Mogi Mirim deve mandar jogos da Série D em Itapira

Não é novidade que o Mogi Mirim Esporte Clube passa por um dos momentos mais nebulosos de sua história. O Sapão da Mogiana foi rebaixado cinco vezes nos últimos seis campeonatos que disputou e ainda convive com salários atrasadas, processos na Justiça, especulação sobre a venda de seu estádio e uma constante incerteza sobre a participação em campeonatos.

Nesta temporada, o clube tem vaga na Série D do Campeonato Brasileiro como um dos quatro rebaixados da Série C de 2017. O clube está no Grupo A17, ao lado de Brusque (Santa Catarina), Prudentópolis (Paraná) e São José (Rio Grande do Sul). De acordo com os gestores Márcio Granada e Alessandro Botijão, que terceirizaram para si o futebol do clube até dezembro deste ano, o Sapo irá sim para a disputa da Série D.

A tendência é de que a comissão técnica, encabeçada por Angelo Neto, seja mantida. Foi com ele que o Sapo disputou as últimas rodadas da Série A3. A diretoria discute ainda quais nomes do elenco serão mantidos para o nacional e já tem acerto com novos atletas, que devem seguir algo que parece ter virado um hábito no Mogi de Luiz Henrique de Oliveira. Chegam, jogam e não recebem. Depois, acionam a Justiça, ampliando assim o rombo financeiro do clube perante a Justiça Trabalhista. Vale destacar que os jogadores que disputaram a Série A3 estão com salários atrasados e que, na reta final do torneio, um pagamento abaixo da folha foi realizado e rateado de forma proporcional entre os atletas.

Para que tenham condição de jogo, os atletas precisam estar registrados no BID (Boletim Informativo Diário) até o último dia útil que anteceder a partida. O Mogi estreia diante do Prudentópolis, fora de casa. Na terça-feira (3), a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) definiu que o jogo será no dia 22 de abril, às 15h00, no estádio Newton Agilbert, em Prudentópolis. A tabela detalhada das demais rodadas não foi publicada pela entidade. A estreia do Sapo como mandante está prevista para ocorrer entre 28 e 29 de abril e aí entra mais um detalhe importante.

O estádio Vail Chaves está interditado pela Federação Paulista de Futebol desde o ano passado. O clube possui o laudo de engenharia até 28 de agosto, mas os laudos de segurança, prevenção e combate a incêndio, condições sanitárias e de higiene e o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) estão vencidos. Como não há nem um mínimo sinal de movimentação do clube para reverter este quadro, a tendência é de que o Mogi repita o que fez na Série A3 e mande as partidas no estádio Chico Vieira, em Itapira.

De acordo com o Regulamento Específico da Série D, não há uma capacidade mínima exigida para as três primeiras fases da competição. A partir das quartas de final, os estádios precisam ter capacidade mínima de 5 mil espectadores sentados e sistema de iluminação adequados para partidas noturnas, itens que o Chico Vieira possui. Não há nenhum impedimento para a realização de partidas fora da cidade sede.

Em 2016, por exemplo, o Boavista-RJ, que é de Saquarema, mandou suas partidas no estádio Nivaldo Pereira, em Nova Iguaçu. Já o Tombense, em 2014, foi mandante em Muriaé (MG). Desta forma, as chances do Mogi Mirim jogar a Série D do Brasileiro em Itapira são de 99%.

Restaria apenas o acordo com a Secretaria de Esporte e Lazer (SEL) de Itapira, que, na Série A3, cobrou R$ 2 mil por partida nas quatro primeiras rodadas do clube como mandante e R$ 3 mil nos outros cinco jogos. Caso confirme os jogos da Série D em Itapira, o Mogi ainda terá que observar as datas em que a Vermelhinha mandará partidas da Segunda Divisão Sub23 e também das categorias sub15, sub17 e sub20 do Paulista. Os quatro campeonatos começam neste final de semana.

Além de interditado, o Vail Chaves foi abandonado pela diretoria. O local já foi encontrado mais de uma vez aberto durante a noite, sem nenhum tipo de segurança. Além disso, há mais de um mês a energia elétrica foi cortada por falta de pagamento e desde o dia 22 de março, também houve a interrupção do fornecimento de água, também devido ao acúmulo da dívida. Com Vail largado à sorte, mais uma vez o Chico Vieira será a casa do Mogi. Um inquilino que parece não se importar em voltar a morar a própria casa. Só falta fixar uma placa de ‘vende-se’…

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