelizmente, o clube nunca teve uma continuidade, precisamos de um trabalho mais profissional. Tivemos aquele jogo em 2012 contra o Marilia, quase 10 mil torcedores no Camacho, inaceitável que a administração municipal, os empresários não olhem com mais carinho para o Mandi. O que eu vejo, é que é na cidade existe muito ciúmes, de que um possa fazer melhor que o outro, um quer aparecer mais que o outro e o grande produto nosso é o Mandi, o esporte, o futebol profissional. A hora que pararem com isso, eu acho que vai dar tudo certo. Mas eu vejo, num futuro bem próximo, o Mandi voltando, com estrutura, não iludindo o torcedor, que já vai subir para a A3, A2, A1, mas um trabalho a longo prazo, com profissionalismo, administrando bem o clube. Isso, é o torcedor quer, a cidade quer e eu quero também. E acho que isso está próximo de acontecer.

9- E SUA RELAÇÃO ATUAL COM A BOLA, COMO ESTÁ?
É difícil ficar sem a bola, vou morrer jogando futebol, jogo umas três vezes por semana com o Master do Indião e disputo também alguns campeonatos de veteranos. E a bola também faz parte da minha vida profissional, atualmente trabalho como comentarista esportivo da Rádio Visão FM, onde temos um programa diário e também fazemos coberturas de futebol amador, profissional e inclusive campeonato brasileiro.

10– VOCÊ QUER FAZER MAIS ALGUMA CONSIDERAÇÃO?
Eu queria agradecer a algumas pessoas, como o Babá, o saudoso Samuel, o Indião, que foram pessoas muito importantes na minha carreira e a quem eu devo muito. Gostaria também de deixar aqui um reconhecimento a uma pessoa, que foi jogador e presidente do Mandi, e que muitas pessoas o criticam, inclusive eu como comentarista, já fiz algumas criticas a ele, mas nada pessoal, inclusive hoje somos grandes amigos, de frequentar a casa dele, é o Admir Falsetti, o Bibi, é graças a ele que o clube sobreviveu por muitos anos, é graças a ele que o clube tem alimentação, transporte e manutenção do Camacho, pois foi ele, quando vereador que elaborou o projeto de lei que permite esses benefícios ao Mandi, antes dessa lei, os jogadores e comissão técnica, passavam até necessidades, inclusive em 84 em um jogo contra o Mogi Mirim, os jogadores não tinham nem alimentação, tomavam praticamente só água antes do jogo e mesmo assim ganhamos. Finalizando, gostaria de agradecer o carinho de vocês, foi uma honra ser convidado pelo pessoal da pagina “Torcedores do Mandi”, o pessoal do GAM (Grupo de Apoio ao Mandi), para estar participando dessa história, desse momento bacana, falando do passado do Mandi, fico muito feliz, é um pouco do eu pude fazer, fiz tudo com muito carinho e amor, jogando e agora que eu não posso jogar mais, trabalhando em rádio ou não, eu quero dizer o seguinte: eu sempre vou amar o Mandi, do fundo do meu coração e vou torcer para que as pessoas que possam assumir um dia, assumam com profissionalismo e que volte o Mandi, pois acho que nossa cidade necessita dessa volta. Fiquem com Deus, foi um prazer imenso estar falando com todos vocês.

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