Felipão e Barbieri: Eles podem vencer a lógica

Fugir do lugar comum é uma necessidade para quem quiser ver o futebol com maior profundidade. Quando alguns conceitos se estabelecem como verdades absolutas, eles precisam ser questionados. Dois deles, em especial, tem me chamado a atenção. Jornalistas e ex- jogadores que analisam futebol tem repetido com frequências as próximas duas frases.  Todos os times no Brasil jogam um futebol muito parecido. O calendário impede que as equipes disputem três competições com foco em todos os títulos.

Felipão e Barbieri podem quebrar esses paradigmas de uma só vez. Aliás, um deles já foi obviamente quebrado. Não existe possibilidade de se considerar semelhante as ideias de jogo desses dois times. O Palmeiras de Felipão está quebrando recordes defensivos um atrás do outro. Já são nove jogos sem sofrer gols e também sem correr muitos riscos. Um time prioritariamente seguro e que nunca passa com mais de cinco jogadores para o campo de ataque. Mesmo com laterais muito ofensivos no papel, para jogar na família Scolari, primeiro é preciso defender.

O Flamengo de Barbieri tem um modelo bem mais arejado. Apenas um volante fixo protege a frente da zaga. Mesmo assim, um dos laterais está sempre ajudando na construção ofensiva. O segundo homem de meio é Paquetá. Um armador nato que briga pelo posto de melhor do Brasileirão.  Sem desprezar a velocidade, o jogo em transição é bem mais cadenciado. O Palmeiras é rápido, direto, intenso e mesmo tendo menos a bola, aproveita-se muito bem dos momentos de posse.

Estes são só dois exemplos e existem vários outros para mostrar que dizer que todos jogam da mesma maneira é assumir estar desatualizado.  Mesmo com jeitos de jogar diferentes, donos dos melhores elencos do país, eles podem e devem tentar levar suas equipes as conquistas das três taças. Caso contrário, vão colocar em cheque o valor de se investir em um elenco grande e bom.  Isso de maneira nenhuma quer dizer que o calendário está ok e não precisa ser revisado.

Mas, não chega a ser novidade dizer que treinadores e jogadores adoram se apoiar em “muletas”. Desculpas prontas que a imprensa aceita com muita facilidade e que diminuem a responsabilidade dos envolvidos no desempenho de suas equipes. Um sucesso de Felipão ou Barbieri nas três competições poderia ser encarado como uma bela prestação de serviço ao nosso futebol que adora ter seus mitos temporários. Fujamos dos mitos.

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