Os pilares invisíveis na conquista da Aparecidinha

Quem assiste futebol muitas vezes se atenta apenas aos protagonistas óbvios. Os jogadores que estão em campo ou até mesmo o técnico, que orienta o time à beira do gramado. São peças importantes, assim como os pilares invisíveis de uma agremiação. Os dirigentes responsáveis por um time de futebol amador têm papel vital para que toda a engrenagem funcione. No Aparecidinha, a responsabilidade é dividida entre várias mãos.

João Carlos Villanova é um dos homens fortes do clube. No Aparecidinha desde 1980, quando o time foi fundado após o encerramento das atividades do time Fazenda Aparecidinha, Joãozão, como é chamado carinhosamente pelos colegas de clube, reconhece a importância do papel desempenhado. Há quase 40 anos, ele foi um dos que viu o primo Donizete Cavenaghi entregar a chave da equipe para Zé Carlos, atualmente auxiliar técnico do Aparecidinha. Ambos começaram a tocar o time, que, no decorrer do tempo, passou a contar também com outros familiares, como os tios João e Tonho e o primo Vardão, um dos grandes jogadores da história da agremiação.

As conquistas passaram a ser mais frequentes nos últimos anos, com os títulos de 2014, 2017 e 2018. O comando técnico ficou sob a supervisão de Arlei Diogo, experiente treinador com ligações fortes com o Santa Cruz, clube que disputa a Série A de Mogi Mirim, mas que também tem história no Rural.

Responsável por arrecadar dinheiro com patrocínios, João reconhece que, sem os parceiros, é difícil fazer futebol. “Nós temos um time forte, uma base forte, porque temos patrocínio”, enalteceu, relembrando empresas como a Villalva Frutas, Equílibrio Insumos Agrícolas, SM Agro, Pentagon e Grupo Potencial. “Foi graças às firmas que ajudaram a gente com patrocínio que conseguimos chegar onde chegamos. Claro que nossos jogadores foram fundamentais, tudo gente de bem, de família. Mas é uma luta grande. Vendemos rifa, lutamos, porque um campeonato hoje fica caro”, enfatizou.

João fez questão, inclusive, de enaltecer o trabalho do Jardim Soares, que, na visão do dirigente, fez um trabalho na raça. “A turma do Soares merece aplausos, eles foram campeões junto com a gente. Manter um time não é fácil”. O reconhecimento pelo trabalho quase invisível dos dirigentes é enaltecido por quem está há anos no futebol. Aos 43, Clodô é o xerifão da zaga laranja.

Na equipe desde 1998, jamais defendeu outra camisa no Rural e reconhece. Captar recursos é o que faz a diferença. “O trabalho mais complicado é o deles. Eles são a base. Porque se eles não correr atrás de tudo, o jogador não tem como fazer nada”. Irmão de Vardão, um dos grandes ídolos da Aparecidinha, o defensor pode não integrar a diretoria, mas, mesmo dentro de campo, é um daqueles que não aparecem para a torcida.

Com experiência, dosa o ímpeto dos mais novos quando a empolgação precisa dar lugar à cadência. Essa molecada dá trabalho (risos). Mas, eu agradeço por eles confiarem em mim, por poder jogar no meio deles. Por bem dizer, sou um vovozinho perto deles. Mas, acreditaram na minha experiência e ajudei a ganhar mais um título. Esta molecada merece, são raçudos”, enalteceu o defensor.

Com 20 anos de Copa Rural, Clodô explica que o campeonato é mais pegado que os torneios tradicionais. “O Rural é um jogo mais truncado, mais pegado. Não é igual de cidade que deixa tocar a bola. É rivalidade encima de rivalidade, tipo clássico. E tem o clima fora de campo também. Tem jogo na cidade que vê a torcida e tem meia dúzia. No Rural, você vê aquela quantidade de gente, é mais emocionante. Tem família, amigos, isso dá gosto de jogar”.

Para ele, o Aparecidinha é um time que entende bem este perfil de jogo e que tem na superação um dos grandes segredos. “O Aparecidinha é um time de muita raça. Se não vai na habilidade, vai na força física, se arrebenta, dá o sangue, mas com vontade. Quem vem de fora entra, sente a energia e sai um jogo muito pegado. Se o Aparecidinha se classifica entre os quatro, ele é chato”, exclamou o zagueiro, pilar de um time que conta com alicerces invisíveis, mas fundamentais.

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