Fisio&Saúde: Sua dor é “normal”?

Caroline Zacariotto Silva*

A Distrofia Simpático Reflexa é um distúrbio da dor neuropática, definido pela presença de características clínicas distintas, incluindo alodinia – sensação de dor quando, normalmente, o estímulo não é doloroso; hiperalgesia – exacerbação da sensibilidade à dor; anormalidades pós-operatórias; vasomotoras e alterações nos tecidos. As disfunções vasomotoras e sudomotoras manifestam-se como alterações na transpiração, cor da pele e temperatura e alterações tróficas na pele, cabelo ou unhas. Também pode haver fraqueza ou diminuição do alcance de movimento na extremidade afetada.

A dor experimentada é desproporcional ao grau de lesão tecidual e persiste além do tempo normal esperado para cicatrização. A fisiopatologia é multifatorial e envolve a desregulação da dor tanto no sistema nervoso central quanto simpático, com ​​contribuições inflamatórias e psicológicas.

Pode ocorrer como resultado de diferentes graus ou tipos de trauma tecidual, mas até foi documentado na ausência de lesão ou devido a períodos de imobilização prolongada. As lesões mais comuns associadas ao quadro são as fraturas (mais de 40% dos casos). Outras lesões ou insultos comuns provocados incluem entorses, contusões, lesões por esmagamento e cirurgia. O aumento da angústia psicológica experimentada durante a lesão física associada ao início desta condição pode afetar sua gravidade e prognóstico.

O mecanismo subjacente é multifatorial e envolve pelo menos transmissão neuronal anormal, desregulação autonômica e sensibilização central. Isso contribui para a variação na apresentação clínica. No local da lesão, há uma resposta pró inflamatória e imunológica que soma-se a sensibilização periférica e resulta em persistente e nociva sensibilização central. Isso, por sua vez, pode resultar em um eventual remodelamento na medula espinhal e no córtex somatossensorial. Existe uma alteração do sistema nervoso simpático, levando a um aumento da expressão de receptores adrenérgicos nas fibras nociceptivas, ou seja, ocorre um aumento da sensibilidade dos receptores responsáveis por transmitir um sinal de dor, que em tempos de ativação simpática pode explicar a presença de características autonômicas, ou seja, explicam a presença de respostas reflexas (de natureza automática) do nosso corpo.

Embora exista a possibilidade de que esses pacientes melhorem espontaneamente de acordo com a natureza do quadro, é prudente instituir um manejo agressivo o mais rápido possível, uma vez que um atraso pode resultar em desfecho desfavorável. Um tratamento abrangente envolve uma estratégia multidisciplinar com um programa de reabilitação, de modo que a referência a um tratamento para o gerenciamento de dor é ideal.

A fisioterapia e terapia ocupacional, incluindo a terapia espelhada, são consideradas opções de tratamento padrão, com vários estudos demonstrando sua eficácia. Pacientes com um fator psicológico significativo ou mecanismos de enfrentamento pobres podem demonstrar comportamentos relacionados à dor e pensamento catastrófico, assim uma terapia cognitivo-comportamental é considerada um componente necessário para estes pacientes. Pode ser necessário o uso de medicamentos para a melhor resolução desta condição.

*Caroline Zacariotto Silva é formada em fisioterapia na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e possui cursos de pós-graduação lato senso e especialização na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

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