As muitas histórias do Córgo do Coxo

Os futebolistas mais saudosos devem lembrar com carinho do Varzeano e do Rural. Os campeonatos que movimentavam os atletas amadores de Itapira construíram histórias de clubes eternos. Alguns, não estão mais em atividade. Outros, seguem vivos e cada vez mais fortes. O Córrego do Coxo Futebol Clube é um exemplo.

Fundado há 70 anos, no bairro que lhe emprestou o nome, o Córgo, como é conhecido, é um destes patrimônios imateriais do futebol local. E isso tudo vai muito além da equipe que disputa a Primeira Divisão da Copa Itapira de Futebol Amador. Na década de 1940, a equipe foi fundada por membros de duas famílias. Os Crico e os Salmaso se uniram para criar o time. O antigo campo do Córgo do Coxo era a casa da equipe grená. O vínculo familiar sempre foi mantido.

Anos depois, quando o Córgo montou uma de suas formações mais fortes, esta relação fraterna era ainda mais destacada. Em 1978, a equipe venceu o Campeonato Rural. Na escalação, o goleiro era João Pedroso, irmão dos laterais Osvaldo Pedroso e Nenê Pedroso. A zaga era formada pelos irmãos Bá e Sérgio Bordignon. No meio campo, Lau Oliveira tinha a companhia dos irmãos Osvalter Crico e Zé Crico. Já o ataque contava com os irmãos Claudiomiro Luppi e João Luppi.

O entrosamento familiar deu mais do que certo. Na semifinal, o Córgo venceu o time da Fazenda São Roque, um dos mais fortes da época. A base do rival era de jogadores do União Bandeirantes, um dos grandes times do Varzeano na época. Na final, contra o Rio Manso, o Córgo sofreu o primeiro gol aos 36 minutos, mas, empatou aos 42 e marcou o gol do título aos 44. A final foi no Chico Vieira e está na retina de um daqueles que carregam nas veias o DNA do Córgo. Edson Crico é filho de Osvalter, volante titular do time de 1978. Criança naquela época, ele recorda de detalhes e de como equipes tradicionais, como Kalunga, Vergel e União Bom Jesus sofriam quando iam jogar no campo do Córgo.

Hoje, este gramado está desativado. As traves que por vezes foi a meta de todo domingo, não estão mais lá. Porém, as mais de 200 taças conquistas ao longo da história seguem guardadas. A maioria, com a família Crico. Edson, hoje é presidente da agremiação, que vive um momento diferente, como todo Amador itapirense.

O grupo não é mais formado por famílias residentes no bairro e o Córgo disputa o ‘campeonato da cidade’. A disputa foi retomada em 2008, com a presença na Segunda Divisão. Logo no primeiro ano, a equipe conquistou o acesso, retornando à Segundona em 2010. No ano seguinte, veio o primeiro título e um novo acesso. Depois, o clube registrou uma oscilação. Rebaixado em 2012, foi campeão da Segundona em 2013, caiu novamente em 2014 e, em 2015, foi mais uma vez campeão da Segunda Divisão. A partir de 2016 o clube se estabilizou na elite, chegando às semifinais por dois anos seguidos. Na atual temporada, a equipe está classificada para a segunda fase e já garantida para o quarto ano seguido na elite.

Um trabalho que segue com o envolvimento da família Crico, mas que ganhou outros pilares importantes, como Diego Bosso, Jorge Alexandre Jaconi e José Arialdo, o Pardá. No elenco, figuras que há anos defendem a camisa verde e grená, como Pardá, Lê e Indião, que ganharam a companhia de reforços para a temporada, como o goleiro Juba, o meia Julinho e o atacante Gu. Se o título da Primeira Divisão virá, só o tempo é capaz de dizer. Mas, cada jogador e torcedor do Córgo pode ter orgulho de envergar uma camisa tão tradicional. Independente de onde estiverem, os Crico e os Salmaso que deram o pontapé inicial a este roteiro estão orgulhosos. O Córgo é uma família que agrega famílias.

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