A luta pela volta do Atlético Guaçuano não acabou

O Clube Atlético Guaçuano completará no dia 26 de fevereiro de 2019, 90 anos de história. Tradicional agremiação de Mogi Guaçu, o Mandi já travou inúmeros duelos com os rivais Mogi Mirim Esporte Clube, Esportiva Itapirense e Itapira Atlético Clube. Hoje, a briga é pela dignidade. Pelo simples, mas cada vez mais árduo retorno das atividades.

Os torcedores que lotaram o estádio Alexandre Augusto Camacho, nas mais variadas fases áureas do clube, não aguentam mais o vazio instalado com a ausência do clube. “É muito triste. Mogi Guaçu é uma cidade importante, uma potência no comércio e tantas cidades menores, tem apoio aos clubes. O Guaçuano teve apoio em outras décadas, mas em geral nunca teve tanto apoio”, afirmou Samir Gimenes, um dos milhares de apaixonados pelo Atlético. “Não consigo imaginar uma cidade como Mogi Guaçu com um clube inativo”, completou.

Apesar da dor no coração, Samir acredita que um retorno em 2019, para coroar as celebrações pelos 90 anos do Guaçuano, não será fácil. A missão de fato é complicada. O clube precisa contar com a liberação do estádio do Camacho, interditado desde 2012, organizar sua diretoria e as pendências com a Federação Paulista de Futebol (FPF). A partir desta edição 96 do GRANDE JOGADA, a briga pela volta do Mandi também é nossa.

Mas não pelo ‘voltar por voltar’. Queremos um Atlético Guaçuano forte e do povo de Mogi Guaçu. Assim como o Mogi Mirim e a Esportiva Itapirense. Reportagens sobre as situações que cercam o clube serão publicadas e os canais de comunicação do jornal estarão à disposição para que os torcedores façam sugestões de pautas. Representantes do poder público serão questionados e, pro ventura, cobrados, assim como dirigentes que recentemente ocuparam cargos de responsabilidade no Mandi. A luta pela volta do Guaçuano não acabou.

 

AUSÊNCIA

 

O Mandi está fora das competições da Federação Paulista há praticamente quatro anos. A última vez que o clube entrou em campo por uma competição organizada pela entidade foi em 23 de agosto de 2014, quando a equipe sub17 perdeu por 11 a 1 para a Internacional de Limeira. Era o presságio de que o clube viveria posteriormente um período nebuloso.

Nos campeonatos sub15 e sub17, o Mandi utilizou pela última vez o estádio municipal Alexandre Camacho. Desde então, seja no quarto ou no quinto mandato do prefeito Walter Caveanha (PTB), a praça pública jamais atendeu os pré-requisitos exigidos pela Federação Paulista. Aliás, independente do Guaçuano, o espaço deixou de ser a referência do esporte amador da cidade, perdendo esta função para o estádio do Furno, no Parque Cidade Nova.

O estádio é um dos três pilares que explicam a ausência de uma das agremiações mais queridas de São Paulo das competições profissionais e de base. O local está interditado desde o final de 2012, último ano antes de Caveanha reassumir a Prefeitura de Mogi Guaçu. Em 2013, sem o local liberado, o Mandi conseguiu jogar em casa, mas, sem torcedores. A campanha foi pífia e o clube quase caiu para a Segunda Divisão.

O fato foi consumado no ano seguinte. Mais uma vez sem o Camacho, o Guaçuano atuou como mandante em Itapira e longe do seu temido alçapão, foi presa fácil, terminando a Série A3 na lanterna. Em 2015, 2016, 2017 e 2018, o clube ficou fora da Segunda Divisão. Nos primeiros destes nebulosos anos, o fato de não ter um estádio em condições passou a ser o mote principal. Apenas uma das tantas batalhas necessárias para que o futebol profissional renasça em Mogi Guaçu. Uma luta que precisa de várias mãos. E do coração do torcedor guaçuano.

 

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