Estádio Forunzão: A nova casa do Mogi Mirim EC

Alô, torcida mogimiriana. Hoje é dia de emoção e a sua Rádio Sapão da Mogiana está em mais uma jornada esportiva. As equipes já estão escaladas. No centro, o juiz. É ele a autoridade máxima em mais uma partida que decidirá a vida do nosso querido Mogi Mirim Esporte Clube. E a bola rola aqui. Estádio Fórum da Comarca de Mogi Mirim, o Forunzão!

Esta poderia ser muito bem a introdução de um narrador ao transmitir uma partida do tradicional Mogi Mirim. O estádio Vail Chaves está abandonado, jogado às traças, que devoram, dia a dia, a dignidade de um clube que já ousou pensar em ser grande. Atualmente, a nova casa do Sapão é mesmo o Fórum. Os jogadores escalados são advogados e o torcedor nunca teve um papel tão vital para definir o futuro de uma equipe. É graças às ações de alguns destes apaixonados pelo Mogi que a luta pela reconstrução mogimiriana continua. É claro que o apelo ainda é pequeno. O Forunzão parece que jamais lotará. Não há pressão no alambrado contra aqueles que detonaram uma história.

Passiva, Mogi Mirim pouco sabe sobre o verdadeiro jogo do Mogi. Uma partida que tem apenas uma semelhança com o que rola nos gramados. A decisão final de cada lance está nas mãos de um juiz. Na segunda-feira, dia 20 de agosto, teremos mais um destes capítulos. O magistrado responsável é Fábio Rodrigues Fazuolli. A audiência estava marcada para o mês de julho, mas, para variar, Luiz Henrique de Oliveira deu W.O. Nas mãos do atual presidente, o Mogi já foi ausente em partidas que não poderia falhar. O Sapo caiu cinco vezes, mas LHO não cai de jeito nenhum. A gestão é claramente a pior da história do clube e está evidenciada pelos números. Com Oliveira e seus escudeiros, o Mogi saiu da Série B do Brasileiro para o limbo. Não podemos nunca deixar de citar Rivaldo, o ex-presidente que tem sua parcela de culpa no processo. Mas, quem tem a caneta na mão é Luiz Henrique e é ele que precisa ser descartado.

E não há aqui uma defesa deste ou daquele nome para a sucessão. Uma boneca inflável faria uma administração melhor. Se a Justiça local entende que há uma briga política pelo poder do Mogi, precisa repensar e reler todo o caso. E olhar para fora da nova casa do Sapo, o Forunzão. É preciso olhar o todo, sempre respeitando, claro, a legislação. O que não pode é enxergar no pleito apenas a tentativa de um grupo em assumir o controle de um clube. O Mogi é hoje um ente abandonado. A cidade o transformou em um grande morador de rua. A diferença é que muitos conhecem a história deste mendigo e ainda assim o ignoram. O Sapo clama por uma esmola. Clama pelo esforço de uma comunidade que deve uma parte de seu crescimento justamente ao Mogi Mirim.

O Centro de Treinamento é um dos temas de brigas na Justiça. Local hoje pertence a Rivaldo, mas poderia estar sendo usado pelo clube até mesmo com a guerra jurídica por ele. O problema é que não tem um campeonato para jogar. Não há um time. O Mogi está inativo. Tristemente inativo.

Hoje, o Sapo vive de audiências e não mais de partidas de futebol ao anoitecer. As ações cíveis e trabalhistas se acumulam, com processos de atletas que confiaram em dirigentes que tiraram o Mogi da rara lista de clubes que pagavam em dia. O mais incrível é que o homem responsável pelo Mogi no momento em que a dívida se tornou enorme e quase irreversível, é o mesmo que já exclamou que deseja vender os últimos tijolos de um patrimônio erguido com o suor dos mogimirianos. Toda a dívida deveria recair sobre Luiz Henrique e quem mais assinou papéis em nome do Mogi nos últimos anos. Se resolveu ser um investidor do clube e não foi competente para administrá-lo, que assuma as dívidas. Que troque seu carro importado por um par de chinelos. Que pague com dinheiro da sua família o que prometeu pagar a tantos pais de família. Que troque seus seguranças armados por uma conversa desarmada, em que faça uma coisa ou outra. Ou assuma a responsabilidade como homem ou regresse a Guarulhos para nunca mais voltar a ousar pisar em Mogi e a proferir o nome deste clube do qual teve a honra de ser presidente. E o clube teve o desprazer de tê-lo no comando.

Na segunda-feira, 20, infelizmente, este homem pode protagonizar um novo W.O, fugindo mais uma vez do jogo que resta ao Sapo. Pode também ser classificado como favorito em um pleito que visa a sua destituição. O que não pode mais é uma cidade ver com passividade o que um alheio faz com um dos maiores patrimônios históricos de Mogi Mirim. Na segunda, dia 20, temos um jogo no Forunzão. Mais um jogo de um campeonato que não pode terminar com o título nas mãos de quem jogou o clube no fundo do poço. O Mogi precisa de todos aqueles que amam o esporte, que amam o futebol, que amam a cidade de Mogi Mirim. Que amam ou já disseram amar o Mogi Mirim Esporte Clube. O Mogi precisa voltar a mandar seus jogos a alguns metros do Forunzão. A casa do Sapo é o Vail Chaves é ali que as partidas devem acontecer.

Com o locutor abrindo a transmissão escalando atletas, técnicos e árbitros de futebol. Que a ‘Era dos Advogados’ seja breve e que a vitória seja daqueles que lutam para ver o Mogi de volta à elite do futebol, reverenciado como uma instituição que foi abraçada pela cidade e que venceu as dívidas e aqueles que criaram este mar de dívidas. Força, Mogi!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *