Especial do Guaçuano: O camisa 1 do Mandi

Dando sequência ao trabalho que está sendo realizado por torcedores do Mandi que fazem parte do GAM (Grupo de Apoio ao Mandi), juntamente com a pagina do facebook “Torcedores do Mandi”(https://www.facebook.com/torcedoresdomandi), de resgatar a história do Clube Atlético Guaçuano, o GRANDE JOGADA traz hoje uma entrevista com José Carlos Casagrande, o Zé Muié, um dos grandes goleiros que marcaram história no Mandi. Acredita-se que foi um dos goleiros do Guaçuano que ficou mais tempo sem tomar gol, mais de mil minutos. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

GRANDE JOGADA: Onde você começou no futebol?
ZÉ MUIÉ: Comecei em times amadores da cidade (Bertioga, Grecema, Champion Clube, etc). No Clube Atlético Guaçuano, iniciei em 1973, com o Admir Falsetti (Bibi) como presidente.

GRANDE JOGADA: Além do Mandi, você jogou por outras equipes profissionais?
ZÉ MUIÉ: Em 1972, disputei a primeira divisão pelo Bragantino, mas, devido à falta de pagamento, ganhei o que se chamava na época de “passe livre” e retornei para Mogi Guaçu. Ainda neste ano, estive no São Bento de Sorocaba. Fiquei apenas três meses no São Bento, voltando para o Mandi. Fiz testes também no Santos, lembro que fiquei alojado nas arquibancadas da Vila Belmiro e meu pai ficou hospedado na casa de uma irmã do saudoso Luiz Fialho (ex-técnico do Mandi), que foi quem arrumou para eu fazer o teste, infelizmente não fiquei. No ano de 1981, encerrei minha carreira após o Mandi conquistar o titulo do grupo da Segunda Divisão.

 

GRANDE JOGADA: Qual foi o seu jogo mais marcante pelo Mandi?
ZÉ MUIÉ: Um que me recordo sempre aconteceu em 1975. Passei por um período de testes no Guarani, de Campinas, porém o saudoso técnico Zé Duarte me dispensou. Pouco tempo depois o Guarani veio fazer um amistoso contra o Mandi e eu fechei o gol, peguei tudo. Após o jogo a diretoria do Guarani e o técnico Zé Duarte vieram atrás de mim, querendo me levar para Campinas. Eu já trabalhava no escritório de meu tio e o mesmo me disse que se eu fosse eu não teria mais o emprego. Preferi continuar com o emprego.

GRANDE JOGADA: Qual sua maior conquista pelo Mandi?
ZÉ MUIÉ: As minhas maiores conquistas como titular foram os títulos de 1975 e 1977, quando o campeonato era por pontos corridos. Outra grande conquista, mesmo não sendo titular, foi na decisão em 1981 contra o Mogi Mirim, quando na “negra” em Limeira, vencemos por 4 a 3. Uma vitória inesquecível.

GRANDE JOGADA: Conte-nos um fato curioso ou engraçado que aconteceu contigo no Mandi.

Zé MUIÉ: Parei de jogar em 1981, quando nos sagramos campeões do grupo e eu estava na reserva. A partir daí, comecei a trabalhar como dirigente. Neste ano, após o titulo do nosso grupo, fizemos o quadrangular final com Cruzeiro, Novorizontino e Tupã. Chegamos na última rodada do quadrangular, um ponto atrás do Cruzeiro. Enfrentaríamos o Cruzeiro na casa deles.  Uma vitória nos daria o titulo sem depender de outro resultado. Perdendo ou empatando, seria preciso uma vitória do Tupã contra o Novorizontino para ficarmos com o vice e conseguir o acesso. Como a vitória do Tupã seria muito importante, lá fomos nós, eu e outro dirigente para Novo Horizonte, num fusquinha, com um “agrado” bem guardado na mala para oferecer ao time do Tupã. O jogo 0 a 0 e nós sem saber o resultado em Cruzeiro. Naquela época era comum saber o resultado de outros jogos, através do rádio da policia que fazia a segurança no estádio. Quase no final do jogo, fomos até os policiais e perguntamos o resultado em Cruzeiro, ficamos sabendo que o Mandi havia perdido por 3 a 0, sendo que a essa altura o Novorizontino já ganhava por 1 a 0, ou seja, nem fomos campeões e nem vice. Pegamos o fusquinha com o “agrado” dentro da mala e rumamos de volta para o Guaçu.·.

 

GRANDE JOGADA: O que você acha da situação atual do Mandi, vê perspectivas de um futuro melhor?
ZÉ MUIÉ: É triste, muito triste esta situação. Em minha opinião, diante de tanta controvérsia de dirigentes, das dividas, deveria se pensar Em fundar outro clube na cidade, com outro nome, começando tudo do zero, com diretoria competente e sem interesses pessoais ou políticos. Fazer uma parceria com um grande clube, que colocasse jogadores de categoria de base aqui para ganharem experiência em campeonatos de divisões inferiores. Seria bom para o clube grande e bom também para o Mandi.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *