A febre das trocas de figurinhas da Copa

Começou! Enfim, o principal evento do mundo para os aficionados por futebol deu mostrou a que veio ontem, na abertura da Copa do Mundo da Rússia. Mas, apesar do pontapé inicial ter sido dado apenas ontem, para muita gente a Copa já começou faz tempo e as primeiras emoções aconteceram com os álbuns de figurinhas. Torcedores de todas as idades foram contagiados pela febre que se espalha a cada quatro anos. Até que o álbum esteja completo, cada figurinha traz uma emoção diferente para o colecionador. Mas, este não é um sentimento individual. Assim como o futebol, colecionar figurinhas é um “esporte coletivo”. Assim, toda uma mobilização em torno da troca de figurinhas é criada e legiões de fãs da brincadeira se reúnem para completar seus times, em momentos de descontração e diversão. Em Mogi Guaçu, um dos ‘points’ mais famosos quando se fala de álbuns de Copas é a Banca do Planalto.

Não precisa nem ser um apaixonado pelas revistinhas para saber que se tem Copa, tem álbum e lá é um dos melhores lugares para trocar, descontrair e garantir que nenhum astro vai faltar na sua escalação. Elisson Dutra de Miranda, proprietário da banca, comemora a fama do local no que diz respeito a troca de figurinhas e conta que pessoas de toda a região marcam presença, comprovando o sucesso da Banca do ponto . “Vem pessoas de varias cidades como Mogi Mirim,  Aguaí, Itapira, Poços de Caldas, Jaguariuna, Leme, Conchal, Araras e outras cidades”, destacou. Com um publico tão grande, o movimento é garantido a todo momento. Segundo ele, durante os dias úteis, cerca de 30 pessoas marcam presença para trocar figurinhas. Já no fim de semana este número cresce exponencialmente e passa dos 100. Entre tantas pessoas que passam pelo local, Miranda destaca que a diversidade é uma marca registrada.

Meninos e meninas, homens e mulheres, senhores e senhoras de todas as idades querem garantir os ‘cards’ e se reúnem garantindo uma deliciosa interação que ultrapassa gerações. “O publico q se encanta com os álbuns varia de 0 a 100 anos e ambos os sexo”, brincou. E é justamente este envolvimento, recheado de troca de figurinhas (e de experiências) que o proprietário da Banca Planalto destaca como o melhor de toda a catarse criada em torno dos famosos álbuns. “No meu ponto de vista o melhor do álbum e a interação familiar entre pai e filhos”, opinou. Além de proporcionar momentos que muito provavelmente ficaram marcados na memória, para as crianças, a brincadeira tem um quê a mais. Comprar o álbum e os pacotes de figurinhas, organizar, selecionar o que será colado, separar figurinhas para a troca, negociar e concretizar a transação colaboram para o desenvolvimentos de talentos e habilidades que serão úteis para a toda a vida, além de dar aquela ajudinha na escola e ajudar a aprender sobre solidariedade.

“Segundo as professoras, o desenvolvimento matemático das crianças e muito grande com o álbum”, disse e completou “aqui na banca desenvolvemos muito a solidariedade entre as crianças. Doamos álbuns para as crianças da Casa Abrigo e colocamos uma urna para que todos que passem por aqui ajudem com doações de figurinhas que as crianças da Casa Abrigo completem seus álbuns e tem sido um sucesso entre as crianças o fato delas poderem ajudar”. Com toda esta mobilização em torno dos álbuns, Miranda conta que tem clientes que já completaram 10 álbuns de figurinhas e outros que estão começando agora… Se você ainda não fez o seu, contagie-se!

MEMÓRIAS

O instrutor de autoescola, Josias Hermógenes de Andrade, de 49 anos, é um veterano no que diz respeito a colecionar álbuns de figurinhas de Copas do Mundo. “O primeiro foi de 1982, Ping Pong. Masquei muito chicletes vivia com a boca cheia deles”, brinca com a recordação. Desde o primeiro álbum montado com figurinhas do famoso chiclete, a coleção cresceu bastante e hoje já conta com nove peças. As Copas de 1982, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014 foram eternizadas nas lembranças de Andrade com os álbuns que ele guarda com todo o carinho.

Com o livro da Copa de 2018 também já completo, o veterano das figurinhas já está na torcida pela Seleção Brasileira. “Sou fã de carteirinha da Seleção Brasileira, espero ser campeão! Estou muito confiante”, garantiu. Para ele, a construção dos álbuns e toda a movimentação gerada em torno da questão vão muito além de apenas ver os espaços preenchidos. “Além de você colecionar, acaba trazendo um pouco de recordação de infância, fora q você acaba fazendo muitas amizades conhecendo pessoas novas”, destacou.