Especial Esportiva: Um método especial de trabalho

O trabalho de um clube de futebol é mensurado pela mídia especializada e pela torcida, através dos resultados. Neste quesito, a Esportiva Itapirense teve uma temporada interessante. Participou de duas competições nas categorias de base e faturou as duas taças. Entre os motivos para este sucesso, está a participação de duas figuras que não aparecem tanto para o público.

O técnico Reginaldo Lima e o gerente de futebol Luiz Fernando Moraes estão entre os artífices do projeto vencedor em 2017. Ambos desembarcaram em Itapira na mesma semana de março. No dia 13, Luiz Fernando iniciou a trajetória, com a responsabilidade de contratar a comissão técnica e estabelecer as diretrizes do trabalho. No dia seguinte, Reginaldo Lima começou seu trabalho no clube. A comissão técnica foi completada com o auxiliar técnico e preparador de goleiros, Gabriel Fontanetti e pelo preparador físico Hamilton Luiz Garcia Marques.

Com a disputa da Segunda Divisão do Campeonato Paulista Sub20 como a única meta do ano, eles decidiram implantar um método ousado de trabalho. Para Moraes, sua colaboração principal no sucesso do Coelho em 2017 foi fazer a direção do clube entender que um trabalho que busca continuidade e sustentabilidade ao clube, não poderia buscar títulos na base a qualquer custo. “Tinha que passar por essa qualificação no trabalho, mesmo que isso nos colocasse alguns desafios pela frente. Por exemplo, como enfrentar equipes mais fortes fisicamente, mais maduras, com atletas mais velhos e com sistemas de jogo mais conservadores que o nosso”, frisou.

O gerente afirmou que a ideia passa necessariamente por correr mais riscos, justamente para estimular mais a evolução dos atletas. “E aí entra o trabalho brilhante do Reginaldo e da comissão, que soube fazer com que premissas mais arrojadas se transformasse em algo consistente, vencedor e bonito de se assistir”, destacou Moraes. Parceiro do gerente na execução do projeto, Reginaldo Lima destacou o trabalho do colega na Esportiva Itapirense.

“O trabalho foi capitaneado pelo Luiz Fernando, que foi contratado pelo Cidão para comandar o projeto. Foi fundamental para nós, a experiência dele de quatro anos como gerente do Santos e a nossa vivência no futebol profissional. Acompanhamos de perto, nos últimos anos, os trabalhos de base do Santos, Grêmio-RS e Cruzeiro e isso elevou a exigência na seleção dos nossos atletas”.

O treinador frisou que foi priorizada a busca por meninos com mais técnica do que força. Algo que foi na contramão do que é visto na cultura da Segunda Divisão. “Aliado ao competente trabalho do professor Hamilton na preparação física e do Gabriel com os goleiros, optamos por um modelo de jogo mais ousado, com apenas um volante e marcação alta na maior parte do jogo”, destacou.

Para que a postura ousada se tornasse viável, Lima afirmou que foi fundamental os atletas acreditarem e confiarem no que era transmitido didaticamente e que se dedicassem nos treinos técnicos e táticos. “Dentro dos treinos táticos, incluímos especificidades de treinos para defensores, meias e atacantes, com exigência acima das de jogo, o que promoveu a evolução individual e coletiva que foi alcançada no decorrer das duas competições”, enfatizou o treinador.

 

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