Três anos de uma ‘Era Catastrófica’ no Mogi

15 de julho de 2015. Nas alamedas do estádio que ainda carregava o nome de Romildo Ferreira, cerca de 50 pessoas definiam o futuro do Mogi Mirim Esporte Clube. Após 30 dias de transição, chegara o dia de efetivar a mudança na gestão administrativa do Sapão da Mogiana com a Assembleia Geral Extraordinária. Rivaldo Ferreira, após quase sete anos de presidência, renunciou ao cargo. Junto com ele, todos os que ocupavam cargos eletivos abriram mão da atuação para serem substituídos por pessoas ligadas aos novos gestores.

Mas, o posto mais alto, se destacava. Uma função que havia sido ocupada por figuras mogimirianas como Nagib Chaib, Tonicão Guerreiro e Wilson de Barros, foi assumida, há três anos, por Luiz Henrique de Oliveira. O carioca radicado em Guarulhos se tornou presidente de uma das agremiações mais tradicionais do futebol brasileiro. Ao lado de LHO estava Victor Manuel Simões. O português, milionário e proprietário de inúmeras padarias na capital, era o homem do dinheiro e ocupou o cargo de vice-presidente.

Tanto que foi Victor quem assumiu os R$ 10,9 milhões que Rivaldo argumentou existir de dívida do clube com ele. O português colocou pessoas de confiança no Mogi, entre eles, o próprio Luiz. Nélio Antônio Simões Coelho, sobrinho de Victor, se tornou o presidente do Conselho Deliberativo. No Conselho Fiscal estavam os filhos de Luiz, Diego e Felipe Oliveira.

Meses depois, uma crise interna colocou Luiz e Victor em lados opostos. O embate terminou com vitória do presidente, que teve o seu processo de impeachment mal conduzido por seus antigos aliados e agora opositores. Victor se afastou e nem mesmo quis responder os questionamentos da reportagem sobre a passagem pelo clube. Na Justiça, quem venceu foi Oliveira. Já o Mogi Mirim, perdeu demais nestes três anos.

O GRANDE JOGADA já apresentou inúmeras histórias que entristecem o mogimiriano de coração. Salários atrasados, terceirizações sem transparência, deterioração do patrimônio, rebaixamentos consecutivos nos campeonatos, goleadas vexatórias e um futuro incógnito. A visão de que estes três anos de Luiz Henrique de Oliveira foi desastrosa é compartilhada por jornalistas de vários veículos de comunicação.

O repórter Fernando Surur, do O Popular, de Mogi Mirim, destacou que a ‘Era’ começou errada já na transição, com Rivaldo. “Faltou transparência a partir do momento da saída do Rivaldo. Ele tinha obrigação de convocar uma entrevista coletiva, toda a imprensa que cobre o Mogi Mirim, que tem algum interesse no Mogi Mirim e explicar. Estou saindo do Mogi Mirim Esporte Clube, a partir de hoje, quem assume é este cidadão, que já teve experiências nestes locais e foi galgado ao meu posto por eu acreditar que ele é competente ou não ou por acreditar neste ou aquele motivo. O básico e não houve. Ele anunciou se supetão, da noite para o dia e ninguém conhecia quem era Luiz Oliveira”, destacou.

A sequência que veio depois da transição, a maioria conhece. Para Murilo Borges, repórter do Globoesporte.com, o período de LHO à frente do Sapo pode ser definido como catastrófico. “Pelo que é mostrado em campo, com rebaixamentos, derrotas e participações vexatórias em praticamente todos os campeonatos nesses três anos. Mas, catastrófico também no aspecto de gestão, com acúmulo de problemas financeiros, a ponto de passar a vergonha de jogadores se reunirem fora do estádio para discutir uma greve em meio à campanha na Série C do ano passado”, destacou o jornalista.

Durante anos como responsável pela cobertura do Sapo no Globoesporte.com, Guto Marchiori compartilha de sentimento semelhante ao de Murilo. “Se fosse para resumir em uma palavra, essa seria ‘desastre’. Avaliando o mérito esportivo, em campo, o clube saiu da elite paulista para a última divisão. No Brasileiro, o prejuízo foi ainda maior: deixa de ter divisão. A tradição de uma equipe como o Mogi Mirim não merecia tal situação”, frisou Marchiori.

Na opinião do jornalista, a atual administração comprovou não saber o que faz. “Acompanhei boa parte da transição e dos primeiros anos de gestão. Só piorou. Quando no futuro lembrarem da história do Sapo, esse período, infelizmente, terá um capítulo especial. Triste fim para uma equipe de tantas glórias e tradição”.

João Gonçalves é outro que vê com lamentação os últimos anos do clube. “A gestão Luiz Henrique conseguiu reduzir a zero o orgulho do torcedor em ser Mogi Mirim Esporte Clube. O nome e a história da agremiação, construída com muito sacrifício, foi jogada no lixo. Jogadores, treinadores e dirigentes não respeitam o Mogi, porque não respeitam LHO. O Sapo foi transformado em um balcão para os piores negócios. Não há transparência. Uma completa falta de ética. Não dá nem mesmo para chamar de gestão. É apenas exploração. Um desastre inimaginável, mas, previsível desde o primeiro dia”.

Quem também acompanhou de perto a situação do clube foi Paulo Renato Lilli. Que já foi setorista do clube pelos jornais O Impacto e GRANDE JOGADA, e atualmente responsável pela editoria de Esportes no jornal A Comarca, o repórter destacou a desastrosa ‘Era LHO’. “Foi uma gestão catastrófica. Eles conseguiram a proeza de levar o Mogi para o fundo do poço. Derrubou no estadual e no brasileiro. Ele fala em falta de apoio, mas, ele implantou essa forma de gerir, sem transparência, às escondidas, trazendo pessoas sem vínculo algum com a cidade e todas sem preparo mínimo para conduzir um clube de futebol, ainda mais um clube profissional”.

Também repórter de A Comarca, Flávio Magalhães acompanhou vários dos últimos capítulos do Sapão. Para ele, em 2017, quando explodiu a tensão entre o presidente e a oposição, liderada pelo Grupo S.O.S Mogi, Luiz Henrique deixou cair a última máscara. “Até aquele momento ele era um falastrão. Não tinha palavra, mas sempre arrumava uma desculpa para justificar a incompetência. Do ano passado para cá se revelou um déspota. Não demonstra respeito nenhum pelo futebol profissional e pelo papel social que um clube da envergadura do Mogi Mirim representa para sua cidade”.

Na visão de Magalhães, Luiz Henrique não age mais como se fosse dono do Mogi. Age como se fosse seu criador, pois acredita que tem o direito de acabar com uma instituição centenária. “Sem dúvidas, é uma tragédia que Luiz Henrique tenha ido tão longe, na presidência do clube e em seus atos prejudiciais ao Mogi Mirim. Hoje, infelizmente, ele não passa de um vampiro que suga as últimas energias do MMEC”.

A situação é alarmante, como destaca Fernando Surur. O repórter do O Popular não vê perspectivas para o clube. “Não existe moral com a cidade, não existe bom trânsito na Federação Paulista. O Mogi tinha poder e respeito e não tem mais”, frisou. Surur ainda enfatizou que passou a infância inteira frequentando o estádio, ao lado do pai, Dirceu Surur e que o momento é triste. “Me deixa muito mal ver esta situação. Acho que o Mogi não tem salvação. É uma situação caótica e revoltante ao mesmo tempo. Precisava de alguém que assumisse o clube, um grupo forte, unido”.

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