As peças ideais para um São Paulo competitivo

O São Paulo é um clube gigante. Assim como outros 11 escudos do futebol brasileiros. Cada um tem sua maior virtude, mas, todos possuem este status pela história. E ninguém contesta a história. Assim como os fatos. Periodicamente, os clubes de futebol vivem altos e baixos. O São Paulo, desde que se auto-intitulou ‘Soberano’, se tornou mediano. Não chegou ao fundo do poço, com um rebaixamento, mas, não consegue se estabelecer entre os melhores. Longe disso. Não disputa uma final de campeonato paulista desde 2003. Não está entre os dois melhores da Copa do Brasil desde 2000 (título que jamais conquistou). No Brasileirão, lutou contra o rebaixamento três vezes nas últimas cinco temporadas. Ficou entre os dois melhores apenas uma vez desde 2009, quando dominava a competição. Na Libertadores, sua amada, não sabe o que é uma final desde 2006 e só chegou às semifinais em 2010 e 2016.

Exposta a consolidação tricolor na faixa média do futebol brasileiro, é vital entender que, em 2018, o clube não pode sonhar com nada menor do que títulos. Não importa se é estadual, nacional ou internacional. Para alcançar este objetivo, o primeiro passo é a reciclagem da diretoria. Como ela foi eleita e tem mais alguns anos de poder, resta ao são-paulino torcer para que as figuras que reduziram o São Paulo a coadjuvante, deem a volta por cima, e façam do Tricolor novamente um vencedor.

Um dos pecados da atual diretoria é a falta de planejamento, algo cobrado publicamente até por jogadores, como Lucas Pratto, Petros e Rodrigo Caio. Estas são algumas das peças que formam o alicerce do clube e que serão vitais para 2018. Sidão, Arboleda, Jucilei, Hernanes e Cueva são os demais componentes desta base sólida. Todos foram importantes na reta final de 2017 e, pela quantidade, é possível imaginar que a tarefa de montar uma equipe forte não é tão árdua assim.

GOL
Dentre estes nomes, Sidão e Cueva são substituíveis por razões contrárias. O goleiro assumiu papel de líder, mas, tecnicamente, existem peças melhores no mercado, como os goleiros Jefferson (Botafogo) e Marcelo Grohe (Grêmio). Jean (Bahia) e Armani (Atlético Nacional-COL) são nomes interessantes. O primeiro, apesar de jovem, é muito bom tecnicamente e o segundo, além de ótimo arqueiro, é experiente. Porém, não são nomes para imediatamente lançarem Sidão para o banco e a tendência é de que o arqueiro siga como titular em 2018.

MEIO
Peça fundamental na armação, Cueva é titular absoluto. Mas, seu comportamento instável permitem imaginar que, com um substituto técnico à altura, sua ausência não seria um problema. O tal problema é encontrar com peça para suprir seu trabalho. Ídolo da torcida, Kaká é um dos poucos que chegariam com esta condição. Aliás, é um nome que poderia chegar ao São Paulo independente de uma eventual saída de Cueva. O peruano será constantemente chamado à sua seleção e o brasileiro está em idade avançada e não deve ter condições de suportar o apertado calendário brasileiro. Dando respaldo para o meia, o tridente formado por Jucilei, Petros e Hernanes precisa ser mantido a qualquer custo. A identificação com o torcedor, a liderança e principalmente a capacidade técnica são os fatores que fazem deles as peças mais importantes deste São Paulo. Jucilei quer ficar e a negociação com os chineses está avançando. Hernanes joga no primeiro semestre, mas, convenhamos. Pelo que fez em 2017, deveria ficar até se aposentar no clube.

DEFESA
Na defesa, Arboleda e Rodrigo Caio parecem ter condições de seguirem como pilares. Até porque, são poucos os nomes de nível disponíveis. Miranda é um sonho surreal, Gil deve seguir na China e Pablo é caro. Ambos precisam da permanência de Jucilei, Petros e Hernanes, teórico melhor tridente meio-campista do país, para serem bem protegidos. Além disso, dois laterais de confiança são fundamentais.

LATERAIS
Entre as peças que faltam para a citada ‘base sólida’, estão exatamente os laterais. Com Dorival Júnior no comando e a iminente saída de ambos do Santos, impossível não pensar em Victor Ferraz e Zeca. Estão entrosados, conhecem o trabalho de Dorival e foi, exatamente nas mãos do técnico, que cresceram no futebol. A característica de ‘fechar pelo meio’ que ambos carregam seria interessante combinada à inteligência de Cueva e Hernanes. A questão é que, na esquerda, a chegada de Zeca é quase impossível. Primeiro porque o jogador tem mercado na Europa e também é cobiçado por Palmeiras e Corinthians. E também porque o São Paulo contratou Edimar e terá a volta de Reinaldo. O lateral tão criticado em sua primeira passagem no Morumbi, parece ter crescido após passagens por Ponte Preta e Chapecoense e, veloz e incisivo na frente, pode reescrever sua história no Tricolor. Sem Zeca, Ferraz é menos interessante. Pode funcionar por conhecer o estilo de Dorival, mas, nomes como Rafinha e Mariano seriam mais interessantes. Até mesmo Zeca escalado na direita teria mais condições de retorno.

ATAQUE
Já Júnior Tavares, terceira opção, deve ser usado em uma segunda linha. Algo que Rogério Ceni esboçou no primeiro semestre e que agrada Dorival, que já falou sobre o tema. Tavares, porém, não parece ser o cara para a titularidade. Shaylon, Lucas Fernandes, Maicossuel e Marcos Guilherme também não transmitem esta segurança, apesar de serem importantes para a composição do elenco. Assim, para fechar a ‘base sólida’, resta o famigerado atacante de beirada. Porém, nada de estilo Romero, Dudu ou Bruno Henrique. A peça que o São Paulo precisa é um construtor de contra-ataque que também seja bom finalizador. Cueva e Hernanes são donos de passes no vazio e podem consagrar jogadores como Eduardo Vargas. O chileno, especulado no Morumbi, é o nome ideal. O ex-atacante do Grêmio é veloz e sabe fazer gols, principalmente com a camisa da Roja. Experiente, tem o perfil cantado por Dorival, que quer ‘três Hernanes’ no elenco. Além disso, Pratto precisa de alguém que não o faça sair tanto da área como fez em 2017. O argentino ganhou a torcida pela raça, mas, precisa oferecer muito mais para aquilo que sabe fazer e foi contratado: gols.

ELENCO
As dispensas de Marcinho, Denílson e Gilberto mostram que o São Paulo deve apostar na base em 2018. O clube deve mesmo gastar o mínimo possível com atletas de nível discutível, investindo nos bons garotos de Cotia. Éder Militão pode ser usado na lateral, zaga e ‘volância’.  Arthur, que deve voltar do Columbus Crew, também pode compor o setor de volantes, fechado com o bom Araruna. Lucas Fernandes, Shaylon, Brenner também são interessantes. Sobretudo o atacante, que deve ter muitas chances em 2018. A montagem inteligente pode fazer com que o clube gaste menos com peças desnecessárias e tenha mais protagonistas. Sidão; Rafinha (Victor Ferraz), Arboleda, Rodrigo Caio e Reinaldo (Zeca); Jucilei,  Petros, Hernanes e Cueva (Kaká); Vargas e Pratto. Este time pode devolver o São Paulo ao lugar que deixou há alguns anos.

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