Esportiva inicia neste sábado a ‘Operação de Elite’

Domingo ensolarado em Itapira. Na avenida Castro Alves, um movimento de veículos jamais visto. As vias adjacentes tomadas por carros, motos e até caminhões de transmissão. A bilheteria da rua Duque de Caxias reativada para atender a torcida visitante, que deve lotar o ‘tobogã’ pela primeira vez. Policiamento reforçado, ambulantes vendendo espetinhos, bebidas e camisas da Esportiva Itapirense e do Palmeiras.

A partida é válida pela primeira rodada da Série A1 do Campeonato Paulista e um sonho finalmente é consumado. O futebol profissional de Itapira está na elite estadual. Esta descrição, que poderia ser de um repórter de rádio, é ainda uma mera ilusão. Porém, seguindo o discurso dos dirigentes da Esportiva nos últimos anos, sabe-se que a meta é alçar o clube à Série A1 do Paulista.

O caminho é longo e começa neste final de semana. No sábado (7), a Esportiva enfrenta o Independente de Limeira, às 17h00, no estádio Comendador Agostinho Prada (Pradão), em Limeira. Esta é a primeira das 14 partidas que o Coelho fará no Grupo 3 da primeira fase da Segunda Divisão Sub23. A Esportiva entra no campeonato após ficar um ano inativo nas competições profissionais. O último torneio foi a Série A3 de 2016, quando, ainda presidido por Luiz Marcos de Paula, o clube caiu de divisão.

No mesmo ano, o grupo AIRC Sports assumiu o comando da Vermelhinha. Ronaldo Silva foi eleito presidente e a empresa de Aparecido Inácio da Silva, do Cidão do Sindicato, passou a administrar a equipe. Em 2017, devido à falta de laudos, o clube ficou fora da Bezinha. No mesmo ano, o clube conquistou a Segunda Divisão do Paulista Sub20 e em janeiro deste ano o estádio Chico Vieira foi uma das sedes da Copa São Paulo de Futebol Júnior.

Para a disputa da Bezinha, a AIRC Sports conta agora com uma nova parceira, a Head Soccer, que tem como figura mais atuante no clube o diretor de futebol Careca Paiva. As duas empresas estão dividindo as despesas e a gestão do futebol. A montagem do elenco também passou pelas mãos das duas gestoras, em um trabalho que teve início efetivo em fevereiro, já com o técnico China.

O treinador é experiente na competição e já conquistou dois acessos. Em 2009, foi vice-campeão com o Atlético Araçatuba e em 2012 faturou o título com o Votuporanguense. Diferente dos anos em que teve sucesso, China agora não terá três jogadores acima do limite de 23 anos. Mesmo com uma ‘guerra de liminares’ entre a Federação Paulista e o Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo, o torneio foi mantido como exclusivamente sub23.

Assim, o grupo montado é jovem, com uma maioria de atletas ainda desconhecidos no cenário do futebol. O elenco itapirense ainda conta com oito colombianos, fruto da relação com a Head Soccer, que possui inúmeros atletas no futebol da Colômbia. Entre eles, destaque para o goleiro Daniel Rodríguez, o zagueiro Eric Mina e o atacante Néider Batalla.

O grupo ainda conta com jogadores que já atuaram na competição, como o centroavante André Santos, que defendeu o Grêmio Prudente e já passou pela base da Ponte Preta e da Chapecoense. O volante Murilo, que no ano passado defendeu o Amparo Athletic na Bezinha, é outro nome para a competição, assim como lateral-direito Cafu (ex-Guarani). O meia Ewerton Souza, com passagem pela base do Corinthians, também integra a lista. A relação oficial deve contar com no máximo 26 jogadores, sendo três goleiros. Para a primeira rodada, o limite de confirmação expirou ontem. As inscrições seguem abertas até 15 de junho. A maioria jogadores inscritos estão sendo registrados até 31 de outubro de 2018, já que a final do campeonato está prevista para o dia 27 de outubro.

Há ainda uma Lista B, com um número ilimitado de jogadores, que deve ser composta por atletas comprovadamente formados na base do clube. Nesta relação, constarão atletas como o goleiro Pedrão, o lateral-esquerdo Luís Eduardo e o volante Alexsandro, que disputaram o Paulista Sub20 pelo clube em 2017. O lateral-direito Felipe, o volante Arthur e o atacante Danilo, negociados como Avaí e o meia Denílson, que foi para o Flamengo, estão fora, assim como meia Guilherme Moralez, que deixou o clube após o fim do contrato.

Na luta pelo acesso, a Esportiva está no Grupo 3, que conta com clubes da região, como Brasilis, de Águas de Lindóia, Independente, de Limeira e o Jaguariúna, mas também adversários de cidades distantes. Comercial de Ribeirão Preto, XV de Jaú, Francana, de Franca e Grêmio São-Carlense, de São Carlos, compõem ainda a lista de escudos tradicionais que estão fincados na Bezinha.

O Paulista de Jundiaí, campeão da Copa do Brasil de 2004, o América de Rio Preto e o São José, vice-campeão paulista em 1989, são alguns dos mais fortes. Há ainda o peso histórico de Inter de Bebedouro, Bandeirante de Birigui e Taquaritinga, que passaram anos na elite estadual e também do Jabaquara, um dos membros fundadores da Federação Paulista de Futebol, em 1941.

Os 40 clubes estão reunidos em cinco grupos com oito equipes em cada. Os três melhores de cada chave, além do melhor quarto colocado segue no torneio. Na segunda fase, após sorteio, serão definidos os quatro grupos com quatro times em cada. Os dois melhores avançam para a terceira fase, que mais uma vez terá um sorteio para definição dos encontros. Serão duas chaves, mais uma vez com quatro clubes e os dois melhores avançam para a semifinal. Os finalistas sobem para a Série A3 de 2019, que será composta por apenas 16 agremiações. Uma operação realmente difícil, mas necessária para o sonho de colocar o futebol de Itapira na elite de São Paulo.

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