MMEC: A chave para os novos sócios nas mãos da Justiça

Os campeonatos nacionais de acesso estão na reta final e, após seis temporadas seguidas, chegamos ao mês de setembro sem uma partida sequer do Mogi Mirim Esporte Clube. Eliminado na primeira fase da Série D, o Sapão da Mogiana não faz um jogo oficial desde maio. E ficará sem fazer até pelo menos abril de 2019. Isso, claro, se a Federação Paulista não alterar o calendário da Segunda Divisão do Paulista e, o mais importante, se o clube realmente entrar no torneio.

Desde 1970, quando o Mogi foi profissionalizado, a agremiação não passava por uma tensão tão grande de ausência em uma temporada. Pensar que, em setembro de 2012, o Sapão brigava em reais condições pelo acesso, contando com um técnico que hoje ocupa uma das 20 cadeiras na Série A. Os jogos do Mogi Mirim agora acontecem nas salas de audiência. São vários os assuntos em pauta e, o mais importante deles, tem o comando administrativo do clube em destaque.

O processo ‘1005459-51.2017.8.26.0363’ distribuído para a 3ª Vara Cível de Mogi Mirim trata de processos que visam a saída de Luiz Henrique de Oliveira do comando do Sapão. Como há mais de três anos o cenário é de declínio com o atual presidente, fazer um exercício lógico partindo do princípio de que o juiz Fábio Rodrigues Fazuoli dará a ele ganho de causa, significa imaginar que os portões do Sapão poderão ser fechados de vez e o clube se tornar o ‘Cemitério de Histórias’ um dia falado pelo ex-presidente Rivaldo. Ferreira.

Porém, há a chance do magistrado decidir pela anulação da assembleia que reelegeu Luiz Henrique em 2017, destituindo assim toda a composição da diretoria. Neste cenário, é possível que o juiz indique um responsável interino pelo clube, em uma função de interventor. Esta figura assumiria o papel de condutor de um novo processo eleitoral dentro do clube, que se veria obrigado a recadastrar sócios. E é aqui que o papel do mogimiriano pode ser fundamental para que um dos maiores patrimônios da cidade não se torne cinzas históricas.

Estádio Vail Chaves é um dos que sofre com a atual diretoria, que já cogitou vendê-lo para sanar dívida criada por ela…

Caso a Justiça defina que o clube deve passar por novas eleições, o quadro de associados precisa, novamente, contar com o maior número possível que apaixonados pelo clube. Não basta ser mogimiriano. Tem que ser Sapão da Mogiana de coração. Tem que desejar reconstruir um clube fadado ao sumiço. Que muitos veículos de comunicação dos grandes centros cravaram como à beira da extinção. Que muitas pessoas que já estiveram até dentro do clube já declararam não ver outro caminho a não ser o fechamento dos portões.

O Mogi Mirim Esporte Clube precisa da cidade e, finalmente, parece haver um fio de esperança de que ela possa ser ativa no processo. Integrar o quadro associativo do clube permitirá não apenas ficar reclamando desse ou daquele, mas de ter poder de decisão sobre quem deve ser o novo presidente. Ou, uma cidade de mais de 90 mil habitantes perderá, mais uma vez, para algumas vans vindas da Grande São Paulo?

A situação a qual chegou o Sapo é triste, não há dúvidas disso. Há poucos mais de 25 anos, se falava apenas no Carrossel Caipira. E o clube descarrilhou. Hoje, precisa ser reconstruído, mas é algo bem mais simples do que na década de 1970, quando um grupo de apaixonados profissionalizou o Sapão. O Mogi tem um estádio de primeira grandeza, tem uma briga judicial para a restituição dos CTs adquiridos no auge, entre as décadas de 1980e  1990. Tem um currículo invejável e até crédito, já que, tirando a gestão Luiz Henrique, o Mogi sempre foi bom pagador. O calote é uma novidade que veio com o atual dirigente e o aspecto financeiro pode muito bem ser revertido. Basta uma cidade se unir em torno de seu clube profissional, que tanto elevou o nome da cidade no Brasil e no Mundo.

Se o processo judicial culminar em um processo eleitoral, um novo grupo pode emergir no comando e ele precisa ser formado por pessoas que amem o Mogi Mirim Esporte Clube. Sorte ou azar, quem pegar o Sapão não terá mais para onde cair no âmbito esportivo. Pegará um time que jogará em 2019 a Segunda Divisão do Paulista e a Segunda Divisão do Paulista Sub20. Competições que começam regionalizados e não causam tanta despesa como uma Série A3, por exemplo. A ausência da agremiação e a retomada com energias renovadas pode também conduzir o torcedor de volta ao estádio. Em Jaú, por exemplo, a torcida do XV deu médios de 5 mil pagantes em jogos desta mesma divisão.

Centro de Treinamento está abandonado; clube está inativo desde maio deste ano

Além disso, existe outro fator que pode ser importante para quem assumir o clube neste cenário hipotético. A Segunda Divisão de 2019 pode nos remeter a um passado em que os clubes da região se enfrentam com frequência, criando uma rivalidade importante para o desenvolvimento das equipes. O Clube Atlético Guaçuano promete voltar. A Esportiva garante que estará mais forte do que em 2018. E ninguém vai querer ver o clube da sua cidade perdendo para a vizinha. 2019 pode ser o ano da reconstrução e este processo de salvação de um patrimônio chamado Mogi está em jogo na Justiça. Fique atento, pois este campeonato é tão importante quanto uma Série B de Brasileiro. Vale a vida e a sobrevida do Sapão.

 

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