Jesiel Faustino: um itapirense que sonha com a Tóquio 2020

Faltam pouco menos de 90 dias para a abertura da Copa do Mundo, na Rússia. Enquanto muitos brasileiros já estão com a cabeça no Mundial, um itapirense tem o foco mais além. Os objetivos dele estão direcionados para 2020 e o Japão é o país que não sai da sua mente.

Jesiel Augusto Faustino pode colocar o nome de Itapira dos Jogos Paralímpicos de Tóquio. A competição será realizada de 25 de agosto a 6 de setembro, terá um total de 4.400 atletas, que se enfrentarão em 537 decisões de medalhas. O Comitê Paralímpico Internacional definiu que 22 modalidades estarão em disputa, entre elas a natação e o triatlo, provas em que Jesiel Faustino tem que destacado recentemente.

O atleta pertence à classe S5 na natação, ou seja, é concorrente de Daniel Dias, um dos maiores paratletas da história. Apesar das dificuldades, Jesiel tem estado sempre próximo dos grandes concorrentes, atingindo posições de destaque no ranking nacional. Em entrevista exclusiva ao jornal GRANDE JOGADA, ele revelou que o objetivo traçado por ele e seu técnico, Ricardo Rocha, é fechar a temporada na segunda posição no ranking, atrás apenas de Dias. Além da natação, há a meta de ingressar no paratriatlo, modalidade em que, acredita, ter mais chances de chegar a Tóquio. São os diferentes caminhos que podem fazer com que o nadador faça a conexão Itapira a Tóquio e coloque o nome da cidade no mapa da natação mundial.

Qual a sua deficiência?

Sou paraplégico, com lesão nas vértebras torácicas, T3,T4,T5. Não possuo movimentos da altura do peito pra baixo. Minha classe é S5, que é uma categoria com comprometimento de mobilidade severo, e é a mesma classe do Daniel Dias.

Desde quando tem esta limitação?

Obtive está deficiência em 2001, após um acidente de moto.

Quando e como o esporte entrou na sua vida?

Comecei na natação como uma forma de completar o tratamento por orientação da minha fisioterapeuta. E, após um convite da SEL Itapira para participar da equipe, comecei a competir como atleta paralímpico.

Qual a importância da prática esportiva para atletas com qualquer tipo de limitação física? A auto-estima é a parte mais relevante?

O esporte para pessoas com deficiência é fundamental tanto física como emocionante, pois te dá condicionamento para as tarefas do dia-a-dia e eleva sua alto estima, pois você descobre que é capaz de fazer coisas que qualquer pessoa sem deficiência faz, lógico que com algumas adaptações mas com a mesma eficiência. É quando se está numa competição de alto rendimento, você se dá conta que pode ir muito além do que você se achava capaz.

Qual foi seu primeiro torneio nacional?

Meu primeiro nacional foi em Fortaleza, onde, apesar de ser a primeira competição de grande importância, consegui fechar o ano em terceiro lugar no ranking nacional, atrás apenas do Daniel Dias, que é o ‘número 1’ do mundo e do Clodoaldo Silva, pioneiro no esporte.

Como é a sua rotina de treinos? Como ela encaixa com seu emprego e compromissos pessoais?

Atualmente faço fisioterapia duas vezes por semana e natação quatro vezes. Estou voltando agora à minha rotina normal após seis meses de intervalo devido ao nascimento prematuro das minhas filhas gêmeas. Mas já vou começar a treinar os cinco dias da semana, sendo que três destes em dois períodos, para fazer condicionamento físico. Quanto aos compromissos pessoais tento encaixar nos horários vagos, por isso que o apoio da família é fundamental para o desenvolvimento na minha prática esportiva.

Quais seus planos na natação? Sonha com a Paralimpíada de 2020?

Se tudo correr dentro do esperado, meu objetivo e do meu técnico Ricardo Rocha é fechar 2018 em segundo do ranking, atrás somente do Daniel Dias. Mas paralelo a isso, pretendo me ingressar no paratriathlon, só estou terminando de montar a minha cadeira de rodas speed, pois já consegui comprar minha Handbike e como não possuo nenhuma ajuda financeira tenho que comprar as coisas devagar pois são muito caras. Quanto às paralimpiadas, acho que tenho mais chances no paratriathlon pois já temos o número 1 do mundo, mas tenho esperança de representar o Brasil em em outras competições internacionais.

Sobre o paratriatlo. O que te fez querer ingressar nesta modalidade?

Eu sou mais fundista, pois tenho mais resistência do que velocidade, e na piscina a maior metragem pra minha categoria é a prova de 200 metros. Já no paratriatlo são 750 metros de natação, 20km de Handbike e 5km de cadeira de rodas speed. E eu sempre gostei dessa modalidade, só não ingressei ainda por condições financeiras mesmo. Pois, a cadeira racing, não é fabricada no Brasil e isso a deixa com o valor absurdo.

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