Fisio&Saúde: É só na pele?

Caroline Zacariotto Silva*

A psoríase caracteriza-se por lesões avermelhadas, escamosas, que acometem principalmente joelhos, cotovelos e couro cabeludo, contudo as lesões podem surgir em qualquer parte do corpo. A palavra psora, do grego, significa prurido, coceira, sintoma freqüente nos portadores desta condição.

Enquanto a psoríase é uma doença de pele que afeta 2% da população no mundo todo, a artrite psoriásica (que une manifestações cutâneas e articulares) ocorre em cerca de 10% dos pacientes com psoríase. A artrite psoriásica ocorre em igual porcentagem em homens e mulheres, a maioria já na vida adulta. Geralmente o acometimento da pele precede ou acompanha o articular e suas gravidades não estão relacionadas.

A etiopatogenia da artrite psoriásica e multifatorial, e fatores genéticos, ambientais e imunológicos atuam e interagem para o aparecimento da doença. Acredita-se que, num individuo geneticamente predisposto, a presença de um fator ambiental possa funcionar como “gatilho” para desencadear as alterações imunológicas que darão origem a doença. Na maior parte dos casos, a doença é multifatorial, envolvendo a interação entre vários genes com desencadeantes ambientais (infecções, medicações, estímulos antigênicos, estresse físico e/ou emocional). A psoríase e a artrite psoriásica compartilham os mesmos fatores desencadeantes ambientais e psico afetivos, porem os mecanismos neuro-imuno-endocrinos envolvidos neste processo ainda necessitam ser esclarecidos.

A artrite psoriásica sem tratamento pode evoluir para deformidades irreversíveis. A escolha do tratamento dependerá das estruturas acometidas em cada paciente. Deve-se avaliar a presença de acometimento articular axial (coluna vertebral) e periférico (articulações de braços e pernas). O tratamento convencional é feito inicialmente pelo uso de anti-inflamatórios não-hormonais e drogas remissivas de doença. Nos casos em que não há melhora com ao tratamento convencional e nos casos moderados a graves, o uso dos agentes biológicos pode ser necessário.

Os exercícios fazem parte do tratamento da doença e devem ser orientados e supervisionados por um profissional habilitado. É importante movimentar a articulação, mesmo estando edemaciada, pois o repouso prolongado pode ser prejudicial. A atividade física é essencial para prevenir contraturas, manter a amplitude de movimento e reduzir a fraqueza muscular.

*Caroline Zacariotto Silva é formada em fisioterapia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e possui cursos de pós-graduação lato senso e especialização na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *