Mirlene vence e quebra recorde de prova na Espanha

A esquiadora e corredora mogimiriana Mirlene Picin venceu no domingo (15), a 2KV Collarada, única prova de Kilometro Vertical realizada na Espanha. O evento, em sua oitava edição, tem largada do vilarejo de Villanúa, Huesca, Região dos Pirineus Aragones, com chegada ao topo do Pico Collarada. Com premiação em dinheiro para as quebras de recordes, a prova atrai corredores de toda a Espanha e outros países.

O recorde feminino da prova pertencia à espanhola Ainhoa Lendinez, com o tempo de 1 hora, 52 minutos e 40 segundos, registrado na edição de 2013. A mogimiriana, porém, quebrou a marca, ao baixar a marca em oito segundos. Ela foi a campeã geral feminina com 1 hora, 52 minutos e 32 segundos.  O recorde da prova masculina não foi quebrado nesta edição e ainda pertence ao espanhol Ferrán Teixido Martí, com o tempo de 1 hora, 24 minutos e 14 segundos, registrado em 2017.

Pódio Feminino 2018

1 – Mirlene Picin – Brasil – 1:52:32
2 – Isabel Pérez Lahera – Espanha – 1:55:05
3 – Oihana Zubillaga Blanco – Espanha – 1:58:27

Pódio Masculino 2018

1 – Iñigo Lari – Espanha – 1:27:27
2 – Enric Pruna Galocha – Espanha – 1:35:03
3 – Carlos Cipres Castillo – Espanha – 1:35:15

HISTÓRIA

O primeiro evento de Kilometro Vertical da história aconteceu na Itália, em Cervinia, no ano de 1994. O Kilometro Vertical consiste me provas de subida na montanha. A largada é feita na base e o ponto final costuma ser o pico. O Kilometro Vertical não é uma prova de 1 quilômetro de distância e sim de 1 quilômetro de desnível positivo. As distâncias dos eventos podem variar de 2.5k até no máximo 5km morro acima. O percurso tem que ter um ganho de elevação ao redor de 1.000 metros, com inclinação variando entre 35% a 50%.

A prova de 2KVCollarada é o único evento de toda a Espanha em que se realiza o Kilometro Vertical Dobrado. Ao invés dos 1.000 metros, são 2.016 metros de altimetria positiva acumulada, em um percurso de 8,5 quilômetros. A prova larga da base da montanha no vilarejo de Villanua, a 870 metros do nível do mar e chega ao Pico Collarada a 2886m de altitude.

A Espanha é o local onde se concentra a maior quantidade de provas deste tipo, com uma cultura muito grande dessa modalidade. A maior dificuldade de se realizar o Kilometro Vertical Dobrado é encontrar um local que permita toda essa ascensão em uma subida única e também a segurança dos atletas. Muitos trechos tem que ser ultrapassados pelos atletas com técnicas de escaladas, mas sem o equipamento de segurança.

A largada dos atletas é feita individualmente contra o relógio, dividida em baterias de 8 a 10 atletas, ou a largada em massa, como estamos acostumados em qualquer evento de corrida. Ganha quem fizer o menor tempo do ponto mais baixo ao ponto mais alto. Os bastões de caminhada são muito utilizados entre os corredores desta modalidade. O 2KV de Collarada foi o segundo evento desta modalidade que a atleta competiu.

A estreia nesta modalidade foi no mês último mês de maio, no Kilometro Vertical de Zegama, no País Basco. O evento contou com mais de 1.000 metros de ascensão direta em um percurso de 5,4 quilômetros. A corredora e esquiadora competiu em quatro provas nos últimos dois meses na Espanha e subiu ao pódio em três oportunidades. Ela foi campeã da Trail Tozal de Guara de 21 quilômetros, terceira colocada na Transchinepro 21 quilômetros e campeã do 2KV Collorada.

A atleta começou a se destacar em provas com características com mais trechos de subida na Ultra Two Oceans 56 quilômetros, realizada na Cidade do Cabo, na África do Sul, em março de 2013. Mika registrou o melhor tempo de uma brasileira nessa prova, que havia sido marcado no ano de 2002. A atleta possui até hoje o melhor tempo que é de 4h53min34seg. Em novembro do mesmo ano, a atleta venceu a Mizuno Uphill, a primeira maratona de subida do Brasil, realizada na Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina. Na edição de 2014 da Mizuno Uphill, Mirlene foi a vice-campeã. Nenhum dos eventos, se comparam a altimetria acumulada, inclinação e trechos técnicos das provas de Kilometro Vertical.

Mirlene tem patrocínio da Visafértil, Fermac Cargo e Nanobr Nanotecnologia, apoio da Murilhas Comunicação, Hospital 22 de Outubro e Bonés Skiroll e parceria com a Sejel de Mogi Mirim e Studio Zentro – Huesca.

Crédito das fotos: Ramon Ferrer/Organização/Arquivo Pessoal