Mogi Mirim EC: um clube abandonado

Dois centros de treinamento, apartamentos para atletas e treinadores, academia e um estádio com capacidade de receber jogos organizados até pela Conmebol. O gramado tratado como uma divindade e os salários pagos rigorosamente em dia. O Mogi Mirim Esporte Clube, exemplo até para agremiações de maior porte, não existe mais. Ele foi abandonado, em um processo que se agravou a partir de 16 de junho de 2015.

Neste dia, foi assinado um instrumento particular de contrato de pagamento de mútuos e outras avenças. Rivaldo Ferreira, então presidente da diretoria executiva, firmou acordo com Victor Manuel Simões. Este foi o primeiro passo oficial para a mudança de gestão no clube e que colocou Luiz Henrique de Oliveira no jogo político do Sapo, assumindo a condição de presidente 30 dias depois do citado acordo.

No contrato de 16 de junho de 2015, Victor assumiu a dívida de R$ 10,9 milhões que o Mogi tinha, no entendimento das partes, com Rivaldo. O documento enfatiza, inclusive, que “Rivaldo é presidente do Mogi, entidade esportiva em franca atuação em campeonatos da elite do futebol nacional”. Pois é, isto está no passado. Três anos após a assinatura daquele contrato, o Mogi não disputa mais competições nacionais. Foi rebaixado na Série B, em 2015, na Série C, em 2017 e eliminado na Série D. Na melhor das hipóteses, estará de volta ao cenário nacional apenas em 2021. Ainda com uma visão otimista, o retorno à elite estadual aconteceria apenas na temporada 2022.

Além do rebaixamento técnico, o Sapo também perdeu o status de modelo. Se tornou um inadimplente confesso e habitual, deixando funcionários e fornecedores na mão. Luiz Henrique de Oliveira é o nome referencial neste processo, já que ocupa, desde julho de 2015, a cadeira de presidente. Neste período, contou com o apoio de amigos e familiares, que também contribuíram para a queda do Sapo.

Houve também a presença de investidores. Os mais recentes, Márcio Granada e Alessandro Botijão, possuem contrato com o Sapo até o final do ano, mas, não aparecem na sede do clube há semanas. Por mais que tenha havido recesso após a eliminação na Série D, o cenário no estádio Vail Chaves é deprimente. Nos últimos meses, há inúmeros relatos que indicam que os portões do clube estão ficando abertos de forma recorrente.

As imagens desta página, fotografadas por torcedores, expõem o cenário deprimente que começou a ser agravado em junho de 2015. O mato alto toma conta da área próxima à parte inferior do tobogã. A academia está depredada, com sinais de arrombamento perto de materiais de uso do clube. Sacolas de lixo ilustram a paisagem que já recebeu tantos e tantos atletas importantes. Há peças de roupa abandonadas nos vestiários, além de muita sujeira. No estacionamento, também estão os dois ônibus que não foram vendidos pelo clube (houve a tentativa, mas a Justiça bloqueou os bens do Mogi). O ‘Vermelhão’, que conduziu o clube há inúmeros jogos nos últimos anos, está destruído. Não tem rodas e pneus. O painel está em cacos. É o reflexo do Mogi atual, uma máquina enorme e sem direção.

As imagens corroboram com as declarações recentes de atletas e treinadores. Ao repórter Diego Ortiz, do jornal O Popular, o técnico Carlos Júnior, que comandou o time na Série D, falou sobre o estado de abandono do clube e atletas denunciaram que, além do estado precário das instalações, sofreram com a falta de alimentação em vários dos dias de trabalho. A reportagem do GRANDE JOGADA buscou durante toda a semana um posicionamento de Márcio Granada, que assumiu o papel de responsável pelo futebol do Mogi em 2018, mas o dirigente não atendeu as ligações.

Enquanto isso, o clube segue abandonado, à espera de uma mudança na forma de administrar um dos patrimônios mais importantes da cidade, que tem se transformado em algo profetizado por Rivaldo em maio de 2014, um ano antes de passar o clube para o grupo de Luiz Henrique de Oliveira. “Isso aqui vai ficar um deserto, pode ter pessoas se reunindo aqui, pode ter drogas, vai virar um museu”. Rivaldo disse e está acontecendo. E pior do que as palavras do ex-dirigente se transformarem em verdade, é o estádio, último bem material do clube, ser vendido, como Luiz Henrique já declarou várias vezes este ano. Quer transformar o local de tantas glórias do Sapo em um Shopping. A desculpa é que as dívidas só aumentam, mas elas só crescem pela incompetência dos próprios dirigentes. Um caos tão insano, que parece até calculado…

 

JUSTIÇA

 

Com a situação estarrecedora do Mogi Mirim, há anos ocorre também movimentações na Justiça local para que o clube tenha um novo rumo administrativo. Na sexta-feira (8), o juiz Fábio Rodrigues Fazuoli tornou público que o julgamento de vários processos impetrados por um grupos de associados do clube nos últimos meses. Na última movimentação, o magistrado determinou que a audiência de instrução, debates e julgamento será no dia 4 de julho, às 14h00 e todas as partes serão intimadas.

Os processos foram distribuídos para a 3ª e a 4ª Vara da Comarca de Mogi Mirim e tem, entre os requerentes, o ex-gerente de futebol do Sapão, Henrique Peres Stort e o ex-assessor de imprensa do clube, Geraldo Vicente Bertanha. Uma das ações pede a nulidade da assembleia do dia 18 de novembro de 2017, convocada pela atual diretoria e que reelegeu Luiz Henrique de Oliveira na presidência do Mogi.

Também estão registrados os pedidos de suspensão dos efeitos de resolução, assembleias, deliberações administrativas tomadas pela atual administração do Mogi Mirim Esporte Clube, até o mês de setembro de 2016; além da proibição de realização de jogos do clube, sob seu mando, fora do município; a determinação de concentração dos recursos do clube em uma única conta bancária; a vedação a alienação de bens móveis e imóveis sem anuência da assembleia geral; e a proibição de cessão de direitos de exploração do futebol profissional sem que haja aprovação da assembleia geral.

Há outro processo em trâmite na Justiça local que pede a declaração de legalidade das deliberações tomadas em Assembleia Geral de Associados realizada em 18 de julho de 2017 e não reconhecida pelo corpo diretivo do Mogi Mirim Esporte Clube.Com a audiência marcada para o próximo mês de julho, a tendência é de que, ao menos na Justiça, a situação do Mogi fique perto de um desfecho. Enquanto a morosidade judicial se prova uma marca registrada deste país, o clube segue em seu lento e doloroso processo de assassinato público.

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