Valencia: A amizade dos Morcegos

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A amizade, nem mesmo a força do tempo irá destruir. O samba do Fundo de Quintal, que já embalou muitos churrascos e cervejadas, também pode servir de enredo para o Valencia Futebol Clube. O Morcegão hoje é um dos clubes mais visados da Copa Itapira de Futebol Amador, mas, quando nasceu, em 2004, tinha apenas a ideia de reunir bons amigos. O saudoso Hideraldo, junto com o amigo Americano, foi um dos responsáveis pela fundação. Toninho e Julinho também tiveram participação importante no primeiro ciclo.

Tudo começou com amistosos e entre 2005 e 2007 o clube disputou a Segunda Divisão. Em seu terceiro ano de amador, o Valencia foi campeão. O círculo de amizade já reunia figuras que continuam até hoje vinculadas ao clube, como Rick, à época jogador e atualmente auxiliar técnico e dirigente. Benedito Donizete Bueno da Silva, o Benê, hoje presidente, comandava o time que contava, entre outros, com Gabriel Santa Lucia, filho do ex-jogador Fifo, um dos grandes nomes da história do futebol itapirense.

Benê e Gabriel, aliás, se tornaram compadres. Em 2008, eles conseguiram reforçar o time para a disputa da elite e ampliaram ainda mais este tal círculo. Jogadores com passagem pelo tradicional Paulista reforçaram o time que tem como base o bairro dos Prados. Leandro, Gattei, Votu, entre outros, desembarcaram e integraram o time que, logo na estreia, perdeu a final para o Latitude, um dos maiores vencedores do amador itapirense.

A partir daí o clube começou a escrever uma história fixa dentro da elite do futebol de Itapira e os laços de amizade foram ampliados. A renovação dos elencos, por motivos como aposentadorias ou questões profissionais, tornou a turma cada vez maior. Dentro de campo, o Valencia seguiu em crescimento. Em 2009, disputou a segunda final, perdida para o Botafogo.

Já a primeira taça na elite foi erguida em 2012, ao ganhar exatamente do Botafogo na final. Em 2015, a equipe retornou à decisão, desta vez batendo o BFC União e no mesmo ano faturou a Copa Integração. No ano seguinte, o clube voltou à finalíssima da Primeirona e, desta vez, o time do Barão levou a melhor. Mais do que a perda do título, o clube esteve perto de encerrar de vez seu ciclo no Amador.

A possibilidade de deixar o campeonato era latente, mas, mais uma vez, a amizade foi fator preponderante para a manutenção da história. Porém, uma fatalidade fez parte deste capítulo. Hideraldo, um dos homens do começo deste texto, que ajudou a fundar o Valencia, foi assassinado em janeiro de 2017. Ele seguia ativo na diretoria e comissão técnica e a perda do amigo mexeu com os integrantes, principalmente os mais antigos.

Votu, que havia decidido pendurar as chuteiras, se reuniu com Kaique, Batata e Rudy. O encontro terminou com a convicção de que o Valencia precisava ser mantido. Iniciaram a corrida pela captação de novos atletas, já que muitos tinham encerrado o ciclo no Amador. Votu virou técnico, e amigos e familiares de outros atletas foram agregados. O círculo de amizade foi ampliado e o Valencia terminou 2017, um ano que começou incerto, com o título de campeão da 1ª Divisão.  Pois é, como diz a canção que celebra a amizade, esta, nem mesmo a força do tempo irá destruir. Nem mesmo este texto pode resumir. E é assim, chorando o choro, sorrindo o sorriso, que o clube segue. Valencia, nem melhor, nem pior. Apenas, diferente!

Post Author: Lucas Valério

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