Mogi Mirim: A história de um clube à beira da morte

A Federação Paulista de Futebol (FPF) divulgou nesta sexta-feira (17), a tabela da Série A3 do Campeonato Paulista. Na primeira rodada, dia 17 de janeiro, o Mogi Mirim irá enfrentar o Noroeste, em Bauru. Mas, irá mesmo? A 60 dias da estreia na A3, o Mogi passará por duas eleições presidenciais, convive com processos na Justiça, a inércia de quem pode salvá-lo e, o principal, hoje não existe.

É tão absurda a situação do clube que, seja em Mogi ou fora, poucas pessoas sabem o tamanho do vazio que vive o clube fora dos grandes que mais vezes disputou o Paulistão nos últimos 30 anos. A marca impressiona? É novidade? Pois, saiba, que a crise do clube vai te impressionar ainda mais.

O Mogi vive uma crise política desde novembro de 2015. O racha entre Luiz Henrique de Oliveira e Victor Manuel Simões resultou em uma enxurrada de processos e, desde então, a instituição jamais se levantou. A derrocada é tamanha, que parece orquestrada. Em 2015, quando este grupo assumiu, o Sapo já balançava. Era a reta final da ‘Era Rivaldo’. Entre acertos e erros, o ex-jogador entregou o clube no nível mais acessível ao clube. Série A1 do Paulista e Série B do Brasileiro.

Discordo do modo como Rivaldo e quem estava à sua volta dirigiu o clube, mas, quando saiu, o Mogi não era uma terra arrasada. Hoje é mais do que isso. Beira a morte. Não pode se dizer nem que o clube respira por aparelhos, pois, o clube foi esvaziado. Os funcionários foram mandados embora e a base só está ativa por conta de uma negociação assinada há mais de um ano e que jamais se tornou clara para a torcida.

A atual diretoria parece brincar de Football Manager. Fizeram a pior gestão da história do Mogi (e uma das piores da história do futebol mundial), na maioria das vezes, decidindo o futuro do clube de Guarulhos. Reclamam que herdaram um clube deficitário, que perderam dinheiro pessoal em um período em que o clube recebeu três cotas milionárias de direitos televisos e, mesmo sem vínculo com a região, não querem sair.

Seria um conto lindo de apaixonados pelo clube, não fosse pelo efeito nocivos desta obsessão por seguirem no Mogi. A eleição convocava pelo grupo situacionista será neste sábado (18), às 16h00, na sede do clube. Um clube que não respondeu nenhuma pergunta sobre o evento administrativo mais importante de uma agremiação de futebol. Não bastasse tudo isso, evitaram a concorrência ao publicarem o edital após o prazo em que outros interessados poderiam inscrever uma chapa.

E se o argumento for o de que os editais estavam publicados na sede, fica difícil imaginar alguém com acesso a tal documento. O estádio Vail Chaves está abandonado. E aqueles que poderiam pensar em concorrer com o atual grupo, não seriam bem recebidos, mesmo que o clube não tivesse demitido o porteiro… Aliás, ainda sobre o pleito deste sábado, qual será a chapa da situação? Luiz Henrique buscará a reeleição? Colocará alguém de sua confiança para presidir o clube durante dois anos? Ganhará o que permanecendo dois anos em um clube que julga como deficitário? Não responde!

Mas, tem mais. No dia 30 de novembro, acontecerá outra eleição. O grupo de associados que discute na Justiça a legitimidade do afastamento do presidente, ocorrida no meio do ano, convocou seu próprio pleito. Um grupo que até agora falou mais do que fez. Seja por deficiência interna ou por falta de apoio. Fato é que há muita teoria e pouca prática. A oposição pretende vencer Oliveira na Justiça, por mais que, nos últimos 24 meses, o dirigente tenha sido derrotado apenas uma vez. E ainda assim se manteve em pé.

O oposto do clube que preside. O Mogi está suspenso de competições da CBF em decorrência de um julgamento por não ter pago taxas de arbitragem. Depois, ignorou a multa e parece ignorar a punição. Ainda assim, confirmou presença na Série A3. Mas, como pagará salários a atletas e membros de uma comissão técnica, se não pagam a arbitragem? Aliás, mais de 80% dos jogadores que atuaram entre 2016 e 2017 processam o clube por falta de salários. Será que 100% findaram a passagem pelo Mogi com ao menos um mês de salário atrasado? Como será possível estancar este rombo financeiro causado por este desrespeito trabalhista?

Se o clube fechar as portas, ainda irão terceirizar a culpa? Vociferar que elementos ocultos demonizam o Mogi? Basta! A cidade precisa esquecer que o casamento com o clube caiu na rotina e lutar por ele. O Mogi é um cônjuge em estado terminal, mas que ainda pode viver. Mais do que isso. É um exemplo para outros clubes de futebol. As torcidas de todos os pequenos clubes do país precisam ser alertadas sobre os riscos que estas agremiações correm de um câncer ser instalado. No cérebro da vítima. Na administração. Enquanto isso, o coração precisa seguir batendo. E é claro que este órgão vital se chama torcedor. É você o único que pode controlar e até derrubar o mal instalado na cabeça. Esteja perto. Você pode tirar o Mogi Mirim do leito da morte.

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