Ramon Cruz: um itapirense na Superbike Brasil

A adrenalina de conduzir uma moto de alta cilindrada em velocidade que se aproximam ou até ultrapassam os 300 km/h é incontestável. Existem milhões de apaixonados por esta prática, mas, muitos se tornaram estatística de acidentes fatais no trânsito brasileiro. Ao perceber o risco que corria e ver a quantidade de amigos que estava perdendo, o itapirense Ramon Cruz decidiu encontrar uma fórmula de seguir guiando motos em alta velocidade, mas, com mais segurança.

“O medo me fez entrar no SuperBike. Vi amigos meus morrendo nas estradas, nas ruas e não podia mais fazer parte disso”, afirmou Ramon, em um bate-papo exclusivo com o GRANDE JOGADA. Três anos após a decisão, ele é o único representante da Baixa Mogiana no SuperBike Brasil, o principal campeonato de motovelocidade da América do Sul. Desde que começou a se aventurar sobre duas rodas, no Autódromo Ayrton Senna, em Londrina, Ramon não parou mais e se tornou cada vez mais um profissional da modalidade.

Toda a sua rotina é voltada para a competição. A alimentação regrada e os exercícios físicos constantes, com academia e corridas nas ruas de Itapira integram um pacote que o atleta faz questão de carregar. “O aspecto físico é fundamental. Segurar uma moto daquelas não é fácil não”, destacou. A força mental também é importante. A concentração ao conduzir uma moto a mais de 300 km/h é fator fundamental para reduzir as chances de acidente.

Neste caso, Ramon tem uma pitada a mais de dificuldade em relação à maioria dos pilotos que integram o grid da SuperBike Light, a sua categoria no campeonato. O itapirense não se limita a pilotar. É ele quem faz o acerto da sua moto, ao lado de alguns membros da equipe Qatar Racing. Mas, para reduzir ao máximo as despesas com cada corrida, Ramon também ajuda com as motos de outros pilotos, cozinha e desempenha outras funções nos boxes. “Sou mecânico de profissão, isso ajuda”, enfatiza. Em sua categoria, estão liberadas marcas como CBR 1000RR, BMW S1000R, ZX-10R, Yamaha R1 e Ducati Panigale.

Porém, para Ramon, a corrida mais complicada não é feita encima da moto. Ele frisa a importância dos patrocinadores atuais (Panificadora Pão Quente, Rogério Luvizotto e Lucas Rangel) e ressalta que a busca por novos parceiros é fundamental para que ele possa seguir como um representante itapirense em uma competição tão importante quanto a SuperBike. A competição tem uma exposição alta, com transmissão ao vivo no canal SporTV e também através da internet, nos canais oficiais do evento.

“Infelizmente não existe o apoio da Prefeitura. Tenho alguns parceiros, que são fundamentais para que eu possa disputar o campeonato e lutar por posições cada vez mais elevadas, mas o suporte não é suficiente para estar em altíssimo nível”, enfatiza. Trabalhando todos os dias da semana no estabelecimento comercial da família, Ramon descansa sem descansar. Isso mesmo. Os dias de folga são de trabalho nas pistas.

Este ano, a SuperBike terá oito etapas, sendo cinco em São Paulo, no Autódromo de Interlagos. Goiânia-GO, Curitiba-PR e Londrina-PR sediam as outras provas. A primeira etapa foi realizada no dia 29 de abril e o piloto foi o sétimo colocado. No ano passado, o itapirense foi o nono colocado no Campeonato Geral da SuperBike Light. Este ano, considerado pelo atleta como um divisor de águas, a meta é alcançar o pódio geral. “Quero ficar entre os cinco melhores do país na minha categoria. Eu preciso de um pódio de corrida também, para seguir motivado. Eu coloquei na minha cabeça que este aqui é o ano para decidir se sigo em alto nível ou se paro com as corridas”.

Para seguir como espelho para outros itapirenses e alcançar a meta traçada, Ramon aposta na presença em todas as etapas. No ano passado, quando alcançou o Top 10 na SuperBike Light, ele ficou ausente em duas das nove etapas. Com dedicação diária, mais experiência nas provas e o apoio de novos parceiros, a matemática pode levar o piloto para a condição que deseja. E, até mesmo, para algo que nem imagina. Ao ser questionado sobre o exemplo que pode dar para outros apaixonados por velocidade, que ainda seguem se arriscando e arriscando outras vidas nas rodovias da região, Ramon parecia não perceber a importância da atitude que tomou há três anos.

“Eu saí das ruas e rodovias por medo mesmo. Mas, a adrenalina é alta demais para ficar longe. Claro que o risco de acidente em um circuito existe, mas a infraestrutura é outra. Eu quero que mais pessoas, principalmente os mais jovens, percebam que é perigoso andar tão rápido em meio a outros veículos, nas rodovias. Além de manter a paixão pela velocidade aquecida, disputar o SuperBike proporciona outro sentimento maravilhoso, que é o de competir”, ressalta o itapirense que sonha em brilhar cada vez mais no cenário da motovelocidade nacional.

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